Arquivo do Autor

Nek – Laura Non C’è

Laura non c’e', e’ andata via
Laura non e’ piu’ cosa mia
e te che sei qua e mi chiedi perche’
l’amo se niente piu’ mi da’
mi manca da spezzare il fiato
fa male e non lo sa
che non mi e’ mai passata

Laura non c’e', capisco che
e’ stupido cercarla in te
Io sto da schifo credi e non lo vorrei
stare con te pensando a lei
stasera voglio stare acceso
andiamocene di la’
a forza di pensare ho fuso.

Chorus:
Se vuoi ci amiamo adesso, se vuoi
pero’ non e’ lo stesso tra di noi
da solo non mi basto stai con me
solo e’ strano che al suo posto ci sei te, ci sei te.

Laura dov’e', mi manca sai
magari c’e’ un altro accanto a lei
giuro non ci ho pensato mai
che succedesse proprio a noi
lei si muove dentro un altro abbraccio
su di un corpo che non e’ piu’ il mio
e io cosi’ non ce la faccio.

Se vuoi ci amiamo adesso, se vuoi
pero’ non e’ lo stesso tra di noi
da solo non mi basto stai con me
solo e’ strano che al suo posto ci sei te, ci sei te.

Forse e’ difficile cosi’ ma non so che cosa fare
Credo che sia logico, per quanto io provi a scappare lei c’e’.

Non vorrei che tu fossi un emergenza
ma tra bene e amore c’e’
solo Laura e la mia coscienza.
Se vuoi ci amiamo adesso oh no
pero’ non e’ lo stesso ora so
c’e’ ancora il suo riflesso tra me e te
mi dispiace ma non posso Laura c’e’.
Se vuoi ci amiamo adesso oh no
mi casca il mondo addosso ora so
c’e’ acora il suo riflesso tra me e te
mi dispiace ma non posso Laura c’e’
Laura c’e’.

Comments Sem Comentários »

E eis que voltamos a um dos posts típicos deste blog :)


You scored as Captain Jack Sparrow. Roguish,quick-witted, and incredibly lucky, Jack Sparrow is a pirate who sometimes ends up being a hero, against his better judgement. Captain Jack looks out for #1, but he can be counted on (usually) to do the right thing. He has an incredibly persuasive tongue, a mind that borders on genius or insanity, and an incredible talent for getting into trouble and getting out of it. Maybe its brains, maybe its genius, or maybe its just plain luck. Or maybe a mixture of all three.

Captain Jack Sparrow

79%

Batman, the Dark Knight

71%

Indiana Jones

67%

James Bond, Agent 007

63%

El Zorro

58%

Neo, the "One"

54%

Lara Croft

54%

The Amazing Spider-Man

50%

William Wallace

46%

The Terminator

33%

Maximus

33%

Which Action Hero Would You Be? v. 2.0
created with QuizFarm.com

Comments 3 Comentários »

Em 2005 estive em 18 países diferentes, não contando com o Vaticano. Aprendi uma língua nova e comecei a aprender outra. Mudei de país de residência e mudei de trabalho. Passei a ganhar um bom salário mensal e a viver efectivamente sozinho. Engordei uns 5 quilos, fiz novos bons amigos e dei início à minha relação mais duradoura de sempre com um membro do sexo oposto.
Aprendi uma nova linguagem de programação e aprendi que há organizações cuja função se resume a escrever papéis e dar trabalho aos outros. Aprendi que sem iniciativa não se faz nada e que ninguém se preocupa com quem não a tem.

Em 2005 conheci uma rapariga muito bonita e muito simpática no comboio Budapeste-Viena. É um dos projectos para 2006.
Em 2005 conheci uma rapariga bonita em Roma. Passámos uma noite fantástica juntos no Campo de’ Fiori e provavelmente nunca mais nos vamos ver.

Em 2006 quero estar em 4 continentes diferentes. Ir ao Carnaval do Rio e tirar a carta de mota para um dia atravessar o Sahara. Quero mudar de trabalho e de país, ou pelo menos preparar-me para isso. Quero mexer-me muito, a pé, a correr, de avião, de carro ou de comboio. Saltar de pára-quedas e preparar 2007.

Boas entradas!

Comments 1 Comentário »

Reconheçam lá isto:

Se bastasse uma bela canção para fazer chover amor, poder-se-ia cantá-la um milhão, um milhão de vezes
Bastasse
Bastasse
Não seria necessário tanto para aprender a amar mais

Se bastasse uma canção verdadeira para convencer os outros, poder-se-ia cantá-la mais alto
Visto que são tantos.
Se fosse assim, se fosse assim
Não seria necessário lutar para se fazer ouvir mais

Se bastasse uma canção boa para dar uma mão, poder-se-ia encontrá-la no coração
Sem ir longe.
Se bastasse
Se bastasse
Não seria necessário pedir caridade

Dedicado a todos aqueles que estão em desnorte
Dedicado a todos aqueles que ainda não tiveram nada e estão à margem desde sempre
Dedicado a todos aqueles que estão à espera
Dedicado a todos aqueles que permanecem sonhadores e por isso sempre cada vez mais sós.

Se bastasse uma grande canção para falar de paz, poder-se-ia chamá-la pelo nome
Adicionando uma voz, e outra, e outra
Até que se tornasse de uma só cor mais viva que nunca

Dedicado a todos aqueles que estão em desnorte
Dedicado a todos aqueles que tentaram inventar uma canção para mudar
Dedicado a todos aqueles que estão à espera
Dedicado a todos aqueles que vindos ao de cima de tanto vento, aquele tempo lhes permaneceu dentro, em todos os sentidos.
Acreditaram, procuraram e quiseram que fosse assim.

