The jPod book by Douglas Coupland is probably one of the most hilarious things I’ve read in the last few years. It is a fairly accurate picture of Pop-Geek culture (minus the homicidal, drug dealer mom and the homicidal, white meat smuggler friend).
If you have the chance get a copy and read it. You’ll love it.
My copy is going to be dropped in some bookcrossing site somewhere in Coimbra… Search for it
Que alegria receber notícias tuas! Não imaginas a ansiedade com que costumo esperar as tuas cartas, que só acalma um bocadinho no tempo que levo a saboreá-las e a responder-te. A Luisinha caçoa de mim nessas alturas e chama-me tolinha. Ah! Bem sei que é uma tolice, mas que queres? As tuas palavras fazem-me sentir-te mais próximo de mim.
As tuas palavras e as memórias. No outro dia a Mariazinha foi dar comigo, no banco do jardim, com o livro no regaço, alheada de tudo e de todos. Imagina que teve de me abanar! Fiquei tão embaraçada, que tartamudeei uma desculpa qualquer, que soou mesmo a desculpa. Durante uns dias, apanhei-a a observar-me desconfiada, por várias vezes!
Em que pensava eu? Rememorava a primeira vez que falámos, ou melhor, que me dirigi a ti, lembras-te? Que audácia dirigir-me a um cavalheiro, com quem nunca tinha falado! Mas a minha curiosidade era sincera. A Luisinha diz que há-de ser a minha desgraça! Que não fica bem a uma senhora ser curiosa. Que a curiosidade sobre as coisas deve ser deixada para os homens! Que em vez de andar a querer saber “coisas”, eu devia era treinar mais o meu piano. E ela tem razão! Mas eu nunca conseguirei tocar com a mestria da Luisinha.
O Conde de Signey chegou ontem à quinta e trouxe umas novas partituras de música popular americana! Popular, imagina tu! Diz ele que já venderam 1,000,000 de partituras! De forma, que nos vamos aventurar pela música popular hoje ao serão!
O que é óptimo para variar. A D. Amélia diz que estou cada vez pior com o meu Bach. Que nunca se viu ninguém piorar tanto, em tão pouco tempo! Diz ela na sua voz estridente “A menina, em vez de andar a fazer essas mixórdias da química no barracão, devia era treinar o seu piano!”
Ora, pois eu não vou a todas as aulas que ela dá e não treino pelo menos uma vez por dia?
Enfim, meu amor, talvez eu não tenha mesmo queda para o piano.
Tenho de ficar por aqui, que vou enviar-te esta cartinha pelo Manuel, que sem contarmos, apareceu aqui hoje e me deu para riscar estas linhas muito à pressa.
Mil beijos daquela que te quer muito,
PS - A mamã continua aflitíssima com o enxoval, como se não tivesse eu enxoval de sobra!
All my life stood for freedom and the free distribution of texts on the Internet. I defended this principle when he was a journalist, and continue to defend, as I have already got three of the book.
I think that any novel must sooner or later be available on the Web, just like a book becomes available in the library.
I believe that presenting the text books on the Internet is not a “publication” in the legal sense (and the court case against Sorokin Chernov, was in my view).
Ali, no Congo belga, em 1960, reflecte sobre a crueldade gratuita e a arbitrariedade. "Esses são os únicos momentos em que sinto uma solidão mais profunda: quando estou sozinho perante uma violência impune. O mundo esvazia-se, despovoa-se, desaparece."
Um excerto da notícia do Público de hoje, sobre Ryszard Kapuscinski. Já falei algumas vezes do Kapu nesta casa. Um escritor favorito e um jornalista pelo qual sempre nutri a maior das admirações. A certa altura houve um sobressalto na comunicação social, pensou-se que Kapu teria sido espião: mais não foi que um subterfúgio para poder viajar como viajou, para poder contar o que contou, como só ele sabia contar.
O último livro, Andanças com Heródoto, está publicado em Portugal. Era o livro que levava, quando saíu da Polónia pela primeira vez. O destino foi a Índia e a História de Heródoto foi o seu manual.
