Há duas características, na minha opinião, que devem fazer parte do perfil de um aluno que chega à Universidade: escrever sem erros e ter um espírito crítico e dinâmico. E não há desculpa para elas não existirem. A típica “Não tive bons professores” não funciona: é que um aluno que entra numa Universidade já tem idade para se auto-educar e se auto-ensinar.
Mas o panorama português é muito fraquinho nesta matéria, de forma que quando vejo alunos do primeiro ano a organizar eventos como o Take Off fico deveras contente.
No caso, foi contentamento de pouca dura: os tais alunos que pareciam tão inovadores e dinâmicos, acabaram por mostrar muito pouco espírito crítico. Falei aqui da questão, em conjunto com o Gustavo. Não publicar algo é não dar conhecimento ao público, publicar algo adulterado é enganar o público. Quando um orador diz “Isso não é verdade” a toda e qualquer intervenção do público, que vá contra o que diz, como fez o sr Vítor Santos da Microsoft Portugal no Take Off, e o público, munido de laptop ligado à wireless lhe prove que é efectivamente assim e depois peça aos organizadores para publicarem o áudio sem “as partes más”, as partes em que o público lhe desmancha o discurso, é mau.
Quando os organizadores acedem, é pior.
Toda esta introdução para dizer que pelos vistos deu frutos: um dos organizadores do Take Off lançou há pouco tempo no seu blog a notícia de ter sido convidado para ser um Microsoft Student Partner. E de ter aceite.
Deve ser-lhe fácil integrar a equipa, já começa no discurso:

Como alguns de vocês já sabem, sou a favor do software proprietário (e também do opensource em certas situações. Sou capaz escrever um post dedicado a este assunto em breve) e a Microsoft desde sempre que tem impulsionado a tecnologia no seu todo e creio que tenho muito a aprender com a empresa.

(bold meu)

Não estou bem a ver onde ou como é que a Microsoft tem impulsionado o opensource, pelo que concluo que este recém MSP já é capaz de fazer um bom discurso “microsoftiano”.

Outro exemplo é:

(…)mas também para contribuir com as minhas ideias para melhorar a relação com os estudantes.

O que nada mais é do que uma técnica de venda: acredito mais na palavra do meu amigo ou do meu colega do que num anúncio. Basicamente a Microsoft entra no mercado através de alunos, pagando-lhes em géneros, a publicidade que lhes vão fazer na faculdade.

É triste ver um aluno agarrar-se a uma empresa como a Microsoft, nem que seja como MSP, em tão tenra idade, no início de uma carreira. A independência no início é o melhor que pode haver para se poder mostrar o que se vale, para se crescer, para se poder ver outras coisas e alargar ao máximo os horizontes.
Mas, principalmente, parece-me muito pouco inteligente.
Que razões levam um aluno da área de informática a aceitar ser MSP?

29 Responses to “Microsoft Student Marketing… err… Partner, quero eu dizer…”
  1. Marco Campos says:

    Já tinho dito algo do género ao Alcides via Twitter quando também fui convidado a ser um Microsoft Student Partner e recusei. Sinceramente não vejo outra razão deste programa a não ser espalhar o Kool-aid da Microsoft. Mas ouvi dizer que eles dão umas t-shirts fixes ;P

  2. Como todos devem ter reparado, sou eu a pessoa em questão.

    Relativamente a frase em bold, eu disse apenas que a microsoft tem impulsionado a tecnologia no seu todo. Se me permites o link para um dos sites da Microsoft: http://research.microsoft.com/ Podes explorá-lo que tem vários exemplos disso.

    Quanto à minha futura relação com a microsoft, o único contracto que vou assinar é de “non disclosure” para software beta que receba. (Sim, eu vou ler muito bem esse contracto).

    “Basicamente a Microsoft entra no mercado através de alunos, pagando-lhes em géneros, a publicidade que lhes vão fazer na faculdade.”

    Acho que toda a gente percebeu isso. É obvio que é a estratégia deles, óptima no meu entender. E ganharem adeptos das suas tecnologias nas faculdades, mais facilmente vão ganhar clientes empresariais. Se calhar as outras empresas/fundações (no caso de opensource) deviam começar a investir mais nisso, pois no meu departamento ainda não vi nenhum workshop de nenhuma tecnologia dirigido a alunos.

    Ora eu a organizar, por exemplo, um workshop usando tecnologia da microsoft, penso estar a contribuir para os meus colegas do que não fazer nada. E aviso já que é provável que vá fazer o mesmo para tecnologias opensource (visto ser o que é leccionado (e eu concordo)).

    Cada pessoa deve ter a liberdade de escolher tecnologias e plataformas para o seu uso. Não vejo desvantagem em apresentar as da microsoft, e não me importo de ser eu a fazê-lo.

    E quem me conhece bem, sabe que não sou fundamentalista e basta ler o meu blog para o ver.

