O post anterior despoletou tal celeuma que se impõe uma explicação. Por mais do que uma vez fiz nos comentários perguntas com o intuito de redireccionar para aquilo que eu estava efectivamente a criticar, sem que, contudo, me tenha feito perceber.

Este é, obviamente, um post irónico - basta ler título. Mas analisemos o conteúdo e deixemos o título para a segunda parte deste texto.
O conteúdo do texto diz respeito à anotação de informação sem rigor e falsa que é dada na ficha técnica do site da Assembleia da República.
Vejamos dois exemplos:

Ponto 1 - Se apenas existisse o Microsoft Word Viewer, o utilizador até poderia pensar que Microsoft Word era uma abreviatura do nome. Acontece que Microsoft Word é um programa distinto, que _também serve para visualizar_ (também é um visualizador) documentos em formato word.
É-me dito então que eu posso obter o Microsoft Word gratuitamente.
Esta afirmação é falsa.

Ponto 2 - Se clicarmos no link (e só se clicarmos no link) verificamos que o que podemos obter gratuitamente é apenas o Microsoft Word Viewer. Mas também me é dito que eu posso instalar este programa no meu computador.
Ora, esta afirmação só é verdadeira se se verificarem uma das duas condições: o computador tem de estar a correr windows ou mac os x. Pelo que, para sermos simpáticos, esta afirmação é enganadora, por omissão.

O que se infere desta análise é que eu estou a fazer uma crítica à ficha técnica do site da Assembleia da República e nada mais do que isso.

Alguns dos comentadores do post anterior lançaram mão do argumento deste post ser mais uma acha na guerra “fanática” Linux vs Microsoft. O que é falso. Mas compreendo.

Imagino o caminho que o pensamento dos srs leitores fez: A Paula defende o software livre (são uns fanáticos esses moços e moças do software livre :-D ), a Paula escreveu a palavra Microsoft num post, conclusão a Paula só pode estar a dar uma rabecada estrondosa na Microsoft.

É claro que imbuídos deste (pre)conceito e chegados ao fim do post, pareceu aos estimados leitores uma crítica injusta. E eu concordo. A crítica à Microsoft no meu post anterior é injusta. E digo mais, qualquer crítica não existente a qualquer coisa é sempre profundamente injusta.

Destapemos agora o título, que confere a ironia ao post e analisemo-lo à luz daquele.
Mesmo quem não viu o debate, leu certamente sobre o mesmo e sabe dos dislates que foram ditos. Lembro-me de algumas bancadas se mostrarem ofendidas porque acharam que íam ser obrigados a usar software livre (a proposta não dizia tal coisa). Lembro-me vagamente de um deputado aborrecido, zangado até, dizer que a empresa open source também era apoiada por este e por aquele.
Estes e outros dislates, cometidos, ouso dizer por quase todas as bancadas parlamentares, demonstram claramente a falta de conhecimento e rigor sobre o que estava a ser discutido. E não admira, se até a ficha técnica do site daquele orgão de soberania, supostamente feita por um webmaster, supostamente um informático, carece de rigor no que concerne à sua área de expertise.

Eu continuo a não ver nenhuma crítica à Microsoft, nem nenhum favorecimento ao Software livre.

A única intervenção que fiz fora do âmbito acima descrito foi concordar com o Gustavo quando ele lançou a questão da publicação em formatos abertos. E que saíu obviamente do conteúdo do post inicial.

Vi que o Paulo voltou a lançar esta questão. É verdade, Paulo, eu não falei de formatos abertos nesse post. Falei dessa questão num post mais antigo de forma breve, porque na minha opinião é algo que nem devia estar em discussão. Mas sim talvez um dia eu faça um post sobre formatos abertos. E nessa altura, Paulo, terei de falar mais do que a acessibilidade dos utilizadores de hoje a esses documentos. Nessa altura, terei de falar do dever que temos de garantir que este tipo de documentos possam ser abertos e lidos daqui por muitas décadas, para que não aconteça casos de documentos guardados em disquetes que não podem ser abertos e lidos e que se pensa terem importância histórica.
Eu sei que parece quase ridículo falar de História hoje. Mas daqui a muitas décadas vai ser importante falar da História de hoje e seria muito triste que nessa altura não se pudesse falar da História de hoje, só porque hoje não nos quisemos dar ao trabalho de publicar esses documentos em formato aberto.
Sim, Paulo, talvez um dia eu faça um post sobre formatos abertos e nessa altura terei de falar de todas estas coisas também.

Ontem, eu apenas critiquei a falta de rigor de um site, fazendo o link para a falta de rigor do debate da semana passada.

2 Responses to “Nota explicativa ou mea culpa, como preferirem”
  1. True. Realmente desviou-se muito do real assunto do post.
    Sorry

  2. Sim, eu não acho mal que os comments acabem por se desviar do post inicial. Até acho que é frutuoso e que significa que efectivamente trocamos pontos de vista.
    O meu único receio é quando esses comments fora do que está em causa no post, não se assumam como algo fora, mas como algo relacionado com o post (nos casos em que não o são)
    Não há que pedir desculpa, eu é que notei que efectivamente não me tinha feito entender :-)

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