Universities: Do not join Web 2.0. Please!
Colocado por Paula Simões em Ciência/TecnologiaVejo um post no blog do Alcides a incitar as Universidades a juntarem-se à Web 2.0. Fico estarrecida! Ando eu (e tantos outros) a lutar contra o hype das tecnologias, que tanto mal tem feito ao seu desenvolvimento e uso em contextos educativos e agora vejo um incitamento a esse mesmo hype.
Há pouco tempo dizia eu, numa reunião de professores, que a tecnologia é apenas uma ferramenta. Se nos serve para melhor atingirmos os objectivos, usa-se; se não serve, não se usa.
Desenho e faço tutoria de cursos à distância. Transformo cursos face-a-face em cursos de e-Learning. E é efectivamente uma transformação, uma mudança.
O hype das tecnologias tem levado Universidades a utilizarem diversas aplicações, migrando cursos e cadeiras da sala de aula para a web sem a atenção devida à diferente linguagem do meio e ao tipo de postura no novo meio. Obviamente, que um curso ou cadeira criado para ser dado numa sala de aula não resulta na web. E o resultado está à vista: alunos e professores a rejeitarem tecnologia que lhes poderia ser útil. Muito útil.
Não é fácil, nem mesmo em cursos de informática, utilizar sistemas de e-Learning ou Blended Learning. Diz o Alcides:
Simple things like blogs about some subject in some course would make students more interested and make them learn more about it.
Digo eu: O uso de blogs ou qualquer outro tipo de tecnologia não faz com que os alunos aprendam mais ou melhor. Criem-se blogs ou fóruns associados a um curso ou cadeira, mas não se espere que eles ganhem vida per se.
Vi serem introduzidas várias tecnologias e plataformas em contextos educativos e vi-os serem abandonados, quase vazios de actividade pela falta de técnica e gestão dos mesmos. Não é possível enganar nem alunos nem professores: eles são demasiados perspicazes e rapidamente percebem se a tecnologia que está a ser usada é realmente útil ou apenas hype.
Dizia-me há uns anos o Professor Fredric Litto, anterior coordenador científico da Escola do Futuro da Universidade de São Paulo: “Primeiro é preciso fazer o diagnóstico, ver onde está doendo. Só depois, escolher a tecnologia que nos serve”
A tecnologia é isso mesmo, apenas uma ferramenta. A introdução de tecnologias no ensino pode, no início gerar entusiasmo, mas se o professor ou tutor não tiverem as técnicas e a experiência, elas serão rejeitadas, uma vez passado o entusiasmo inicial.
Por isso, caras Universidades, olhem antes para os vossos objectivos, olhem para os learning outcomes que esperam que os vossos alunos atinjam, diagnostiquem os problemas e depois escolham a tecnologia. Uma vez escolhida a tecnologia há ainda que perceber, estudar e investigar as formas, problemas e casos de sucesso em que ela foi utilizada.
Nos dias de hoje, já temos casos e estudos suficientes, na área do e-Learning, para não cometermos os erros crassos de uma implementação de um sistema completamente novo: usem-nos
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Não concordo num aspecto, e onde está a inovação em técnicas de ensino? Tipo se vamos por um caminho onde usamos apenas o que foi testado, não deixa margem para inovarmos em vários estilos de ensino.
Uma das coisas boas da web é que é grátis, isto é, faz-se projectos a custos bastante reduzidos e acaba-se com eles com a mesma facilidade. Não acho que seja um problema assim tão grande.
E sim, claro que as tecnologias deviam ser usadas com cabeça, mas eu supus que quem esteja na universidade como professor tenha o mínimo juízo para o fazer correctamente. Caso não tenha bases para o fazer, pode ser falar contigo.
@Alcides:
Que inovação é que procuras? Com que objectivo? O importante é definir objectivos e estudar formas de os atingir, seja com inovação ou com outra coisa qualquer. Lá porque “a web é grátis” não significa que apostar na Web o seja – gastar dinheiro, tempo e recursos a fazer projectos pouco estudados “para ver se cola”, e destrui-los “se não colarem” sai caro.
O que me parece criticável na tua proposta, é que realmente não é proposta nenhuma, não identifica problemas e dá soluções, nem sequer faz o mais comum “dar soluções à procura de um problema”. A tua proposta é apenas “as universidades deviam entrar na web 2.0, na web social”. Porquê? Para quê? Como? Quando? Qual o custo? Qual o benifício?
Eu não fiz sequer uma proposta, para lhe poderes chamar assim. Era um incentivo as universidades aderirem à chamada web social. O modo como o fazem depende da universidade em causa e dos seus objectivos. Depende também, e sobretudo, dos cursos em causa. Dei apenas o exemplo simples do blog que já vi a funcionar muito bem. Claro que pode não funcionar em outros casos, mas não custa assim tanto experimentar. Aliás, já vários professores o fizeram por si próprios.