;)

Comments Sem Comentários »

Vou aproveitar a deixa do último post da Paula e contar uma das histórias que me sucedeu no Interrail.
O “Motorcycle Diaries”, do Che Guevara, foi um dos 3 livros que levei comigo para ler durante os 30 dias. Acabei-o, mais o “Biliões e biliões”, o último livro escrito pelo Carl Sagan antes de morrer.

Na viagem entre Sófia na Bulgária e Bucareste na Roménia, vinha num compartimento para 6 pessoas, inicialmente cheio. Uma das pessoas saiu pouco depois da partida, pelo que ficámos 5. Eu, uma jovem búlgara de 19 anos, o pai dela, e mais duas senhoras, uma bulgara e outra romena. Falavam inglês a jovem e a senhora romena, pelo que foram aquelas com que falei.

A paisagem durante aquela viagem foi verdadeiramente fabulosa. Tal como o Kusturica mostra. As pessoas ao lado da linha do comboio, a Natureza… A fronteira atravessa-se através de uma ponte que passa sobre o Danúbio, rio que me acompanhou durante bastante tempo, depois em Budapeste e também em Viena. Desagua não muito longe dali, no Mar Negro, na Roménia. Partilhei belos momentos à janela com a jovem e o pai, só ali a observar a paisagem e a respirar o ar das montanhas.

A jovem ia a Bucareste para obter um visto para o Canadá. Vai estudar Economia para Ottawa e não existe embaixada do Canadá na Bulgária. 12 horas de viagem, incluindo a noite, por questões burocráticas.
A romena, senhora para os seus 50 anos, embora aparentasse menos devido à maquiagem e também ao estilo da roupa, era casada com um búlgaro e vivia em Sófia. Ia a Bucareste renovar o passaporte. 12 horas de viagem, incluindo a noite, por questões burocráticas.

O livro tem uma capa folclórica, predominantemente vermelha, com uns bocados amarelos e algum preto. Em letras brancas grandes tem escrito “Che Guevara”. No canto superior esquerdo, a célebre fotografia do Che com a boina, que encontrei em dezenas e dezenas de sítios por toda a Europa. Impressionante.
Enquanto saí por algum tempo do compartimento, deixei o livro pousado na mesa comum, à vista. Quando voltei e me sentei, surgiu do nada a pergunta da senhora romena: “What is your religion?”.

Imediatamente percebi do que se tratava. “Sou ateu” disse. “What do you think about communism?”. Eu não queria entrar em discussões acesas, até porque percebi imediatamente pelo tom e tipo das perguntas qual era a posição dela. Disse algo como “Acho que sou muito novo para ter qualquer opinião válida sobre o assunto. Mas actualmente considero o Comunismo uma ideia boa na teoria. Na prática não funciona e parece-me portanto apenas algo de romântico.” Retaliei: “You don’t like communism?”. Ela disse “Of course not. With communism there is no freedom.” Já há muito que tinha percebido qual era a posição dela sobre o Comunismo. A minha pergunta na verdade era apenas uma tentativa de encontrar explicações substanciadas para a sua posição. Obviamente, a resposta foi insatisfatória. Esperava ouvir algo de interessante sobre a era Ceausescu, mas não ouvi.

Voltando tematicamente ao início da conversa e tentando manifestar que não me apetecia discutir muito, comentei que acho que é importante não ser fundamentalista e manter sempre uma mente aberta. O fundamentalista ateu pode ser tão mau como o fundamentalista católico ou o fundamentalista muçulmano, pelo que o importante é não ser fundamentalista. Precisamente por isso, disse-lhe que achava mais interessante a religião ortodoxa do que a católica. Apenas pelo pouco que me tinha sido dado a ver na Grécia e na Bulgária, até àquela altura, os ortodoxos pareciam-me bem mais modestos que os católicos.
Ainda assim, ela apressou-se a não concordar, simultaneamente revelando a sua religião, dizendo que para ela a religião católica era superior à ortodoxa, precisamente por ser mais “radical” e ter ideias bem definidas. Perguntou-me se eu já tinha lido o último livro do Papa João Paulo II, de que ela era grande fã. Impulsivamente quis-lhe dizer que só lia literatura de jeito, mas controlei-me. Na verdade, até acredito que o anterior Papa seja um bom escritor e até tenha ideias interessantes. Não me posso pronunciar.

O “Motorcycle Diaries” não é um livro sobre Comunismo. Nem sequer é um livro comunista. A pessoa que o escreveu, com 23 anos, nem sequer se pode dizer que era um comunista. É surpreendente para mim pensar que a mesma pessoa que escreveu aquelas linhas se tornou nO Che Guevara, o símbolo mundial da Revolução, ele sim um comunista. É um livro engraçado, nada extraordinário, que relata episódios caricatos de quem viaja e passa por aventuras. Mais nada.

