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“A mysterious train leaves for 2046 every once in a while”

2046

2046 is a movie that every once i a while pops up in my blog brought by one of the other writers. I just saw this movie a couple of weeks ago and finally understood the magic around it. 2046 is not a movie, it is not an experience, it is not a travel. It is all this and something more.
If you get a chance to see this movie….. Please grab it and don’t let go. After that please come back here and say…….. whatever is one your mind.

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O cinema brasileiro está ao ataque do mundo. Cidade de Deus apareceu em 2003, bem como O Homem do ano. Ambos falam do crime das favelas, da vida, das relações entre bandidos, favelados, crianças/homens.
Cidade dos Homens é uma série com alguns dos actores de Cidade de Deus. A série é simplesmente brilhante, colocando uma tónica nova na forma de olhar a favela. As pessoas que lá vivem, o que as motiva, o que fazem para avançar, as relações estranhas que se desenvolvem. Se virem o DVD numa banca não esitem… comprem logo antes que esgote.

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Dia 18 de Maio, pelas 15h, no Anfiteatro José Guilherme Silva, Departamento de Engenharia Informática, uma oportunidade única de ver o “2046″ em ecrã gigante (hmm… talvez não seja muito gigante, mas é certamente maior do que a televisão lá de casa) – 4ª sessão do Cine@DEI 2005:

“O Cine@DEI é uma actividade que visa ser, mais do que um simples meio de divertimento, um canal de comunicação e transmissão de ideias. Esta actividade tem vindo a ser realizada desde 1997 por alunos do DEI (Departamento de Engenharia Informática da Universidade de Coimbra) através do LaGe (Laboratório de Gestão) no âmbito da cadeira de Gestão de Empresas. Tal como outras actividades realizadas pelo LaGe procura aproximar os membros da comunidade universitária.” in Cine@DEI – Organização

Já viram uma vez? Ora, vêem de novo ou vão querer fazer-me acreditar que esgotaram o filme à primeira? – (não, não estou a falar consigo, sr. Paulo). Têm não sei o quê marcado? Desmarcam. Ou acham mesmo que este filme volta às salas de Coimbra?
Sois uns privilegiados. Vejam lá se aproveitam…

Até 2046!

“Everyone who goes to 2046 has the same intent
To recapture their lost memories
Because in 2046, nothing ever changes
Nobody can be sure that this is true
Because nobody who goes there …
.. has ever come back
Except for me
Because I do need to change.

(…)
“I once fell in love with someone
After a while, she wasn’t there
I went to 2046
I thought she might be waiting for me there
But I couldn’t find her
I can’t stop wondering if she loved me or not
But I never found out
Maybe her answer was like a secret…
that no one else would ever know
All memories are traces of tears”

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E não digo mais nada.

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Lost in Translation

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“1 hora 10 horas 100 horas 10000 horas”

Comprara um bilhete a mais. Comprara-o para alguém que já sabia não poder ir. Por isso, o lugar à sua direita, na sala de cinema, ficara vago durante toda a viagem para 2046. Era o nº 14.
Talvez fosse melhor assim. Se o objectivo era recuperar memórias perdidas, talvez fosse melhor ir sozinho.
Sentia a cabeça a latejar e o corpo exaurido. Dormira muito mal na noite anterior. Acordara muitas vezes e o pouco que dormira era um sono fragmentado, demasiado leve, hesitante.
Talvez fosse a iminência da viagem.

Mas agora já não podia voltar atrás. Era esta a última oportunidade para ir até 2046.

“I once fell in love with someone
After a while, she wasnÂ’t there
I went to 2046
I thought she might be waiting for me there
But I couldnÂ’t find her
I canÂ’t stop wondering if she loved me or not
But I never found out”

Procurá-la. Recuperar as memórias perdidas. Ocupar o tempo do outro ou deixar que o outro ocupasse o seu tempo.
A viagem não foi muito tranquila. De quando em vez, sentia-se empurrado com violência contra as costas da cadeira. Isto acontecia sempre que do outro lado da sala se erguia, no escuro, uma gargalhada. Uma gargalhada sem sentido, despropositada, como se o seu dono estivesse numa viagem diferente.
Lembrava-se de ter pensado que o eu e o outro não vêem as coisas da mesma maneira e que, provavelmente, era isto que provocava os desencontros.
Isto e os segredos.

“BeforeÂ…
Â…when people had secrets they didnÂ’t want to share
Â…theyÂ’d climb a mountain
TheyÂ’d find a tree|and carve a hole in it
And whisper the secret into the hole
Then cover it over with mud
That way. nobody else would ever discover it”

Durante a viagem viu um homem apaixonar-se por uma andróide com movimentos retardados. Se lhe era dito algo que a fazia chorar, as lágrimas só brotariam no dia seguinte.
O homem pediu à andróide que fossem embora juntos, mas ela nunca respondeu. O homem Concluiu que a andróide não respondia, não por ter os movimentos retardados, mas porque amava outro homem.
Ele, sentado na cadeira, que via os movimentos, que surpreendia os olhares e os silêncios ficou a pensar que os movimentos retardados poderiam bem ser a causa da perda do amor.
Mas quando pensou isto, lembrou-se de alguém que lhe havia dito:

“recuso-me a acreditar que podemos perder alguém verdadeiramente importante só porque nos atrasamos”

E isso descansou-o.

