Archive for the “Literatura” Category
Quando olho para mim não me percebo.
Tenho tanto a mania de sentir
Que me extravio às vezes ao sair
Das próprias sensações que eu recebo.
O ar que respiro, este licor que bebo
Pertencem ao meu modo de existir,
E eu nunca sei como hei-de concluir
As sensações que a meu pesar concebo.
Nem nunca, propriamente, reparei
Se na verdade sinto o que sinto. Eu
Serei tal qual pareço em mim? serei
Tal qual me julgo verdadeiramente?
Mesmo ante as sensações sou um pouco ateu,
Nem sei bem se sou eu quem em mim sente.
Fernando Pessoa
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eu… eu quase não leio jornais… e foi agora, exactamente agora, logo após fazer um refresh ao meu cliente de rss que que me chegou isto…

LOUVOR E SIMPLIFICAÇÃO DE ÁLVARO DE CAMPOS (fragmento)
Eu, nada. Eu, eu, é claro…Paro um pouco a enrolar o meu cigarro (chove)
e vejo um gato branco à janela de um prédio bastante alto
Penso que a questão é esta: a gente, certa gente
sai para a rua,
cansa-se, morre todas as manhãs sem proveito nem
glória
e há gatos brancos à janela de prédios bastante
altos!
Contudo e já agora penso
que os gatos são os únicos burgueses
com quem ainda é possível pactuar
vêem com tal desprezo esta sociedade capitalista!
Servem-se dela, mas do alto, desdenhando-a…Não, a probabilidade do dinheiro ainda não estragou
inteiramente o gato
mas de gato para cima nem pensar nisso é bom!
Propalam não sei que náusea, revira
me o estômago só de olhar para eles!
São criaturas, é verdade, calcule-se,
gente sensível e às vezes boa
mas tão recomplicada, tão belo
cosida. tão ininteligível
que já conseguem chorar, com certa sinceridade,
lágrimas cem por cento hipócritas.
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- Diz lá, querido, tu não gostas das “burrinhas”, pois não?
- Oh, não - respondeu Mersault.
Continuaram a andar, e Mersault conservava a mão entre os cabelos quentes e a nuca macia de Marthe.
- Gostas de mim? - disse ela, logo a seguir.
Mersault, mais animado, respondeu com uma gargalhada:
- Ora aí está uma pergunta muito séria…
- Mas responde…
- Ora, vejamos. As pessoas da nossa idade não se amam. Simpatiza-se, mais nada. É mais tarde, quando nos sentimos velhos e impotentes, que podemos amar. Na nossa idade, julgamos que gostamos. Mais nada.
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“…and I shambled after them as I’ve been doing all my life after people who interest me, because the only people for me are the mad ones, the ones who are mad to live, mad to talk, mad to be saved, desirious of everything at the same time, the ones who never yawn or say a commonplace thing, but burn, burn, burn like fabulous yellow roman candles exploding like spiders across the stars and in the middle you see the blue centerlight pop and everybody goes “Awww!”"
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“Bitterness, recriminations, advice, morality, sadness - everything was behind him, and ahead of him was the ragged and ecstatic joy of pure being.”
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“A verdade é que as coisas que temos nos têm, também elas, a nós, pelo seu lado: o que possuímos - possuí-nos. Eu explico. Um dia, um sábio budista dizia ao seu discípulo isto mesmo que eu te estou a dizer e o discípulo olhava para ele com uma expressão estranha na cara (”este velho está chalado”), como aquela que talvez ponhas ao ler esta página. Então, o sábio perguntou ao discípulo: “O que é que te agrada mais nestes aposentos?” O aluno atrevido apontou para uma esplêndida taça de ouro e de marfim que devia valer uma pipa de massa. “Bem, toma-a”, disse o sábio, e o rapaz, sem esperar que lho dissessem duas vezes, agarrou firmemente a jóia com a mão direita. “Não te dê para largá-la, hein?”, observou o mestre com certa ironia; e depois acrescentou: “E não há nenhuma outra coisa que te agrade também?” O discípulo reconheceu que a bolsa cheia de moedas que estava em cima da mesa também não lhe repugnava. “Pois então, anda, fica com ela!”, incitou o outro. E o rapaz agarrou fervorosamente a bolsa com a mão esquerda. “E agora que mais?”, perguntou o discípulo ao mestre com certo nervosismo. O sábi retorquiu: !Agora, coça-te!” Não havia maneira, claro está. E olha que uma pessoa pode precisar a valer de coçar-se quando lhe arde alguma parte do corpo… ou da alma! Com as mãos ocupadas, não podemos coçar-nos à vontade, nem fazer muitos outros gestos. Aquilo a que estamos agarrados agarra-nos também, a seu modo…”
Fernando Savater in Ética para um Jovem. Dom Quixote, 13ÃÂê edição, pp 72 e 73
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saudade de ti
e de mim
mas saudade de nós
de um tempo que não foi o teu
nem o meu
mas o nosso
saudade do que não existe
em ti
nem em mim
mas em nós
saudade
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“The leaves are falling, falling as if from far up,
as if orchards were dying high in space.