Um jovem Licenciado, como eu, de 23 anos, como eu, faz uma viagem através de um continente inteiro, como eu. Torna-se comunista e uma das figuras mais marcantes do seu século. Acabada a viagem, continua a ser-me difícil compreender porque é que uma expedição como aquela que é relatada teve um papel tão importante no seu desenvolvimento, como ele e os críticos consideram.
Não haja, no entanto, dúvidas. Enquanto viajante, o capitalismo revelou-se um inimigo feroz. Tudo se compra e tudo se vende, ninguém dá nada a ninguém. Hoje, é praticamente impossível encontrar uma casa-de-banho pública na Europa onde não se tenha de pagar para entrar. Não se pode deixar bagagem guardada sem pagar, não se pode acampar sem pagar, praticamente não se pode dormir sem pagar. Comer, beber, paga-se. É-se roubado, paga-se. Ao pagarmos com cartões de crédito, pagamos também ao banco. Ao levantarmos dinheiro em países remotos, pagamos ao banco. Ao trocarmos entre diferentes moedas, pagamos comissões. Por dormir em certas cidades, nem que seja uma noite, têm de se pagar impostos locais associados à nossa simples permanência lá. Para andarmos nos transportes públicos pagamos e bem. Para visitar museus, pagamos. Para ter um guia na visita ao museu, pagamos. Para ter uma visita guiada à cidade, pagamos. Para subir a sítios altos, que nos permitam ter acesso a vistas priveligiadas das cidades, pagamos. Em alguns sítios paga-se pelo banho, para acender o fogão e até para lavar a loiça. Paga-se para subir 300 degraus, para estacionar o carro ou a bicicleta. Nas estações de comboio e aeroportos até já se paga pelos carrinhos de transporte da bagagem.

O Capitalismo parece viver assim, e eu não gosto nem um bocadinho desta situação. Mas será o Comunismo uma alternativa?

Comments 1 Comentário »

Estou já de volta a Roma e no final do primeiro dia de trabalho pós-Interrail. Cheguei ontem depois das últimas 18 horas de comboio (Paris-Zurique, Zurique-Milão e Milão-Roma).
Escrevi, aqui, no dia 30 de Julho, mais ou menos a meio da viagem, desde Munique, na Alemanha.

Isto é um seguimento:

Em Munique estava a chover, e muito. Acampei durante a noite num sítio muito bonito ao lado do qual existia um canal onde periodicamente passavam grandes jangadas de madeira com uma banda a bordo, junto com gente a beber cerveja e a cantar. Belo espectáculo. Não gostei especialmente de Munique embora o tempo não tenha ajudado e esta tenha sido a única cidade para a qual não arranjei um mapa (ou alguém que me orientasse). Sou capaz de voltar lá, talvez em Outubro do ano que vem, claro está.

De Munique fui para Praga, na República Checa, talvez o momento mais importante do meu Interrail. Quase toda a gente fala muito bem de Praga e as expectativas eram elevadas. Praga acabou por ser importante, mas por razões inesperadas. Antes de mais, a cidade é muito linda, parece saída de um conto de fadas e não saí de lá completamente decepcionado. Simplesmente, como dizem os Ingleses, “Beauty is in the eye of the beholder” e se isto significa que a beleza de Praga depende em grande parte de quem vê, também significa que as experiências por que passamos num determinado sítio, ficam indelevelmente ligadas à nossa opinião sobre esse sítio.
E em Praga, ao fim do meu primeiro dia lá, 1 de Agosto, roubaram-me uma mochila pequena, que tinha comprado 3 ou 4 dias antes, em Budapeste, e que estava a usar nas minhas visitas pelas várias cidades. A mochila não tinha nada de muito importante para mim, excepto uma coisa: o meu bilhete de Interrail. Para quem anda a fazer um Interrail, talvez seja um pouco chato ficar sem a Anna Karenina, do Tolstoy, sem o diário onde se escrevem alguns pensamentos, sem o mapa da Europa que um amigo nos ofereceu nos anos, sem aquela camisola azul já velhinha, de que gostamos muito mas que, se estivéssemos ainda a viver em casa dos pais, a mãe já tinha deixado fora. Era velha sim, mas aquecia tão bem como uma nova. Mas dizia eu, é chato para quem está a fazer um Interrail ficar sem estas coisas, mas ultrapassa a fronteira do chato ficar sem o bilhete de Interrail.

O bilhete de Interrail tinha-me custado 385 Euros, era pessoal e intransmissível, mas facilmente deixou de pertencer à minha pessoa e foi transmitido para outrem. Teoricamente, mais ninguém o poderia usar, embora na prática a situação seja a oposta – não houve uma única viagem (e fiz mais de 20) em que me pedissem a identificação. De qualquer forma, eu tinha um problema, e passados os primeiros momentos em que tentei activamente recuperar a mochila, perseguindo indivíduos suspeitos, vasculhando caixotes do lixo e aguardando um milagre, decidi finalmente chamar a polícia, que eu sabia não poder fazer nada, o que aliás, me foi prontamente assinalado pelo McManager da conhecida cadeia de restaurantes onde o ilícito ocorreu. Este senhor é uma das pessoas que figuram agora no meu álbum daqueles que tentaram impedir-me de cumprir a minha viagem, pela forma extremamente despreocupada e desmotivante como enfrentou o roubo de algo valioso a um dos seus clientes. Pagaria para ver a reacção dele se um dos clientes saísse sem lhe pagar os cerca de 5 Euros que ali custa uma refeição. Ou se alguém lhe partisse um vidro e fugisse. Qualquer uma das duas possibilidades me passou pela cabeça, como acto de pura vingança. Afinal, não me parece que a polícia pudesse fazer alguma coisa.
Já depois da meia-noite, duas horas depois do roubo, fui finalmente à esquadra, apenas porque gosto de coleccionar declarações da polícia a dizer que nos roubaram coisas. Ainda não tinha nenhuma em Checo. Juntei-a imediatamente à que tenho em Italiano, de outro roubo de que fui alvo e do qual recuperei os items em causa, graças à minha preocupação e não a algo que a polícia tivesse feito nesse sentido.