A viagem acabou antes do seu término. Os outros passageiros começaram a levantar-se e a sair da sala.
Ele vestiu o casaco, dirigiu-se à porta e acendeu um cigarro. Enquanto esperava olhava ainda para dentro da sala e deixava os ouvidos enebriarem-se pela música. Foi movimentando-se para trás, sem dar por isso, até colar o corpo à parede.
Foi nesse instante que compreendeu a fragilidade. Foi nesse instante que percebeu porque as personagens se agarravam às paredes.

“No amor não há substitutos.”

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Eu sei: já vos falei deste filme, ando a repetir-me e qualquer dia um de vocês há-de atirar-me um “Get a life”, mas nos entretantos não resisto a colocar alguns diálogos do início do 2046 (Wong Kar Wai) e vejam-no, várias vezes, e falem dele aos vossos amigos e, aproveitem, e falem também dos outros filmes e obriguem-nos a ver e a ouvir.

“In the year 2046, a vast rail network spans the globe

A mysterious train leaves for 2046 every once in a while

Every passenger going to 2046 has the same intention

They want to recapture lost memories

Because nothing ever changes in 2046

Nobody really knows if that’s true

Because nobody’s ever come back

Except me

998.

997.

If someone wants to leave 2046…

…how long will it take?

Some people get away fairly easily

Others find that it takes them much longer

I forget how long I’ve been on this train

I’m starting to feel very lonely

As I recall many have gone to 2046

You’re the first to come back

May I ask why you left 2046?

Whenever anyone asked why I left 2046…

…I gave them some vague answer

Before…

…when people had secrets they didn’t want to share

…they’d climb a mountain

They’d find a tree|and carve a hole in it

And whisper the secret into the hole

Then cover it over with mud

That way. nobody else would ever discover it

I once fell in love with someone

After a while, she wasn’t there

I went to 2046

I thought she might be waiting for me there

But I couldn’t find her

I can’t stop wondering if she loved me or not

But I never found out

Maybe her answer was like a secret…

that no one else would ever know

All memories are traces of tears”

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Insomnia (2002)
Insomnia (1997)
Insomnia (2001)
Insomnia (1994)
Insomnia Is Good For You(1957)

From Fight Club (1999):

“When you have insomnia, you’re never really asleep… and you’re never really awake.”

“With insomnia, nothing is real. Everything is far away. Everything is a copy of a copy of a copy.”

From Pi (1998):

Sol Robeson – “Have you met Archimedes? The one with the black spots, you see? You remember Archimedes of Syracuse, eh? The king asks Archimedes to determine if a present he’s received is actually solid gold. Unsolved problem at the time. It tortures the great Greek mathematician for weeks – insomnia haunts him and he twists and turns in his bed for nights on end. Finally, his equally exhausted wife – she’s forced to share a bed with this genius – convinces him to take a bath to relax. While he’s entering the tub, Archimedes notices the bath water rise. Displacement, a way to determine volume, and that’s a way to determine density – weight over volume. And thus, Archimedes solves the problem. He screams “Eureka” and he is so overwhelmed he runs dripping naked through the streets to the king’s palace to report his discovery.”

From Solaris (2002):

Gordon – Depression along with bouts of hypomania and primary insomnia, suggestions of agoraphobia, obsessive-compulsive disorder, shock, fatigue, denial.

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Este filme de Manoel de Oliveira já está nos favoritos.
É um filme que permite pensar à medida que se vê. Permite respirar.
Os gags são deliciosos. As metáfora inebriam.
Aqui pode ler-se
Versão Completa de Entrevista PÚBLICO/Rádio Renascença a Manoel de Oliveira
Por POR FRANSCISCO SARSFIELD CABRAL (RÁDIO RENASCENÇA) E SÉRGIO C. ANDRADE, e David Clifford (fotos)
Segunda-feira, 29 de Novembro de 2004

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Vi este filme 22 vezes, em VHS :) , há muito tempo atrás. Depois mandei vir o guião. Deixo aqui um cheirinho:

Si sente un grido.

VOCE DI DORA – Ah!

Proprio sulla testa di Guido, nella piccionaia, una ragazza è stata punta da una vespa. Perde l’equilibrio e cade giú, tra le braccia de Guido, mentre tutti i piccioni scappano fragorosamente. I due ruzzolano a terra, sulla paglia. Lei è sopra di lui, sul volto una mascherina velata.

GUIDO (sorridendo) – Buongiorno principessa!
DORA – Oddio, volevo bruciare quel nido di vespe… ma mi hanno punto.

Intanto si gira su un fianco. Il velo le cade dal viso.

DORA – …Meno male che c’era lei! Ahi!

Si strofina la coscia subito sopra il ginocchio. Guido è sdraiato accanto a lei.

GUIDO – L’ha punta una vespa? Lí? Con permesso!

Le toglie la mano dalla coscia e si getta con la bocca sulla puntura. Succhia e sputa.

GUIDO – Bisogna levare il veleno put… subito! È pericolosissimo! Put… Si stenda principessa put… ci vorrà put almeno mezz’oretta… put!

Lei, sorridendo, si ritrae e si alza in piedi. Si alza anche lui.

DORA – Ecco, grazie, è passato!
GUIDO – L’ha punta da qualche altra parte?

Lei raccoglie da terra la maschera antipungiglione.

DORA – No, grazie.

Guido ride guardando il cielo.

GUIDO – Ma che posto è questo? Ma è un posto bellissimo: volano i piccioni, le donne ti cadono dal cielo! Io mi stabilisco qua!

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