Precisava de uns sapatos adequados a uma festa de casamento (porque não podemos ir aos casamentos de sapatilhas?). Fui à baixa. Passei na Ferreira Borges e pensei para comigo, que depois de tal tarefa, eu mereceria um café no Central. Um hábito de anos a compensar as idas à Baixa de Coimbra.
Adiante, encontro o sr que vende a Cais. Compro. Revolvo a baixa à procura de uns sapatos: desfilam ante os meus olhos todas as formas, cores, feitios e tipos de salto. Diferentes preços! Estou tramada! Como vou escolher uns?
Desorientada com tantas possibilidades, já cansada penso “vou ao Central, tomo o café, analiso o que vi e tomo uma decisão”.
No cimo das escadas, estende-se para cada lado a Ferreira Borges. Viro à esquerda, em direcção ao Central. Ah, cá está o quiosque dos jornais, a seguir é o Central. Hmm… a seguir surge-me uma montra de vidro a todo o comprimento e largura, que permite ver as paredes laterais cheias de meias, em linhas horizontais muito certinhas. De um lado, com muitas cores, do outro, em tons escuros, fazendo adivinhar o sexo a que se destinam. Mais adiante o Nicola. Desoriento-me: não. O Central fica antes do Nicola. Coloco-me de frente para o Nicola e dirijo-me para a esquerda: o Central fica a seguir ao Nicola. Nada. Esbarro novamente com aquela montra de vidro imensa que deixa ver as paredes forradas a meias.
Fico quieta a olhar para a montra. Mas onde está o Central? O meu cérebro dá-me um abanão: pois não estás a ver que o Central agora é uma loja de meias?!
“Não é possível!”, respondo eu.
“Está bem de ver”, atira-me, com impertinência o meu cérebro.
Meio tonta, acabo por entrar no Nicola onde como qualquer coisa que me há-de servir de almoço. Os sapatos? Oh peço uns emprestados à mãe.
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