Ontem, foi dia de Take Off, uma iniciativa de dois alunos do primeiro ano Engenharia Informática da Universidade de Coimbra
Antes demais, devo dizer que fiquei francamente surpreendida pela excelente organização do evento, bem como pela escolha dos oradores. Mais ainda fiquei, quando soube que o evento partiu de uma vontade espontânea dos dois alunos, e não de um trabalho curricular, pelo que estão ambos de parabéns.
Não vou falar de todas as apresentações, porque no site poderão ter acesso aos pdfs e aos mp3s.
A apresentação que gostei mais e que considerei melhor foi sem dúvida a “CoCriatividade- Outra forma de inovação?” do Pedro Custódio, que abordou a temática das comunidades web, que me interessa particularmente.
Também gostei da apresentação “EJAKI e YouTrack: duas ideias de partilha de localização” do Francisco Pereira, embora muito direccionada para os PDAs, pelo que de pouco interesse para mim.
Houveram Houve depois outras apresentações que gostei por terem uma abordagem diferente (caso da apresentação “Do cubículo para o sofá” do Pedro Sousa, ou por explicitarem bem o caminho tomado e as opções (caso da apresentação “Starting Up” de Frederico Oliveira). O facto de ambos os oradores serem excelentes comunicadores também ajudou a cativar o público.
A apresentação mais deplorável, do meu ponto de vista, foi a “Ideias e Software - Como desenvolver uma indústria de software em Portugal?” de Pedro Vitor Santos. Enquanto a Microsoft tiver a atitude de sobranceria que tem vindo a ter, não conseguirá captar público. Ser irredutível nas afirmações, dizer que o público que está a assistir diz coisas que não são verdade, sabendo que está à frente de uma comunidade de informáticos com portáteis e acesso wireless, que lhes permite em poucos segundos provar que o que estão a dizer é efectivamente verdade é, de facto, uma estratégia pouco inteligente.
Penso que foi a primeira vez que ouvi alguém da Microsoft falar em público, numa conferência. E nunca pensei ouvir que “o open source não respeita a propriedade intelectual”. De certeza que as pessoas da área não se deixam enganar assim tão facilmente, mas não pude deixar de pensar nos realmente jovens da primeira fila.
Claro que uma má apresentação oral e uma fraquinha apresentação visual, só conduz à distracção do público. No meu caso, entretive-me a contar os erros ortográficos: a partir de mais ou menos meio da apresentação contei sete! (Nas outras apresentações não sei, foram interessantes não me distraíndo
)
Numa das apresentações do take off, aconteceu algo que me dá o pretexto de voltar a falar sobre os sentidos da chamada Web 2.0. O problema maior que vejo na Web 2.0 é o facto do sentido estar a mudar. Não tenho a certeza que isto faça parte da definição da Web 2.0, mas o facto é que na maior parte das aplicações desta Web 2.0, o utilizador trabalha directamente (isto é, coloca dados) num servidor longe, de alguém que não conhece em vez de trabalhar no seu computador e partilhar ou colocar os dados na web, depois. Esta mudança de sentido de trabalho sempre me angustiou um pouco na tal Web 2.0.
Há um exemplo interessante nos cada vez mais cartões de desconto (que não é mais do que uma moeda de troca) dos hipermercados. Nesses cartões não ficam certamente registados só os descontos, mas também aquilo que compramos. Há alguns anos atrás, trabalhei num hipermercado, onde tinha de pedir o cartão, se o cliente tivesse, para o passar na máquina antes do registo.
Podemos pensar porque há-de haver alguém interessado em saber se compramos farinha x ou arroz y, mas o facto é que esta informação disponibilizada às marcas permite controlar, criar e aguçar novas estratégias de publicidade. Chamem-me mau-feitio: não gosto de facilitar o trabalho a quem pretende criar necessidades nas pessoas…
Voltando ao caso, devo dizer que não me lembro da resposta exacta à pergunta que foi feita ao Frederico Oliveira do goPlan, o que eu interpretei foi que o um dos criadores do goPlan já não via há muito tempo para que andavam as pessoas a utilizar o goPlan.
Claro que, em teoria, todos sabemos que num serviço destes é possível que os administradores consigam ver o que fazemos nas aplicações, mas muitas vezes esquecemo-nos disto. Na verdade, temos apenas a palavra deles e, ou confiamos ou não. A certa altura, coloquei a hipótese de vir a utilizar o goPlan num trabalho colaborativo entre professores de quatro países europeus, depois, e porque a aplicação ainda era nova, decidi ir experimentando primeiro com projectos pessoais. Já os retirei de lá.
A minha interpretação pode estar errada, eu posso ter ouvido mal, mas a dúvida instalou-se e lembrou-me aquilo que muitas vezes esquecemos: a Web 2.0 parece mais um agregador de dados. Há uns tempos um amigo dizia-me a propósito disto que “Hoje sei como isto está, amanhã não sei”.
Pelo sim, pelo não…