Acontece, porém, que esta declaração não foi obtida na altura, mas sim no dia seguinte, pois, imagine-se, àquela hora, as duas agentes na esquadra disseram-me que estavam demasiado ocupadas, assim mesmo. Ao sair, tendo já decidido que por aquele dia mais valia voltar ao Parque de Campismo, dormir e pensar no assunto no dia a seguir, bati violentamente com a porta, que era grande e de madeira. Fez um grande barulho, mas ninguém veio atrás de mim. Talvez estivessem mesmo ocupados.
Como devem imaginar, esta não foi uma altura particularmente alegre da viagem. Passei muito tempo a pensar no que deveria fazer, se deveria voltar para Itália ou não, alterar o percurso, ir pedir para a porta da loja, contando o sucedido e esperar que alguém tivesse pena. Depois de penar um bocado pelos cantos (da tenda), lá decidi que iria continuar a viagem exactamente como planeado, comprando outro bilhete de Interrail, ou os vários bilhetes de que necessitava separadamente. Depois de alguma pesquisa, e tendo em conta que ainda tinha de atravessar praticamente todas as zonas que pretendia (4 em 5), acabei por comprar outro bilhete de Interrail e, mais uma vez, global. No meio de toda a situação, ainda acabei por ficar contente por ter pago apenas 308 Euros (320 de acordo com o que está na minha conta bancária – já agora, eles cobram 2.25 Euros por cada levantamento de dinheiro no estrangeiro…). Acontece que a República Checa e Praga são baratas. O Interrail tem em conta o “desenvolvimento” do país no estabelecimento das tarifas e eu acabei por beneficiar disso.

Depois, bem mais animado e determinadíssimo a deitar o episódio para trás das costas, pensei que recriar as condições pré-roubo me ajudasse a esquecer e então tratei de ir a uma livraria que vendia livros estrangeiros e encontrei, por 6 ou 7 Euros, uma cópia da Anna Karenina, igualmente em Inglês, e igualmente um Penguin Classic. E assim pude continuar a contar com a companhia do Levin, do Vronsky e do Stiva nesta minha viagem solitária. Curiosamente, o livro que me foi roubado até nem era meu (e já não é a primeira vez que fico sem um livro que não é meu. Por isso, tenham cuidado com o que me emprestam). Pertencia ao Book Club que existe aqui no trabalho, de onde podemos levar livros emprestados, fazer pedidos, etc.. Assim, neste primeiro dia de trabalho, ao mesmo tempo que descobri que o clube adquiriu, entre muitos outros, as versões em Inglês de “The Razor’s Edge” do W.Somerset Maugham, “Sputnik Sweetheart” do Haruki Murakami, “The Stranger” do Albert Camus e “Memoirs of Hadrian” da Marguerite Yourcenar, combinei oferecer a cópia do livro que comprei em Praga ao Book Club.

De Praga ficaram recordações de uma cidade linda, a merecer nova visita (definitivamente, noutra época do ano). Mas também, talvez pelo facto de ser barata, de uma cidade cheiíssima de turistas e de ladrões. De facto, em poucas conversas descobri que só em Praga roubaram a carteira e os cartões de crédito a um brasileiro que conheci também em Praga, um Traveller’s Cheque a um irlandês que conheci em Cracóvia, na Polónia, uma máquina fotográfica a uma americana cujos pais conheci em Berlim, na Alemanha e outra máquina fotográfica + telemóvel a uma outra pessoa cujos amigos conheci também em Cracóvia. Todos os caminhos do roubo iam dar a Praga…

E a seguir fui para Cracóvia e para a Polónia…

Comments 6 Comentários »

Estou a escrever desde Munique, na Alemanha. Sao 7:30 da manha, o turismo so abre as 9, o teclado e alemao e portanto estou com problemas com os acentos e com os y que insistem em ser z…

Enquanto espero pela abertura do supracitado espaco de busca de mapas e informacao, decidi vir ao EasyInternetCafe (mesma companhia que a EasyJet) mesmo a frente da estacao, que so tem 500 computadores e onde se paga 1.20 por hora de Internet (excelente se atendermos que em Viena pagava-se 1.30 por 10 minutos :D ).

