Este post é mesmo só um aviso. O número especial dos Cahiers du Cinema sobre Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni chegou hoje aos quiosques portugueses (a revista saíu dia 30 de Agosto)
Sendo uma revista francesa e em francês, é provável terem chegado poucas, pelo que é melhor correr ao quiosque mais próximo
Foi ontem que se soube, mas eu só soube hoje. Na verdade, deveria ter sabido ontem, que vi nas minhas feeds este post. Mas não associei, nem ao título! O olhar desviou-se logo para a foto e daí para o sétimo selo, para uma lição de amor, para as lágrimas e suspiros, e para cenas de um casamento, e tantos outros que vi e sobre os quais (ainda) não escrevi.
Quando comecei a descobrir os filmes do Bergman rendi-me imediatamente, porque neles não se encerra apenas o cuidado com a linguagem visual. A escrita está sempre muito presente. Ler os filmes do Bergman é tão delicioso como os ver.
Para mim deixaram-me um meme[1] nesta casa, pelo que o conhecimento que quero passar é uma curiosidade sobre o filme Jour de Fête do Jacques Tati:
Tati shot this film in Thomson Color, and it was due to be the first color film in France. Because the process was experimental Tati made the shooting with two cameras, in the other he loaded a B&W safety copy. At the time they couldn’t process the color material, and Tati released the B&W copy in 1949. However Tati was never really satisfied with the B&W version of the film. In 1964 he re-released a new version of it. He re-shot new material, with a painter coming to the village, and re-edited the film. Tati colored by hand himself many details in this version (flags etc), and it’s the version most people have seen over the past.
The movie was originally filmed in Thomson-color, a process that became extinct before prints of the film could be shown. As the film could not be processed, Tati was forced to release the black and white version (which features occasional short bursts of colour, hand-coloured by Tati directly onto the frames) that was filmed as a precaution, in case the color process was not perfect. In 1995, the color copy was restored and published by Tati’s daughter Sophie Tatischeff and cinematographer François Ede.
[1] Um “meme” é um “gen ou gene cultural” que envolve algum conhecimento que passas a outros contemporâneos ou a teus descendentes. Os memes podem ser ideias ou partes de ideias, linguas sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma.Simplificando: é um comentário, uma frase, uma ideia que rapidamente é propagada pela Web, usualmente por meio de blogues.O neologismo “memes” foi criado por Richard Dawkins dada a sua semelhança fonética com o termo “genes”.
Foi através do autor deste blog que eu soube da existência do Jaques Tati, de tal forma fiquei interessada, que comprei os DVDs quando saíram. Já em Turku, encontrei o Trafic, que não vinha na caixa.
Gosto de todos, longas-metragens ou curtas, mas sempre os vi em ecrã pequenino de computador.
Ontem tive oportunidade de ver Mon Oncle em ecrã gigante, no cinema Medeia Nimas, na Av 5 de Outubro, bem perto do Saldanha. E digo-vos isto porque, pelo menos até quarta-feira, se estiverem ou vierem até Lisboa também o poderão ver.
Sobre o que é o filme? Ternura de quem foi e permanece criança. Quem não gostava de ter tido um tio assim?
Dêem um salto à Tativille, usem o elevador para o Mon Oncle e vejam rascunhos, a sinopse e a cena 146
Tati sobre o Mon Oncle:
“I can assure you that in this film I did everything I wanted to do. If you don’t like it, I’m the only one to blame”
Lisboa tem destas coisas, permite tardes bem passadas. Cinemateca, bilhete normal, 2,50€; bilhete de estudante, 2€, bilhete +65 anos 1€.
A sala tem as cadeiras mais confortáveis em que eu já me sentei, num cinema. O filme, restaurado, chegou com uma parte sem som, esses minutos foram substituídos por uma cópia, mas a qualidade da imagem do resto do filme valeu bem a pena. Prince Valiant é uma comic strip da autoria de Hal Foster. A primeira tira apareceu no jornal a 13 de Fevereiro de 1937.
Em Portugal, estão a ser organizadas algumas acções. Vê o que podes fazer aqui.
Junta os teus amigos, imprime o panfleto do site, distribui num cinema perto de ti, onde o filme esteja a ser projectado, tira fotografias e coloca-as no Flickr com a tag defectivebydesign.
A propósito da visita do L’Alternativa – Festival de Cinema Independent de Barcelona ao Indie de Lisboa com o ciclo Utopia – Dystopia, falava eu com um vizinho aqui do lado, quando ele me indicou dois livros sobre distopias: o We do Yevgeny Zamyatin e o Fahrenheit 451 do Ray Bradbury.
Como são algo antigos, o primeiro data de 1921 e o segundo de 1953, pensei que talvez já estivessem em domínio público, pelo que procurei na web pelo texto. Encontrei uma tradução do primeiro, ainda que com problemas em alguns caracteres.
Quanto ao segundo, encontrei um site onde é possível ler e ouvir o início do livro. De forma, que sempre o podem agarrar aí numa biblioteca, espero
De referir, que o livro do Ray Bradbury serviu de mote ao único filme em inglês de François Trufaut e que poderá ser visto (sem legendas) na Fnac de Coimbra e na Fnac do Colombo, no próximo dia 23, pelas 21h30.
Eu ía responder aos comentários nos comments, mas entretanto queria falar de várias coisas e decidi fazer um novo post.