  3. Hum… permite-me discordar. :-)

    Um MSP é bom para o CV de um aluno, além de dar várias regalias em termos de software que de outra forma seria complexo adquirir sem recorrer à pirataria. Acho muito bem que ele tenha aceite o MSP. Aceitar ser MSP não quer dizer vender a alma à MS! Essa tua ideia de aceitar MSP implicar pouca inteligência é uma ideia anti-MS e deveras biased! É clubismo puro e duro e isso sim prejudica o nosso sentido crítico.

    “A típica “Não tive bons professores” não funciona: é que um aluno que entra numa Universidade já tem idade para se auto-educar e se auto-ensinar.”
    Bolas! Então porque é que eu andei tantos anos na escola? Chegava aos 18 e começava eu a aprender tudo! :-)
    Aliás, para quem é que serve o ensino superior?

    A verdade é que há muitos professores que não têm capacidade para ensinar. E se tu ficas 300 horas por ano a ter aulas (ou lá quanto é…) e milhares de alunos não sabem escrever português: ou os alunos são burros, ou o programa não é apropriado, ou os professores não conseguiram transmitir conhecimento.

    És professora? Sempre que vejo alguém a pôr as culpas do ensino para os alunos, é/foi professor. :-P

  4. “Não estou bem a ver onde ou como é que a Microsoft tem impulsionado o opensource”

    É impressionante o que o Feeling Lucky do google faz :) (wow, e não usei o Live Search :O)
    http://www.itnews.com.au/News/16515,microsoft-makes-its-third-contribution-to-open-source-site.aspx

    “Que razões levam um aluno da área de informática a aceitar ser MSP?”
    As regalias? Mencionei workshops/palestras em soft skills? Markting, liderança, etc…?

    “A independência no início é o melhor que pode haver para se poder mostrar o que se vale, para se crescer, para se poder ver outras coisas e alargar ao máximo os horizontes.”

    Ser MSP não impede isto, alias é precisamente isto! alargar os horizontes e porque não também para o lado da microsoft? (atenção que não estou a falar exclusivamente!)

    “ter um espírito crítico e dinâmico” e capacidade comunicativa é exactamente o perfil que a Microsoft procura para MSP.

    Quanto a questão do ensino superior, concordo com a Paula em que a maior parte das pessoas que entra não encara o ensino superior como deveria. Por mim (pelo menos a nível de informática) o ideal era haver “aulas” para as cadeiras introdutórias no(s) primeiro(s) ano(s). Depois deveria haver trabalhos a apresentar, e poderiam consultar os professores (que estariam mais focados na investigação) para ter alguma ajuda na elaboração dos mesmos. É só a minha visão, nada mais.

  5. Alcides: a Microsoft não tem impulsionado a tecnologia mas sim tem-na atrasado. Anos a fio de lobbies, arranjinhos, patentes, pressão e monopólio, tudo isso serve para impedir a tecnologia, muito mais do que possa avançar com os seus “projectos de pesquisa”, que, aliás, não são mais que “vamos ver o que vale a pena patentear, não vá isto aparecer num futuro próximo”, mas que tem coisas lindas como o “desenvolvimento de software anti-pirataria”…

    Pedro: a ideia de que algo a dizer Microsoft fica bem num CV vai de acordo com a questão da Paula: “Que razões levam um aluno da área de informática a aceitar ser MSP?” Talvez, sim, possa ser considerada uma posição anti-MS: parece-me a mim que a pergunta dela poderia ter sido redigida como “o que é que se passa na cabeça de alguém que ache mesmo que a Microsoft é fixe, que ajuda o desenvolvimento da informática, e que lhe fica bem no CV?” Esta pergunta, no entanto, não é clubismo, é uma constação de factos. A Microsoft tem, efectiamente, um forte departamento de markting. Mas considerar a Microsoft boa… O que leva um aluno de informática a vender-se ao dinheiro sujo da Microsoft quando, tendo escolhido a informática para seu curso, devia ter amor à informática, e, por isso, não trocar o bem pelo dinheiro?

    Quanto à questão, mais off-topic. dos professores… Aquilo, parece-me a mim, que a Paula quis dizer é que “por mau que o ensino ou os professores sejam, não se devem desculpar com isso”. Não sabem? Aprendam.

  6. Alcides, tal como a própria Microsoft diz, essas contribuições não são “Open Source” mas “Shared Source”. Se queres ver o quão mau é o Shared Source, podes começar pela Wikipedia.

  7. Eu acho que o Alcides fez muito bem.

    É algo que vai para o CV e qualquer dia está a comer do tacho da Microsoft. Tacho do qual não me importava nada de manjar! Ando cá com uma larica!! Aliás… gostaria de saber se não é possível candidatar-me a MSP. Alguém?

    Ora vejamos… um engenheiro Microsoft não tem nada a ver com um engenheiro do FOSS! Um engenheiro Microsoft tem um bom salário, usa gravata, possivelmente arranjam-lhe um carro topo de gama, sócio de clubes da alta roda, entradas grátis em tudo quanto é sítio, reconhecimento social, lavandaria de borla, emprego para a vida… isso sim é uma bela vida! Quem me dera.