De Roma fui ate Bari, de Bari ate Brindisi. De barco ate Patras na maravilhosa Grecia (percebi finalmente porque e que os deuses eram pessoas comuns – eles viviam no paraiso). A Alki continua linda de morrer. De Patras ate Atenas, de Atenas ate Thessaloniki. Para Sofia, na Bulgaria. De Sofia para a Romenia e a Pequena Paris, Bucareste (um oasis num pais de muita miseria). Perdido o comboio de Bucareste para Belgrado, decido inventar e apanhar um comboio ate Timisoara, onde a miseria atinge outra proporcao. Em Timisoara descubro que terei de esperar pelo mesmo comboio pelo qual nao quis esperar em Bucareste, o que decididamente nao me agrada. Depois de varios sprints entre a estacao de comboio e a de autocarro, que serviram para me lesionar dolorosamente no pe esquerdo, devido ao desiquilibrio da mochila (a coisa mais pesada a face da Terra, pelo menos visto de baixo), decidi sentar-me nas escadas da estacao de comboio a espera de um milagre que me permitisse ganhar algum tempo. Esse milagre chamava-se Florin e sabia falar Ingles, o que ali era obra. Por sugestao dele fiy uns negocios meio manhosos com um taxista e consegui chegar a fronteira entre a Romenia e a Servia & Montenegro. Atravessei a fronteira a pe, naquela que provavelmente tera sido a primeira vez que um Portugues foi visto naquele sitio, naquelas condicoes e piorei o estado do pe. Do outro lado da fronteira parece que havia uns autocarros regulares para Belgrado (+/- 100 Km), mas era Sabado e autocarros nem ve-los. Os camionistas eram todos, sem excepcao, Romenos e iam todos, sem excepcao, para a Croacia e nao passavam por Belgrado. Sem boleia a vista, mais um negocio manhoso, este bem caro, e la cheguei ate Belgrado e a Biljana. Continua pequenina. Ali ainda havia sinais da guerra, mas nao houve problemas. Perdi um dia a tentar descansar o pe, quase inutilizavel e decidi nao ir a Bosnia nem a Dubrovnik, porque para alem da minha debilidade, na Bosnia os comboios sao um bocado tabu e em Dubrovnik nao existem. Fui directo para a linda e pequenina Zagreb, na Croacia. Depois para Budapeste, Hungria, Viena, na Austria e depois para aqui. E a viagem ainda nao chegou a meio… Mas o pe esta bem melhor e o espirito em cima. Ainda vou ver a Gosia a Varsovia, encontrar a minha maninha em Amesterdao e para acabar, antes de regressar a Roma, mais uma vez, Paris e a Vera.

Cansado? Nah… :)

Comments 5 Comentários »

Vou-me embora amanhã cedinho e se calhar só volto a escrever aqui daqui a um mês. Um abraço e até 15 de Agosto!

Comments 3 Comentários »

Tenho saudades de Portugal. De Coimbra, da Figueira. Dos amigos, da borga, dos copos. Dos abraços e dos beijos. Da família. Do Nuno, da Inês, da Anita, da minha mãe e do meu pai, dos meus avós, dos meus tios e dos meus primos.

E então o que é que eu vou fazer? Um interrail por grande parte da Europa, não incluindo a Península Ibérica. Parto este Sábado e só volto dia 15 de Agosto. Volto para Roma.

Não tenho o direito, mas vou citá-lo na mesma e na língua original, dedicado à pequenina:

“Pour toujours, je serai étranger à moi-même.”

Comments 2 Comentários »

“Con chi non ha nulla da perdere, non si vince mai”

Comments Sem Comentários »

- Pouco depois de, num blog, ter descoberto algo de que já desconfiava mas que me deixou, ainda assim, surpreendido, dei por mim a apreciar a maravilha que é a funcionalidade do blogger do Google que nos permite ver os perfis de outros bloggers que gostam do mesmo livro que nós, do mesmo filme que nós, das mesmas coisas que nós. No perfil de uma rapariga Americana de 19 anos que estuda no MIT e também gosta do “Surely you’re joking Mr. Feynman”, também gosta do Escher, de jogar Civilization, de Futurama, matemática, engenharia biológica, nano-engenharia, Monty Python, Good Will Hunting, The Dead Poets Society e Bach (só faltou o Godel), dizia eu, no perfil dela descobri uma citação deliciosa do delicioso poço de citações que é o Sr. E:

“There are two ways to live your life. One is as if nothing is a miracle, and one is as if everything is a miracle.”

- Estive a jogar futebol. Há duas semanas marquei montes de golos, defendi super-bem, ganhei os jogos todos e senti-me fisicamente muito bem. Hoje não marquei um único golo, acertei uma vez no poste e perdi os jogos todos. Joguei bem e senti-me fisicamente muito bem. É engraçado como às vezes não dá para perceber o que fez a diferença entre uma coisa e outra. E aí penso no Caos. Sempre pensei no Caos aplicado a tudo.

- Fiquei bastante desiludido com uma pessoa. Já desconfiava, mas fiquei outra vez surpreendido. Continuo a achar que a probabilidade de nos contradizermos é uma função directamente proporcional à quantidade do que dizemos. E ao escrever isto lembro-me de outra citação não sei de quem (talvez Aristóteles) que dizia algo como “Um sábio não diz tudo o que pensa, mas pensa tudo o que diz”. Acho que me estou a apaixonar por essa pessoa.

Comments 4 Comentários »

“Sigo o coração, como tu.”

Comments 8 Comentários »

(normalmente eu não postaria isto, mas como o normal é uma noção estatística…)

O amor não é algo que te faz sair do chão e te transporta para lugares que nunca viste. O nome disso é avião! O amor é outra coisa!
O amor não é uma coisa que escondes dentro de ti e não mostras para ninguém. Isso chama-se vibrador tailandês de três velocidades! O amor é outra coisa!
O amor não é uma coisa que te faz perder a respiração e a fala. O nome disso é bronquite asmática! O amor é outra coisa!
O amor não é uma coisa que chega de repente e te transforma em refém. Isso chama-se sequestrador! O amor é outra coisa!
O amor não é uma coisa que voa alto no céu e deixa sua marca por onde passa. Isso chama-se pombo com caganeira! O amor é outra coisa!
O amor não é uma coisa que podes prender ou por pra fora de casa quando bem entenderes. Isso chama-se cachorro! O amor é outra coisa!
O amor não é uma coisa que lançou uma luz sobre ti, te levou pra ver as estrelas e te trouxe de volta com algo dele dentro de ti. Isso chama-se alienígena! O amor é outra coisa!
O amor não é uma coisa que desapareceu e que, se encontrado, poderia mudar o que está diante de ti. Isso chama-se controle remoto da TV. O amor é outra coisa!
O amor é simplesmente o amor! Não compliquem!!!

