Hoje tive contacto com uma face menos agradável da América.
Um americano explicava-me que tinha comprado várias casas que arrendava. Já ia em sete casas, mas esperava chegar às dez antes dos 4o anos para poder viver dos rendimentos sem ter de trabalhar. Quando lhe perguntei se não tinha problemas com os inquilinos, por exemplo não pagarem as rendas, explicou-me que não havia problema pois a lei Americana impunha que quem não pagasse era liminarmente despejado (cinco dias). Mais, explicou-me com um sorriso de satisfação, o senhorio podia vender o que estivesse dentro da casa para pagar a renda em dívida.
Finalmente, quando lhe perguntei se teria coragem de despejar uma família em dificuldades, inclusive com crianças, ele olhou para mim com espanto e comentou “Of course, it’s my money!“.
Sei que poderia encontrar alguém com a mesma postura na Europa ou em qualquer sitio do mundo (a ganância é um atributo humano, não tem nacionalidade). Na verdade, o que mais me impressionou foi que esta pessoa é uma das mais inteligentes que já conheci, alguém que tem um espírito aberto, fresco, inovador, uma criatividade como raras vezes vi. E no entanto…
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Olá! Estou a viver uma experiência absolutamente notável: faz amanhã um mês que vim para Pittsburgh trabalhar. O Gustavo pediu-me que deixasse aqui algumas das minhas observações, compromisso que tenho adiado, mas este primeiro mês tem sido de adaptação a uma cultura diferente e sobretudo a um ritmo de trabalho alucinante. Espero a partir de agora poder deixar-vos algumas notas das minhas vivências por cá.
O primeiro aspecto que quero referir é “cuidado com as generalizações”. Temos tendência para dizer que os Americanos são ‘assim’ ou ‘assado’ (p. ex. gordos ou estúpidos…) o que numa sociedade tão variada afinal apenas manifesta ignorância ou má-fé do observador. Por exemplo, visitei há dias um museu que estava cheio de pessoas, novos, velhos, crianças. A um dia de semana. Quem me dera encontrar aquele entusiasmo, aquela percepção de visita interessante e alegre num museu em Portugal. Esta simples observação desmonta qualquer afirmação de que ‘os americanos’ passam a vida em frente da TV, uma generalização muito pouco sólida.
Essa cautela vai-me ser difícil de manter nos posts que se seguem, dado que as observações, embora focando as diferenças, são sempre tendencialmente generalizadoras. Peço-vos, pois, alguma tolerância

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