Precisava encontrar a Universidade Nova, Campus de Campolide. Tinha visto num mapa, mas não muito bem como se chegava lá, de forma que assim que saí do metro em S. Sebastião, comecei a descer a rua até à Gulbenkian, porque me parecia perto desta. Chegada à Gulbenkian, tive de telefonar a pedir ajuda. Do lado de lá dizem-me para esperar um bocadinho que vão ver no mapa. Depois dizem, “mas estás muito longe” e eu fico logo stressada, penso “não posso estar assim tão longe”. Tornam “é que tens de procurar uma rua chamada Ramalho de Ortigão e eu não te consigo explicar onde é”. Respondo logo “nem precisas, rua Ramalho de Ortigão por onde eu passe, decoro logo” - ou não fosse um escritor favorito e companheiro de outro, da última vez que passei nessa rua até tirei uma fotografia à placa:
Continuam a dar-me indicações: “tens de virar depois à esquerda, para a rua Dr. Julio Dantas e depois para a rua da Mesquita”
Eu sou péssima a decorar trajectos, mas este foi fácil: Ramalho, Morra o Dantas Morra Pim - No link podem ler o MANIFESTO ANTI-DANTAS E POR EXTENSO por José de Almada-Negreiros POETA D’ORPHEU FUTURISTA e TUDO e ouvi-lo pela voz do saudoso Mário Viegas
Há pouco tempo vi, na RTP 2, uma entrevista (não me lembro dos intervenientes) em que se discutia a língua portuguesa e as suas variantes.
Uma das coisas que me chamou a atenção foi a questão do houveram, verbo haver quando não utilizado como auxiliar, que eu, incauta, usava sem atenção à sra. Gramática.
Dizia o entrevistado que Eça de Queiroz, entre outros, tem nos seus manuscritos o verbo grafado daquela maneira, tendo sido corrigido pelos editores, de forma a seguirem a imposição da gramática.
Eu não gosto de gramáticos, nem de pessoas que decidem, assim, sem mais nem menos, aportuguesar (ou não) palavras, fixando-as em dicionários, como o que aconteceu com o Dicionário da Academia.
Parece-me a mim, que a língua é viva e vale pelas suas diferenças. Renova-se pelo uso que dela fazem os falantes. Claro que há que ter regras, mas a minha questão é, até onde estes senhores fixadores têm o direito de ir?
Deixo-vos aqui um excerto de um texto do Professor Ivo Castro e que pode ser lido na íntegra aqui.
De facto, as gramáticas normativas apoiam-se fortemente nas atestações dos escritores para justificar as regras que propõem; quando as consultamos, sabe bem verificar que a construção que nos parecia duvidosa afinal é admitida pela gramática, porque um grande homem a utilizou nos seus livros. Mas atenção, até mesmo o escritor pode ter dúvidas: contava Celso Cunha que Augusto Abelaira, incerto quanto a uma construção sintáctica infelizmente não identificada, pegou na Nova Gramática do Português Contemporâneo para verificar se ela estava atestada; estava, mas atestada por uma citação do próprio Abelaira, que me confirmou a anedota. Quando as coisas se passam desta maneira, algumas perguntas se erguem: se o escritor tinha dúvidas permanentes quanto à construção, estaria em condições de fornecer sólido respaldo ao gramático? Se Celso estivesse ciente das hesitações de Abelaira, teria mantido a citação? E, sem ela, a regra? O que um escritor escreve, porventura desviadamente, torna-se logo português de lei? Se fosse assim, como explicar que as gramáticas normativas apenas permitam que o verbo haver tenha flexão plural enquanto auxiliar e que, por conseguinte, a frase “houveram risadas“ deva ser considerada incorrecta? Sucede que esta frase, juntamente com muitos outros exemplos de houveram e haviam, se encontra no manuscrito da Tragédia da Rua das Flores, escrita pelo punho de Eça de Queiroz. Em vão a procuraremos nas suas edições, pois os editores corrigiram a língua do autor em nome da gramática normativa, tal como eliminaram do manuscrito do Amor de Perdição numerosas grafias fonéticas de grande interesse dialectal e figurativo, tal como retiraram da Seara de Vento a maior parte das construções gerundivas (e alentejanas) de Manuel da Fonseca. Desconheço as circunstâncias exactas em que se inseriu na gramática portuguesa a ideia de que haver com o sentido de “existir, ter existência“ é um verbo exclusivamente impessoal, quando pelo menos alguns escritores e muitos falantes pensam e agem de outro modo. Trata-se de um ponto de história da gramaticografia que está à espera de ser estudado por algum erudito inteligente.
