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Há claramente dois tipos de Americanos: aqueles que vivem confortavelmente dentro do sistema e a que associamos o sonho Americano (a casa de madeira com o relvado em frente, o(s) carro(s), as compras abundantes nos malls, as férias na Florida) e aqueles que vivem em permanente luta com a tirania do cartão de crédito.
Para estes últimos cada fim de semana (muitos Americanos são pagos à semana) é um martírio e uma salvação: pagam as contas atrasadas e vão gastar para a seguinte. E desengane-se quem pensa ser fácil fugir à escravatura do cartão de crédito: o sistema está tão ‘bem’ feito que não ter cartão de crédito é **pior** do que ter ‘bad credit’. Por exemplo, se alguém se recusa a usar cartão de crédito, e paga as suas continhas em cash, certinho, quando vai contratar o seguro automóvel obrigatório apanha com um prémio altíssimo. E este não é o único exemplo: aplica-se ao seguro de saúde (indispensável), ao contrato de água, luz, gás, telefone e internet. Aparentemente o credit-score determina as cauções que se é obrigado a pagar.

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Foi ontem. Foi ontem que vi, acho que pela primeira vez, um jornal justificar uma notícia, na própria notícia.
A mim, sempre me ensinaram que se preciso de justificar uma notícia ou um trabalho, é porque ele está fraquinho. Quando o trabalho é bom, ele justifica-se por si próprio.
Ora, já sabíamos que a blogosfera dava cartas ao jornalismo português. E confirma-se: a cabeça da reportagem do destaque de ontem do Público começava com “É um dos temas do momento na blogosfera” e a Nota da Direcção Editorial começava também com “Há cerca de um mês que se avolumaram, na blogosfera, referências múltiplas, algumas delas entretanto reproduzidas em jornais ou citadas nas rádios…”
Pois o Público, justificou com esta Nota da Direcção Editorial, o trabalho do seu jornalista: o Público queria acabar com os boatos. Sim, que aquele jornal de referência não usa o critério do curriculum académico para avaliar um político. É por isso que agora durmo muito mais descansada, por saber que existe um jornal português que coloca entre os seus objectivos acabar com os boatos e, principalmente, que mo faz saber. Também fico muito, muito contente por o Público me dizer que aquela investigação já serviu para alguma coisa: corrigir a biografia do sr. primeiro-ministro no site oficial.

Pois, não fosse dar-se o caso dos leitores não perceberem como é boa e importante aquela reportagem!

Se bem que, depois de ler, a seguir, a nota do sr. primeiro-ministro ao Público, fiquei foi com a sensação que a tal nota da Direcção Editorial mais parecia uma resposta ao descontentamento daquele.

Quem faz jornalismo ou quem faz investigação científica sabe que é muito duro andar uns dias, como parece que foi o caso do primeiro, ou uns anos como muitas vezes é o caso do segundo, a fazer investigação, para concluir que afinal não temos aquela grande história ou aquela grande descoberta, que nos permite escrever uma notícia ou um artigo científico de várias páginas. No caso da investigação científica, muitas vezes, é importante ainda assim fazê-lo, no caso do jornalismo é pior: não há meio termo. Ou é notícia ou não é.

Da reportagem, também não ficamos a saber nada de muito concreto, nem sequer mata os tais boatos: o processo da licenciatura na Universidade Independente tem falhas, há documentos não assinados, sem data nem carimbo e elementos contraditórios.

Na posse desta informações, teria sido muito mais interessante fazer uma reportagem sobre a forma como as Universidades fazem o registo dos processos dos alunos. Quem não conhece gente que coloca no seu curriculum vitae uma ou outra pós-graduação que efectivamente não tem?

Sim, é importante saber se um primeiro-ministro agiu sempre de “forma limpa, clara e legal”, mas não são precisas quatro páginas de destaque para isso. Quatro páginas de destaque seriam precisas, se efectivamente se se confirmassem os boatos.

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