Outro exemplo: em cursos de artes e design, os projectos são guardados em pastas ou em pens. E que tal colocarem no deviantart ou no flickr! Certamente iria ter um pouco mais visibilidade e até ganhar algum comentário ou contacto com isso. Claro que isto é uma coisa que o aluno tem de fazer, mas pode ser por si próprio (Há quem o faça) ou pode ser recomendado pelos professores, por exemplo. Custos: ok um bocadinho de tempo.
“Porquê? Para quê? Como? Quando? Qual o custo? Qual o benefício?”
Como te disse isto é uma questão específica de caso para caso, mas se alguém estiver interessado, pode entrar em contacto comigo
Neste momento, já existe conhecimento suficiente na área do e-learning, comunidades de prática e de aprendizagem para se poder avançar sem ser às cegas, como normalmente se faz quando algo é demasiado novo. Independentemente de termos muito a aprender ainda.
O problema que pode ocorrer quando se usa uma tecnologia no ensino, sem atender à especificidade do meio está patente num comentário no post do Alcides:
“and even knowing some of them do prefer that system [Moodle], I keep on preferring the simple gmail to receive the works and other informations.”
Embora não conheça a situação em causa, tenho experiência de situações semelhantes: alunos e professores que embarcaram em soluções tecnológicas pelo hype, que correram mal e que ganharam resistência à sua nova introdução no ensino.
O comentário acima demonstra o uso que foi feito do moodle: uma plataforma para enviar e receber trabalhos e informações.
E é claro que o aluno tem razão: o email é suficiente para isso.
O que não foi mostrado ao aluno é que o objectivo do Moodle não é servir de email e por isso é muito natural que o aluno rejeite a solução moodle.
O problema de experimentar soluções tecnológicas só por experimentar é esse mesmo: criar nos alunos e professores resistências em utilizar numa próxima vez outro tipo de tecnologia.
Também não é o caso dos professores terem ou não o mínimo juízo: muitos não têm prática nestes sistemas e estão imbuídos pelo hype de que a tecnologia vai salvar o ensino. Muitos inserem as tecnologias no ensino com a melhor das intenções. A minha posição, derivada da experiência que tenho, continua a ser de analisar os objectivos que se pretendem atingir com calma e ver a tecnologia como uma ferramenta que nos pode ser útil ou não, em vez de fazer um mashup de experimentações a ver se alguma resulta
Deveria ser sempre necessário identificar as falhas primeiro. Embora um pouco de experimentação ocasional possa dar frutos, mas é um tiro no escuro.
Mas deve-se pensar concretamente. Se o professor de um cadeira verifica que os alunos não se sentem atraídos pela matéria, pode muito bem começar um blog apresentando os últimos avanços tecnológicos nessa área. Não há nada como os alunos verem aplicações, para compreender a importância de uma cadeira.
O moodle é muitas vezes sub-aproveitado, sendo por vezes apenas uma página para submeter trabalhos com um tempo limite. Este tem muitas mais possibilidades, como a colocação de fichas de auto-avaliação para os alunos, conteúdos multimédia, etc…
Mas eu já me contentava com um RSS feed de cada cadeira. Era da maneira que não escapava nada a ninguém…
Acho que os bloggers tem muito a mania de opinar antes de estarem informados. Por acaso o meu pai estuda este tema, tendo inclusivamente publicado em várias revista cientificas de renome e não vejo nenhuma prova que confirme o que dizes.
Já agora se querem estar informados vai haver uma conferencia sobre e-learning em lx.
O Alcides é jovem mas a mania de lhe dar na cabeça é mais jovem ainda, e estupida.
@ Nuno
eu falo apenas do que observo e da minha experiência prática. Se criares fóruns ou blogs para um curso ou uma cadeira isso não vai, per se, incrementar o sucesso da aprendizagem.
E é isso que eu digo.
Experimenta criar um fórum para uma turma e não o dinamizes, nem tenhas a função de moderador necessária e o fórum vai, passado o entusiasmo inicial, ficar vazio.
Vi professores deparados com esta situação, sem perceberem porque é que, passado o entusiasmo inicial da novidade, os alunos deixavam de contribuir.
O que eu digo, e certamente o teu pai concordará comigo, é que o uso da tecnologia tem determinadas regras para ser utilizada. Porque é apenas uma ferramenta, como qualquer outra. É a forma como usas e a escolha que fazes para resolver determinado problema que determina o seu sucesso.
Um blog pode ser uma ferramenta fantástica para a aprendizagem e pode ser uma ferramenta muito má para a aprendizagem. Depende do uso que dele fizeres