The Lighthouse foi o primeiro livro que li da aclamada P. D. James. O género policial é um dos meus favoritos nas leituras, mas este não me seduziu ao ponto de querer continuar a ler os restantes livros da autora. Talvez seja de estar habituada aos registos de Agatha Christie, Ellery Queen, Rex Stout, etc.
Apesar das personagens e interacções entre elas estarem bem construídas, a verdade é que dei por mim, a certa altura, a esperar pelo final para saber quem era o assassino. E isto, nas minhas leituras, não é bom sinal, porquanto significa que quero acabar o livro depressa por não estar a obter prazer da própria leitura. As mais de 400 páginas para uma história policial também não ajudam.
A propósito da visita do L’Alternativa - Festival de Cinema Independent de Barcelona ao Indie de Lisboa com o ciclo Utopia - Dystopia, falava eu com um vizinho aqui do lado, quando ele me indicou dois livros sobre distopias: o We do Yevgeny Zamyatin e o Fahrenheit 451 do Ray Bradbury.
Como são algo antigos, o primeiro data de 1921 e o segundo de 1953, pensei que talvez já estivessem em domínio público, pelo que procurei na web pelo texto. Encontrei uma tradução do primeiro, ainda que com problemas em alguns caracteres.
Quanto ao segundo, encontrei um site onde é possível ler e ouvir o início do livro. De forma, que sempre o podem agarrar aí numa biblioteca, espero
De referir, que o livro do Ray Bradbury serviu de mote ao único filme em inglês de François Trufaut e que poderá ser visto (sem legendas) na Fnac de Coimbra e na Fnac do Colombo, no próximo dia 23, pelas 21h30.
Dos Poirot que já vi nas imagens em movimento, é este o mais fiel à personagem. Não me dêem um Albert Finney ou um Peter Ustinov - Poirot nunca, mas nunca teria cabelo grisalho! Pois se o Capitão Hastings lhe apanhou uma vez um frasco de tinta para cabelo!
Vejo e revejo os DVD’s. Na primeira frame, já sei a história, dos livros várias vezes lidos, já sei as falas e até os actores que entram no episódio. Mas vejo na mesma. Revejo na mesma. Agatha Christie continua a estar entre os meus escritores de policiais favoritos. Há quem diga que é uma escritora menor, como dizem de muitos outros escritores de policiais. Aliás, parece-me, a mim, que o género policial é considerado um género menor. Não concordo. De todo. A vontade de ler policiais, em mim, costuma ser sinal de vontade de maior actividade cerebral. Sempre foi assim, quando sinto maior vontade de estudar, esta é normalmente acompanhada pela mudança de leituras para livros do género.
convicções, artes e o que implica ser jovem, entre outras leituras, para mim, obrigatórias.
talvez o blog mais movimentado, talvez aquele que mais me obriga a mudar as minhas rss. com gosto.
leitora, desde que lhe descobri a escrita e os desenhos, sigo-o nestas mudanças e seguirei sempre, enquanto ele deixar os leitores seguirem-no. aqui.
+ Soube há pouco tempo do suplemento Ípsilon, do Público. Vejo no site, hoje, um trabalho sobre o meu querido Alexandre O’Neill. Aqui podem ver um trabalho multimédia e em cima é possível fazer o download da edição.
- No dia 14, eram os beijos no YouTube, hoje são as gargalhadas no YouTube. Vocês que estão aí mais perto: o Público fez alguma parceria com o YouTube que me tivesse escapado ou quê?
Overclocked is the latest collection of short stories by Cory Doctorow. As always you can buy the book, or download it for free.
The style that Cory prints in his books is there. But it is getting better and better. Right now I’ve read When Sysadmins Ruled the Earth which is strange story about what people do in face of despair and about our need to organize and communicate. Right now I’m about half way of After the Siege and I must stay that I it is so good that I had to stop sometimes and remember to breath. Today we see just commercial wars and political pressures over Patents and Royalties. One day, that is probably not far away, we will see people fighting and dieing in trenches.