Comments 14 Comentários »

“This constant, called Feigenbaum’s number, crops up repeatedly in self-similar figures and has an approximate value of
4.
669201609102990671853203820466201617258185577475768632745651
343004134330211314737138689744023948013817165984855189815134
408627142027932522312442988890890859944935463236713411532481
714219947455644365823793202009561058330575458617652222070385
410646749494284981453391726200568755665952339875603825637225

Not only does Feigenbaum’s constant reappear in other figures, but so do many other characteristics of the bifurcation diagram. In fact, remarkably similar diagrams can be generated from any smooth, one-dimensional, non-monotonic function when mapped on to itself. A circle, ellipse, sine, or any other function with a local maximum will produce a bifurcation diagram with period-doublings who’s ratios approach “d” [delta]. Together with a second constant “a” [alpha], the scaling factor “d” [delta] demonstrates a universality previously unknown in mathematics: metrical universality. The behavior of the quadratic map is typical for many dynamical systems. One year after their discovery, the period-doubling route to chaos and the constants “a” [alpha] and “d” [delta] appeared in an unruly mess of equations used to describe hydrodynamic flow. This might not be so amazing if it weren’t for the fact that Feigenbaum’s constants were originally derived from a mathematical model of animal populations. In the segmented, fragmented world of modern science hydrodynamicists and population biologist rarely interact with one another. The realization that a set of five coupled differential equations describing turbulence could exhibit the same fundamental behavior as the one-dimensional map of the parabola on to itself was one of the key events in the history of mathematics.

Comments 1 Comentário »

(Juntamente com isto surgia a sugestão de dizermos sobre cada uma das 13 formas de viver se concordávamos totalmente, discordávamos totalmente ou se tínhamos sentimentos divididos sobre ela. Surpreendentemente consegui descartar 4 e aprovar 5, ficando dividido em relação às restantes 4)

1. Cautelosa e inteligentemente preservar o melhor da nossa cultura de forma a desenvolver um mundo ordeiro, activo e justo.

2. Ser auto-suficiente, enfrentar as coisas sozinho, evitar laços sociais próximos.

3. Ser carinhoso, simpático, interessado e respeitador. Ajudar os outros, não sendo ganancioso, controlador ou agressivo.

4. Divertir-se sem se envolver demasiado com os outros. Uma vez que não é possível controlar o mundo, desfrutar da vida porque amanhã se pode morrer. Desfrutar a vida completamente, pensar na prioridade imediata, deixar-se ir.

5. Envolver-se com os outros para diversão e obtenção de objectivos comuns. Dar algo de si aos outros para fazer uma “vida boa”, não se retraíndo ou sendo auto-centrado.

6. Trabalhar arduamente para resolver os problemas que enfrentamos. Não seguir o passado ou meramente sonhar com o futuro. Fazer algo. A ciência pode resolver muitos dos nossos problemas.

7. Aceitar todas as filosofias, não apenas uma. Diversão, acção e contemplação em proporções iguais é a melhor forma de viver.

8. Desfrutar dos simples e disponíveis prazeres diários relacionados com o Lar, o relaxamento e os amigos.

9. Parar de procurar, ser receptivo. Então, a sabedoria e as coisas boas da vida virão naturalmente.

10. Procurar constantemente o auto-controlo, firmemente dirigido pela razão e os altos ideais. Proteger-se contra a sedução pelo conforto, os impulsos egoístas e a tendência para evitar uma decisão difícil, etc..

11. Considerar que o mundo interior das ideias, sonhos, sensibilidades e auto-conhecimento é um “sítio” melhor para se viver do que o mundo exterior.

12. Usar todas as energias para construir algo, para ultrapassar obstáculos e “escalar uma montanha” porque ela está lá para ser escalada. Usar tudo o que se tem.

13. Deixar-se calma e serenamente ser usado pelos outros, pelo mundo e pelos poderes maiores que existem, pois os seus propósitos são bons. Deixar que os verdadeiros propósitos da vida sejam preenchidos.

Comments 4 Comentários »

Comments 2 Comentários »

Segunda-feira à noite, a caminho de mais um Pub Quiz, eis que páro nuns semáforos:

Comments 3 Comentários »

Etapa 1: Respeito pelo poder e pelo castigo.
A criança entre 1 e 5 anos decide o que fazer – o que está certo – de acordo com o que quer fazer e pode fazer sem se meter em trabalhos. Para ser correcto, deve obedecer às pessoas com poder e assim evitar o castigo.

Etapa 2: À procura do número 1.
A criança entre 5 e 10 anos tende a ser auto-servidora. Falta-lhe respeito pelos direitos dos outros mas pode dar algo aos outros no pressuposto de que vai receber tanto ou mais em troca. É mais uma questão de “Faço-te isto se me fizeres isto” do que lealdade, gratidão ou justiça.