Antes de mais, muito, muito obrigada a todos os que deixaram comentários, em especial ao João Craveiro. De facto, se mudarmos o URL http://www.cinemateca.pt/fail.asp para http://www.cinemateca.pt/index.asp funciona em Firefox!
E agora que já lá estou, algumas considerações:
- Quando se entra no site da Cinemateca Portuguesa, o site aparece na sua versão em inglês, por defeito. É preciso carregar naqueles pontinhos abaixo do Email Webmaster (resquícios de letras que não aparecem), para mudar o site para Português.
- Na versão inglesa, de facto, a notícia fresca é de 2003, mas na versão portuguesa, as notícias encontram-se actualizadas, embora o layout deixe muito a desejar. De notar que a seta do lado esquerdo que permite ver notícias do mês anterior fica escondida:
- A programação, quer no site em português, quer na versão do site em inglês, está actualizada
- É possível voltar à Homepage carregando no canto superior esquerdo, embora o rato não identifique o link, quando por lá passamos sem carregar:
Algumas destas considerações podem não ser consideradas graves, afinal o site tem logo à entrada um “Site optimized for Internet Explorer 5.5+ at 800×600″, pelo que suponho que todos estes problemas de navegação desapareçam na utilização daquele browser. Mas, e resumindo:
1. É injustificável que se continuem a fazer sites para browsers que não funcionam em todos os sistemas operativos, quando existem alternativas. Eu até compreendo que seja difícil fazer um site que funcione em todos os browsers direitinho (embora isto não seja justificação), mas nesse caso deve ser dada a possibilidade ao utilizador de instalar o browser onde funciona. No caso do Internet Explorer, é impossível para quem tem um Mac Intel ou para quem use Linux instalá-lo, mesmo que queira. Penso que há uma alternativa, que não conheço, mas que inferi dos comentários no post anterior, que suponho ser uma extensão no Firefox que permite simular o Internet Explorer, mas para o comum dos utilizadores parece-me ser mais fácil instalar um browser do que saber da existência e ir à procura desta extensão (além de que nos sites que dizem só funcionar no IE, não é apresentada essa solução)
2. É injustificável que o utilizador digite cinemateca.pt, no browser, que não o IE, o URL acrescente um fail.asp e o utilizador tenha de adivinhar que tem de substituir fail por index
3. É injustificável que, por defeito, o site da Cinemateca Portuguesa se apresente em Inglês.
4. É injustificável esta falta de acessibilidade a um site que tem o apoio do Ministério da Cultura
Dot.com é um filme de Luís Galvão Teles que faz um excelente uso de blogs, videos no YouTube e sites para promoção. O melhor de tudo é a interactividade que permite com os comentários e resposta aos comentários. E até já despoletou a criação de outro blog Salvem a Vila de Dornes, pela correcção de aldeia por vila, da vila de Dornes, em que se baseia o filme, designação que o realizador já alterou.
Ouvi falar neste filme, hoje de manhã na Antena 1, e, porque me despoletou interesse, acabei por procurar o site. A antestreia em Coimbra será no dia 3 de Abril, pelas 21h30, no Lusomundo Forum.
A história de Águas Altas, uma pequena aldeia no interior de Portugal que subitamente se torna num caso nacional quando uma multinacional espanhola pressiona os aldeões para fechar o site da aldeia, precisamente o mesmo nome de uma marca de águas que os espanhóis querem lançar no mercado. A partir daí gera-se uma grande divisão na aldeia: há quem queira manter o site para garantir a soberania nacional, mas há também quem queira tirar partido de uma possível compensação financeira.
Dos Poirot que já vi nas imagens em movimento, é este o mais fiel à personagem. Não me dêem um Albert Finney ou um Peter Ustinov – Poirot nunca, mas nunca teria cabelo grisalho! Pois se o Capitão Hastings lhe apanhou uma vez um frasco de tinta para cabelo!
Vejo e revejo os DVD’s. Na primeira frame, já sei a história, dos livros várias vezes lidos, já sei as falas e até os actores que entram no episódio. Mas vejo na mesma. Revejo na mesma. Agatha Christie continua a estar entre os meus escritores de policiais favoritos. Há quem diga que é uma escritora menor, como dizem de muitos outros escritores de policiais. Aliás, parece-me, a mim, que o género policial é considerado um género menor. Não concordo. De todo. A vontade de ler policiais, em mim, costuma ser sinal de vontade de maior actividade cerebral. Sempre foi assim, quando sinto maior vontade de estudar, esta é normalmente acompanhada pela mudança de leituras para livros do género.
A Phala mudou de formato. Comprei-a na Fnac do Chiado. Deixa phalar Cesariny:
“Há uma coisa muito bonita, eu não sei alemão, e em inglês também não averiguei, eu tenho ali um dicionário de marinha, isto é assim, o barco assim, a vela assado, depois há uma expressão que diz assim: “dar a volta ao mundo”, que é uma operação no alto mar, mas tu sabes o que isto é? É fazer uma rotação completa com o barco. Quer dizer, o mundo são eles, não é o que está fora.
Mas suspeito muito de que isto só cá. Dar a volta ao mundo é ir a Berlim e a Pequim, não é? Não, não, não. É dar uma volta a esta cadeira onde estou, dei a volta ao mundo, porque o mundo sou eu.
Excerto de Autografia, um filme de Miguel Gonçalves Mendes e que pode ser lido, entre outros, na A Phala nº1 de 2007