There is not only need for tenderness, there is also need to be tender for the other: we shut ourselves up in a mutual kindness, we mother each other reciprocally; we return to the root of all relations, where need and desire join. The tender gesture says: ask me anything that can put your body to sleep, but also do not forget that I desire you - a little, lightly, without trying to seize anything right away.
Barthes, Roland. A Lover’s Discourse - Fragments. Vintage. Great Britain: 2002. p 224
Começou a nevar agorinha mesmo, flocos tão lindos como nunca os vi
Chamam-lhe web social ou web 2.0 - não me perguntem que não sei o nome correcto ou exacto. Mas não gosto. Não gosto, mas sei que é preconceito meu. Quanto mais me dizem para socializar, menos vontade tenho de o fazer. Um pouco como o Miguelito do Quino, que ao ver uma placa, num canteiro de um jardim, a dizer “Não pisar a relva”, vai lá e mete o pé, dizendo qualquer coisa como “Não gosto que me digam que não devo fazer uma coisa que sei que não devo fazer”.
Depois há também o problema da atitude em relação à informação, no sentido lato: imagem, escrita, som, que reunimos ou que produzimos. A mim, faz-me confusão ter as coisas lá longe, num sítio que não conheço nem controlo.
Mas vou experimentando aqueles que me chamam a atenção e há alguns mesmo que vou mantendo. Aqui ficam:
Me @ Flickr - Fotografia. Há várias features interessantes (comentar as fotos, subscrever as feeds, agregar a foto a um mapa, etc), mas a mais interessante, do meu ponto de vista, é a chamada add note, que permite adicionar uma quadrado num objecto na fotografia e dizer alguma coisa sobre ele. Isto torna-se particularmente interessante porquanto, muitas vezes, acontece outras pessoas verem coisas nas fotos que nós não vemos. Aqui está um exemplo. O Flickr permite ainda adicionar pessoas como amigos e/ou familia, gerindo dessa forma as fotos que querem mostrar ou não a determinadas pessoas.
Add-on - Para Mac OS X existe uma app, Tickr, que permite ver em rodapé ou numa barra lateral do vosso desktop, fotografias adicionadas ao Flickr e que podem ser filtradas por palavras-chave, baseadas nas tags.
Me @ Last.fm - Música. Este site permite mostrar o que vou ouvindo no meu computador, com a opção de colocar gráficos em páginas web. Não é muito fiável, em termos representativos, uma vez que não ouço música apenas no laptop. É possível ouvir alguns albuns em preview ou uma ou outra faixa completa. Também aqui é possível adicionar friends e ver o que eles ouvem.
Me @ Del.icio.us - Bookmarks online, com possibilidade de ter bookmarks públicas ou não. Permite sincronizar as bookmarks com o browser.
Me @ Deviantart - Talvez o primeiro site-comunidade onde me registei. Permite colocar os vossos trabalhos online, receber e fazer comentários a outros trabalhos, bem como manter um journal.
Me @ Listal - Antes deste site experimentei o LibraryThing, mas que apenas dá para catalogar livros. O Listal permite catalogar, para além de livros, CD’s, DVD’s, filmes que viram, mas que não têm em DVD, televisão e jogos. Podem classificar os itens de 1 a 10, escrever comentários, construir listas de favoritos e, uma feature muito apetecida por gente como eu que tem livros tão antigos que não se encontram as capas na web, é possível fazer o upload da capa do livro, do cd, etc.
Parece-me um site ainda em desenvolvimento. Há poucos dias tinha uma opção de import e export, nomeadamente para a Delicious Library (infelizmente não para a Bookpedia), que agora não encontro, pelo que é possível que não estivesse a funcionar ainda muito bem. Também aqui é possível adicionar friends e é possível colocar os vossos itens numa página web.
absence / absence - Any episode of language which stages the absence of the loved object - whatever its cause and its duration - and which tends to transform this absence into ordeal of abandonment.