Etapa 3: Ser um “bom menino” ou uma “boa menina”.
Os jovens entre os 8 e os 16 mudaram da atitude de agradar a si próprios para a atitude de agradar a pessoas importantes para eles como os pais, os professores ou os amigos. Procuram a aprovação e obedecem às expectativas de outros. Quando são acusados de fazer algo de errado, o seu comportamento é normalmente justificado com algo como “Toda a gente o faz” ou “Não tinha intenção de fazer mal a alguém”.

Etapa 4: Pensamento segundo a lei e a ordem.
A maioria das pessoas com mais de 16 anos interiorizou as regras da sociedade relativamente à maneira de se comportar. Sente-se obrigada a obedecer não apenas à família e aos amigos mas também às leis e costumes da sociedade. Vêm como importante o cumprir de um dever para manter a ordem social. Assume-se que os líderes estão certos. Os indivíduos adoptam regras sociais sem considerar os princípios éticos subjacentes envolvidos. O controlo social é assim exercido através da culpa associada ao quebrar de uma regra. A culpa, neste caso, é uma resposta emocional automática e não uma reacção racional de consciência baseada em princípios morais (como acontece na etapa 6). As pessoas nesta etapa acreditam que alguém que quebre as regras merece ser punido e “pagar a sua dívida para com a sociedade”.

Etapa 5: Justiça através da democracia.
As pessoas nesta etapa reconhecem os princípios morais que supostamente são servidos pelas leis e os costumes sociais. Assim, se uma lei deixa de servir um bom propósito, sentem que as pessoas numa democracia devem tornar-se activas e mudar a lei. Pensada desta forma, a democracia torna-se um contrato social através do qual todos tentam continuamente criar um conjunto de leis que melhor sirva o maior número de pessoas, ao mesmo tempo protegendo os direitos básicos de todos. Há respeito pela lei e um sentido de obrigação de viver segundo as regras, desde que elas tenham sido estabelecidas de uma forma justa e tenham um propósito ético. Apenas 20 a 25% dos adultos de hoje em dia chegam a atingir esta etapa em alguma altura da sua vida e a maior parte deles supostamente só o consegue após os 25 anos.

Etapa 6: Decidir sobre os princípios morais básicos pelos quais se vai viver a nossa vida e relacionar-se com todos de uma forma justa.
Estas pessoas raras consideraram muitos valores e decidiram-se por uma filosofia de vida que guia verdadeiramente a sua vida. Não seguem automaticamente as tradições ou crenças de outros ou sequer as suas próprias emoções, intuição ou noções impulsivas sobre o que é certo e o que é errado. As pessoas na sexta etapa escolhem cuidadosamente os princípios básicos a seguir, tais como preocupar-se e respeitar todos os seres vivos, sentir que todos somos iguais e merecemos oportunidades iguais, ou, de outra forma, a Regra Dourada*. São suficientemente fortes para agir segundo os seus valores mesmo que outros possam pensar que eles são estranhos ou que as suas crenças estejam contra a lei, tal como o recusar lutar numa guerra.

* Nota: a Regra Dourada, em linhas gerais, é o célebre “faz aos outros o que gostarias que te fizessem a ti.”. No entanto, esta regra é expressa de formas diferentes no Cristianismo, no Judaísmo, no Islamismo, no Confucionismo, no Budismo, no Hinduísmo, no Humanismo, no Comunismo e até pelos índios.

Comments 5 Comentários »

Gosto mais da tradução do meu livro. Esta tirei-a do ateus.net, e substituí “Espírito do pesadume” por “Espírito de tudo o que é pesado”. Vá lá, não é assim tão grande :)