Each leaf falls as if it were motioning “no.”
And tonight the heavy earth is falling
away from all other stars in the loneliness.
We’re all falling. This hand here is falling.
And look at the other one. It’s in them all.
And yet there is Someone, whose hands
infinitely calm, holding up all this falling.”
Rainer Maria Rilke
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A entrada é por aqui.
Nas livrarias, está já a “Caixa Negra“.
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“Virginia Woolf: This is my right; it is the right of every human being. I choose not the suffocating anesthetic of the suburbs, but the violent jolt of the Capital, that is my choice. The meanest patient, yes, even the very lowest is allowed some say in the matter of her own prescription. Thereby she defines her humanity. I wish, for your sake, Leonard, I could be happy in this quietness.
[pause]
Virginia Woolf: But if it is a choice between Richmond and death, I choose death.”
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“If we were always guided by other people’s thoughts, what’s the point in having our own?”
Oscar Wilde
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Não é normal eu aqui falar de livros. Não é que não goste de ler, muito pelo contrário, mas regra geral não é o tipo de livros que se possam aqui discutir:
Estive a ler o Algorithms and Data Structures do Drosdek
não é o tipo de coisas que sejam interessantes….. Bem, até são interessantes, e poderia falar da forma diferente como o Drosdek apresenta as coisas versus outros autores, ou como a forma como ele escreve ser muito voltada para a implementação em Java e……. bem, fica para outro dia :).
Estou aqui para falar de um livro que me foi oferecido no aniversário por um casal de amigos muito especial. O título eu já o disse, o autor é um Sr. de nome Sebastian Haffner e é editado pela D.Quixote e é uma história na primeira pessoa sobre os acontecimentos que abalaram a Alemanha (e o mundo) nos anos de 1914 a 1933. Acho que todos deveriam ler este livro!
Deixo aqui um pequeno excerto:
Uma pessoa pode isolar-se, colocar flores na sala e tapar os olhos e os ouvidos enquanto sai para a rua. Esta tentação era grande, mesmo para mim - e muitos outros lhe cederam. Graças a Deus que a tentativa de isolar-me falhou à partida. As minhas janelas não fechavam. Também na minha vida privada me esperavam despedidas atrás de despedidas.
É refrescante a leitura de algo sobre o pré segunda grande guerra escrito por um “ariano” que não fechou os olhos.
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“Aconteceu-me qualquer coisa; já não posso duvidar. Qualquer coisa que veio à maneira duma doença, não como uma vulgar certeza, não como uma evidência; que se instalou sorrateiramente, pouco a pouco. A dada altura senti-me um tanto esquisito, algo incomodado, mais nada. Tomado o seu lugar, essa coisa não mexeu mais, ficou como estava, e pude assim convencer-me de que não tinha nada, que tinha sido um rebate falso. Mas eis que o mal começa a propagar-se.”
Sartre, Jean-Paul. A Náusea. Público: Porto, 2003, p.15.
(sublinhado meu)
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A entrada para o Café 1812, St. Germain é por aqui:
“Diz-me se te encontras nesta carne que rasgaste.
Diz-me se te percebes nesta alma que complicaste.” [Gabriel__MM]
E se apurarem o ouvido, talvez consigam ouvir a música…
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“Sinto hoje a alma cheia de tristeza!
Um sino dobra em mim Ave-Marias!
Lá fora, a chuva, brancas mãos esguias,
Faz na vidraça rendas de Veneza…
O vento desgrenhado chora e reza
Por alma dos que estão nas agonias!
E flocos de neve, aves brancas, frias,
Batem as asas pela Natureza…
Chuva… tenho tristeza! Mas porquê?!
Vento… tenho saudades! Mas de quê?!
ÃÂâ neve que destino triste o nosso!
ÃÂâ chuva! ÃÂâ vento! ÃÂâ neve! Que tortura!
Gritem ao mundo inteiro esta amargura,
Digam isto que sinto que eu não posso!!…”
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Há já algum tempo que vos queria falar de um blog. Chama-se Gabriel_MM/ Gabriel Experience e está aqui.
Chamo-vos a atenção para o post com o título “3 mesas”. Segundo o autor, “é a ’súmula’ de um texto mais extenso, e vai ser apresentado neste formato em Julho, numa pequena edição, juntamente com outros textos” e quadros de outro autor.
Estamos à espera 
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