I take a seat, alone, in a café; people come over and speak to me; I feel that I am sought after, surrounded, flattered. But the other is absent; I invoke the other inwardly to keep me on the brink of this mundane complacency, a temptation. I appeal to the other’s “truth” (the truth of which the other gives me the sensation) against the hysteria of seduction into which I feel myself slipping. I make the other’s absence responsible for my worldliness: I invoke the other’s protection, the other’s return: let the other appear, take me away, like a mother who comes looking for her child, from this worldly brilliance, from this social infatuation, let the other restore to me “the religious intimacy, the gravity” of the lover’s world. (X once told me that love had protected him against worldliness: coteries, ambitions, advancements, interferences, alliances, secessions, roles, powers: love had made him into a social catastrophe, to his delight.)
Barthes, Roland. A Lover’s Discourse - Fragments. Vintage. Great Britain: 2002. p 13 & 17
déclaration / declaration - The amorous subject’s propensity to talk copiously, with repressed feeling, to the loved being, about his love for that being, for himself, for them: the declaration does not bear upon the avowal of love, but upon the endlessly glossed form of the amorous relation.
1. Language is a skin: I rub my language against the other. It is if I had words instead of fingers, or fingers at the tip of my words. My language trembles with desire. The emotion derives from a double contact: on the one hand, a whole activity of discourse discreetly, indirectly focuses upon a single signified, which is “I desire you,” and releases, nourishes, ramifies it to the point of explosion (language experiences orgasm upon touching itself); on the other hand, I enwrap the other in my words, I caress, brush against, talk up this contact, I extend myself to make the commentary to which I submit the relation endure.
(…)
(Love’s atopia, the characteristic which causes it to escape all dissertations, would be that ultimately it is possible to talk about love only according to a strict allocutive determination; whether philosophical, gnomic, lyric, or novelistic, there is always, in teh discourse upon love, a person whom one addresses, though this person may have shifted to the condition of a phantom or a creature still to come. No one wants to speak of love unless it is for someone.)
Barthes, Roland. A Lover’s Discourse - Fragments. Vintage. Great Britain: 2002. p 73.
ele tinha-lhe falado nos livros. e tinha-lhe falado nos livros, de uma forma estranha: tinha-lhe falado do desprendimento em relação aos livros. não. desprendimento não descrevia de forma exacta o conceito. talvez ela pudesse usar altruísmo. ela não ligava muito às coisas materiais, às vezes até de forma inconsequente.
mas com os livros era diferente. ela tinha-lhes um sentimento de posse. os livros cresciam-lhe pelas paredes do quarto. ela gostava de lhes sentir as texturas das capas e das folhas e de lhes inspirar o aroma. alguns havia até, que ela reconhecia sem precisar de lhes olhar os caracteres. abria-os a meio, inspirava o aroma… ah, este é o secreto adeus do Baptista-Bastos… e este é um Eça de Queiroz, edições Livros do Brazil, capa amarela… este é a Antígona… um Agatha Christie… hmm… os editoriais no Combate, do Camus… claro, o Fausto, edição dos anos 50, corrigido e anotado pelo Paulo Quintela, impresso na Universidade de Coimbra… e este… sim, a Mafalda do Quino!
depois, ela estava sempre a precisar deles. dos livros. ou porque alguém lhe dizia alguma coisa ou porque ela lia algo que lhe recordava uma passagem qualquer. e nesses momentos lembrava-se que o livro estava na fila de trás da segunda prateleira da primeira coluna da estante encostada à janela. e tinha de ir lá buscá-lo. tirava os livros da frente e era por isso que o chão do quarto era, as mais das vezes, invadido por torres de livros que era preciso contornar com cuidado.
e agora ele dizia-lhe que o melhor de tudo era oferecer um livro que fosse nosso. mas não um que não gostassemos ou que imaginassemos que não fossemos precisar. não: o melhor de tudo era dar um livro nosso, que gostassemos muito, que precisassemos muito. ela não conseguia deixar de pensar nisto. ela lembrava-se que uma vez tinha rasgado um conto inteiro de um livro e dado a um amigo. e tinha-lhe sabido bem.
mas, assim, um livro inteiro… que a tivesse acompanhado na mala ou no bolso do casaco… ao qual tivesse recorrido várias vezes… ela começava a pensar que talvez conseguisse…