Archive for the “Ficção?” Category


“I would say I’m sorry
If I thought that it would change your mind
But I know that this time
I’ve said too much
Been too unkind
I try to laugh about it
Cover it all up with lies”

há pouco tempo, perguntaram-me o sentido desta frase que usei, antes de perceber, mais uma vez, como ela é verdadeira:
“tu deviens responsable pour toujours de ce que tu as apprivoisé” [Le Petit Prince]
suponho que ela significa que choro quando tu choras

“I try and
Laugh about it
Hiding the tears in my eyes
’cause boys don’t cry
Boys don’t cry”

disseste-me que tiveste um pensamento foleiro e que não o ías dizer para não “estragares” a imagem que tenho de ti. e eu disse-te que isso não era possível. e tu, esperto como és, anotaste a frase-feita e contra-argumentaste que a imagem que eu tenho de ti, foste tu que a construíste. e eu ripostei que, por esta altura, já não tinhas o poder de a alterar. mas não sei porquê. apenas sinto que é assim.

“I would break down at your feet
And beg forgiveness
Plead with you
But I know that
It’s too late
And now there’s nothing I can do”

queria saber dar-te a solução. não. queria saber mostrar-te os caminhos, para que tu pudesses decidir o que fazer.

“So I try to laugh about it
Cover it all up with lies
I try to
Laugh about it
Hiding the tears in my eyes
’cause boys don’t cry”

mas ultimamente a minha visão anda tão turva que nem os meus próprios caminhos eu consigo ver. por isso, vou colocando aqui excertos de uma letra de uma música, já antiga, que fala de muitas coisas, mas também de uma luta. uma luta que ando a travar comigo própria e que sei, porque me respondeste [talvez tenhas respondido mais a ti do que a mim] sem eu te perguntar nada, que tu também andas a travar essa luta insana.

“I would tell you
That I loved you
If I thought that you would stay
But I know that it’s no use
That you’ve already
Gone away”

é porque essa capacidade lúcida se me esvaiu que não sei como te acalmar ou o que te dizer para te descansar. há um livro que diz que o segredo é fechar o olhos e ver com o coração, mas eu não sei dizer.

“Misjudged your limits
Pushed you too far
Took you for granted
I thought that you needed me more”

às vezes, não dizemos às pessoas que elas são importantes para nós porque achamos que isso está implícito. muitas vezes só o fazemos em momentos de crise e normalmente de forma individual e pouco comprometedora. é por isso que decidi dizer-te, assim publicamente, que desempenhas um papel importante e fundamental na minha vida.

“Now I would do most anything
To get you back by my side
But I just
Keep on laughing
Hiding the tears in my eyes
’cause boys don’t cry
Boys don’t cry
Boys don’t cry”

isto tudo para dizer que estou aqui e estarei sempre, como a imagem que não pode mudar. que também eu me sinto a balançar numa corda, como sinto que tu te sentes, mas que se quiseres rir ou chorar, poderemos sempre fazê-lo juntos - pelo menos quem nos vir, não vai pensar que somos loucos, como faria se ríssemos ou chorássemos sózinhos :)

também te queria dizer que, da mesma forma que tenho a certeza da imagem que não pode mudar, vais discernir o caminho. e estando a falar de ti, tenho ainda a certeza que se não for o mais “correcto”, será certamente o melhor.

um abraço e uma festinha,
Paula


P.S. - será agora a minha vez de te dizer a ti “tu devias era levar porrada”?
;)

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Vieste de tão longe para tomar café. Vens sempre de tão longe só para tomar café.
Juntou-se muita gente ao redor da mesa.
Esperavam que lhes contasses a vida lá longe, a vida de outras gentes, como se as gentes não fossem iguais em toda a parte. Talvez quisessem que as gentes não fossem iguais porquanto isso lhes daria, também a eles, o estatuto de diferentes.
E foste despejando essa vida. As rotinas, os horários, o trabalho, o arranjar casa, e os filmes que se viam, e os livros de que se falava, e os transportes públicos e o tempo, a metereologia bem entendido, que eram essas as rotinas que aquela gente esperava sofregamente ouvir.
E eu olhava-te a segurares o copo da cerveja com a mão que agarrava também o cigarro e lia, nessas palavras rotineiras, as saudades que não admitias que tinhas.
Eu observava a cena no conjunto, e sentia este travo da existência de duas conversas, uma por cima da outra, como se planassem em diferentes camadas. A de cima, inofensiva e previsível. A debaixo, pouco segura e pronta a explodir.
Já de madrugada, não me deixaste ir embora sem me enlaçares longamente e pedires baixinho ao meu ouvido: “fica comigo, vem comigo”.
E eu fingi, por um momento, que não te ouvi, para, egoisticamente, sentir durante mais algum tempo o teu abraço, quente e seguro, até te dizer “não posso”.
E percebo agora que te menti, sem saber que mentia. Que podemos sempre. Que somos nós que escolhemos. Que podemos não gostar de nenhum dos caminhos, mas eles existem sempre e estão lá para serem escolhidos ou rejeitados. Por nós.

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“acordo. ao lado, uma luz no telefone indica uma mensagem.
custa-me dormir. agora que reduzi o café e tudo!
(pois se eu não durmo, porque haveis vós de dormir?)
lá fora, está tudo em silêncio. nem as luzes se ouvem.
antigamente, a iluminação era branca. agora este amarelo dá um ar estranho às coisas.
(pois se eu não durmo, porque haveis vós de dormir?)
before, desta janela via-se verde a perder de vista. ao fundo a “casa da quinta” dominava e nomeava o espaço.
agora, vê-se um emaranhado de ruas de alcatrão e sinais de trânsito, muitos sinais de trânsito.
o que não deixa de ser ridículo se tivermos em conta que estas estradas não têm movimento e muitas ainda não levam a lado nenhum.
(pois se eu não durmo, porque haveis vós de dormir?)
lá adiante, na junção daqueles montes, há uma claridade pouco habitual, mas não surpreendente neste calor. ali, hoje, a noite vai ser muito longa. ali, a noite vai ser muito mais longa do que aqui.
(pois se eu não durmo, porque haveis vós de dormir?)
o silêncio começa a ser invadido. está na hora das cigarras?”

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