Aquele que um dia ensinar os homens a voar, destruirá todas as barreiras; para ele as próprias barreiras voarão pelos ares; baptizará novamente a terra chamando-lhe “a leve”.
O avestruz corre mais depressa que o mais veloz corcel; também enterra a cabeça na pesada terra; assim é o homem que ainda não sabe voar.
A terra e a vida parecem-lhe pesadas, e é isso o que quer o espírito de tudo o que é pesado! Aquele que, porém, deseje ser leve como uma ave deve amar-se a si mesmo: assim predico eu.
Claro, não é amar-se com o amor dos enfermos e dos febricitantes; porque nestes até o amor próprio cheira mal.
É preciso aprender a amar-se a si próprio com o amor são, a fim de aprender a suportar-se a si mesmo e a não rondar fora de si.
Tal ronda chama-se “amor ao próximo”; é com esta expressão que se tem mentido e fingido mais, especialmente por parte daqueles a quem todo o mundo suporta dificilmente.
E não é um mandamento para hoje nem para amanhã este de aprender a amar-se a si mesmo. É, pelo contrário, a mais sutil, a mais astuta, a última e a mais paciente de todas as artes.
Que toda a propriedade está oculta para o seu possuidor, e de todos os tesouros o que mais tarde se descobre é o que vos pertence em propriedades: é esta a obra do espírito de tudo o que é pesado.
Quase no berço ainda nos dotam de pesadas palavras e pesados valores: “bem” e “mal” – assim se chama o património. – Por causa dele nos desculpam viver.
E se os homens deixam aproximar de si as crianças é para impedir a tempo que se amem a si próprias: tal é a obra do espírito de tudo o que é pesado.
E nós… arrastamos fielmente aquilo com que nos carregam, sobre duros ombros e por áridos montes! Se suamos, dizem-nos:
”É verdade: a vida é uma carga pesada!”
A única coisa pesada, porém, para o homem levar é o próprio homem! É que arrasta aos ombros demasiadas coisas estranhas. Como o camelo, ajoelha-se e deixa-se carregar bem.
Mormente o homem forte, resistente, cheio de veneração: esse carrega aos ombros demasiadas palavras e valores estranhos e pesados; agora a vida parece-lhe um deserto.
E, na realidade, muitas coisas que nos são próprias são também pesadas de levar!
E o interior do homem parece-me muito com a ostra: repelente, viscosa e difícil de apanhar, de forma que uma nobre concha de nobres adornos se vê obrigada a interceder pelo resto, mas também se deve aprender essa arte: possuir casca, uma bela aparência e uma sábia cegueira.
Também nos enganamos muito acerca do homem, por haver muita casca pobre e triste de excessiva grossura: Há muita força e bondade ocultas que jamais se adivinharam: os manjares mais esquisitos não encontram afeiçoados.
As mais delicadas mulheres o sabem: um pouco mais um pouco menos de carnes, varia muitos destinos!
O homem é difícil de descobrir, e ainda mais para si mesmo; a inteligência mente amiúde acerca do coração. Eis a obra do espírito de tudo o que é pesado.
Mas aquele que diz: Este é o meu bem e o meu mal, esse descobriu-se a si mesmo. Com isso faz emudecer o míope e o anão que dizem: “Bem para todos, mal para todos”.
Em verdade, também me não agradam aqueles para quem todas as coisas são boas, e que chamam a este mundo o melhor dos mundos. Chamo-lhes onisatisfeitos.
A facilidade de gostar de tudo não é dos melhores gostos. Louvo as línguas delicadas e os estômagos escrupulosos que aprendem a dizer: “Eu” e “Sim” e “Não”.
Mastigar e digerir tudo, porém… é fazer como os suínos. Dizer sempre Sim, isso só os asnos e os da sua espécie aprendem.
(…)
Cheguei à minha verdade por muitos caminhos e de muitas maneiras; não subi por uma escada só à altura donde os meus olhos olham ao longe.
E nunca perguntei o caminho sem me contrariar. – Sempre fui contrário a isso. – Sempre preferi interrogar e submeter à prova os próprios caminhos.
Provando e interrogando foi assim que caminhei, e naturalmente é mister aprender também a responder a semelhantes perguntas.
Eis o meu gosto: não é um gosto bom nem mau; mas é o meu gosto, e não tenho que o ocultar nem que me envergonhar dele.
“Este é agora o meu caminho; onde está o vosso?” Era o que eu respondia aos que me perguntavam “o caminho”. Que o caminho… o caminho não existe”.

Assim falava Zaratustra.

Comments Sem Comentários »

Nota: Este é o primeiro post de um conjunto que pretendo fazer à volta da moral. Escrevi quase tudo o que se segue como um draft, que achei muito fraquinho e que pensei poder melhorar. As ideias estão soltas e provavelmente difíceis de seguir e interpretar. Acabei por decidir fazer o post assim mesmo e ir acrescentando o resto à medida que calhar… Os próximos vão ser “As etapas do desenvolvimento moral segundo Kholberg, Piaget e Rosen”, “As 13 formas de viver segundo Morris” e “Os valores de Rokeach ou Buda, Jesus, Albert Schweitzer, Lincoln, Martin Luther King, Einstein, et al.”. Estes títulos são inspirados por um livro de quase 1500 páginas sobre psicologia de que estou a ler uns bocados, ao mesmo tempo que leio o Zaratustra do Nietzsche.

Já por duas vezes – que eu me tenha apercebido – uma pessoa que conheço e prezo muito usou o seguinte extracto como argumento para rebater a atitude que tomamos muitas vezes de desresponsabilização perante aquilo que não nos afecta directamente, ou que faz parte da “maneira como o mundo funciona”, e que, como tal, somos demasiado insignificantes/impotentes para alterar (a minha mãe ficava-se pelos mais modestos e mais clássicos “tu não és os outros” ou “se fulano X se atirar a um poço, tu também te atiras?”):

“Primeiro vieram buscar os judeus e eu não me incomodei porque não era judeu.
Depois levaram os comunistas e eu também não me importei pois não era comunista.
Levaram os liberais e também encolhi os ombros. Nunca fui liberal.
Em seguida os católicos, mas eu era protestante.

Quando me vieram buscar já não havia ninguém para me defender…”

Martin Niemoller (pastor protestante) referindo-se às práticas desumanas
ocorridas durante a Segunda Guerra Mundial.”

Parece-me que esta é a questão central na discussão da moral e dos valores. Da importância, da necessidade dos valores.
Na minha interpretação, o imperativo categórico de Kant diz que para sermos moralmente correctos devemos
fazer aos outros aquilo que gostaríamos que todos fizessem a todos, não apenas o que gostaríamos que os outros nos fizessem a nós (é uma máxima universal).
Ao mesmo tempo, Nietzsche e outros existencialistas descartam em grande medida os valores. Ainda ao mesmo tempo, a psicologia moderna defende os valores e a moral como pressupostos importantes e decisivos para a saúde mental e a estabilidade emocional. Há no entanto, sobretudo nos círculos conservadores religiosos, muita gente a afirmar que as ciências “psi” e sobretudo a psiquiatria destroem por completo a moralidade da sociedade contribuíndo para uma crise de valores.

No meio de tudo isto, que importância dar aos valores?

Comments 6 Comentários »