    Um engenheiro do Opensource coitadinho… emprego precário, horas de programação sem ganhar um tusto, mal vestido, nulidade social, anda de bicicleta, barbas compridas,… até mete dó! A única diferença entre um engenheiro do FOSS e um sem abrigo é que o último tem um Portátil com Linux e o primeiro tem um portátil com Windows!

    Eu não vou à padaria pedir ao padeiro um free-bread… ele vai mandar-me lamber as migalhas, não é? Então com o software é a mesma coisa… queres, pagas! E passa para cá o carquinhol que tenho putos para alimentar!

    É assim mesmo Alcides… vamos lutar contra esses guerrilheiros da FOSS que eles não querem mais nada senão destruir este muy nobre ramo da engenharia.

    Também quero ser MSP!

  8. Bruno, é uma visão (um pouco “hiperbolada”) da realidade com alguma base. Assim que tiver inspiração, também irei escrever um pouco sobre isso. Mas enganas-te num aspecto, eu (e os outros MSPs) não queremos combater o FOSS. Simplesmente não acreditamos nele.

    Quanto a MSP, clica aqui em cima no meu nome, e tens no meu site o meu contacto, usa-o ;)

    MBN:
    Ok, http://www.codeplex.com/ pode não ter o sucesso do SF.net, mas foi uma tentativa :P

  9. olá…
    Vou responder a tua pergunta com uma outra pergunta….
    e porque é que um aluno de informatica não o há-de aceitar?
    Porque é que um aluno de informatica há-de querer continuar na ilusão de que a universidade os prepara a vontade para o mercado de trabalho?
    Porque não há-de um aluno querer ganhar experiencia naquilo em que pretende seguir?
    porque não há-de um aluno ter experiencia que não ganhava de uma outra forma?
    porque não há-de um aluno querer fazer amizades com pessoas que tenham os mesmos interesses que ele?

    isto são perguntas que nada tem a ver com o facto de ser a microsoft ou outra empresa qualquer a promover iniciativas destas…

    independentemente da orientação que o aluno queira seguir, seja ela plataformas microsoft ou outras é de reparar que esta oportunidade é excelente para o aluno, não so a nivel de formação tecnica como ainda mais importante a formação pessoal, que sim é um dos pontos fortes do programa.

    e já agora gostava de tentar perceber o porquê de todo esse odio anti-microsoft?
    e agora sou ser um pouco duro, pois os teus ultimos comentários afectam-me pessoalmente, em primeiro lugar a microsoft não obriga ninguem a usar as tecnologias deles, cada MSP, é livre de usar e fazer o que quiser… em segundo é só pa quem gosta, quem não gosta não come, é tão simples como isso…. em terceiro lugar, para quem alega que, e cito palavras tuas “A independência no início é o melhor que pode haver para se poder mostrar o que se vale, para se crescer, para se poder ver outras coisas e alargar ao máximo os horizontes.” a parte gira é que tu usas logo um dos sistemas mais fechados que existe… e não me venhas cá dizer que lá porque o kernel é baseado em BSD o tornam mais “open” que o windows…

    e não defendas os teus ideais falando apenas mal dos dos outros… apenas ficas mal visto… aprende a defender os ideais realçando-os….

    cumps
    André Sousa
    MSP

  10. @Pedro santos:

    “Bolas! Então porque é que eu andei tantos anos na escola? Chegava aos 18 e começava eu a aprender tudo! :-)
    Aliás, para quem é que serve o ensino superior?”

    O que queres dizer com esta pergunta? Para quem serve o Ensino Superior?

  11. Enganei-me. Era: “Para que é que serve o ensino superior”. Desta vez foi typo. Infelizmente muitas vezes não é.

  12. @André Sousa: Estavas a ir tão bem quando na parte final te espalhaste ao comprido…

    Link #1: http://developer.apple.com/opensource/index.html

    Link #2: http://www.apple.com/server/macosx/

    Link #3: http://www.apple.com/macosx/features/unix/

    (são apenas 3 links para exemplificar)

  13. @Alcides

    “Cada pessoa deve ter a liberdade de escolher tecnologias e plataformas para o seu uso. Não vejo desvantagem em apresentar as da microsoft”

    Eu vejo com preocupação a entrada da Microsoft nas Universidades e Instituições de Ensino.
    Concordo que os alunos devem saber trabalhar com várias tecnologias, mas é execrável a situação de alguns cursos em que são ensinadas técnicas baseadas em software proprietário: conheço alunos de letras que usam photoshop porque foi esse o software utilizado nas aulas. E não o Gimp. Que as mais das vezes nem conhecem.
    Resultado: quando precisam de utilizar esse programa em casa ou depois da licenciatura voltam-se para a pirataria, já que não têm capacidade económica para comprar o programa.
    A Microsoft não é, no geral, uma escolha, mas sim falta dela. De todas as pessoas que conheço que usavam Windows e conheceram outros sistemas operativos, mudaram para esses sistemas operativos.
    As únicas pessoas que conheço que utilizam windows ainda não testaram nenhum outro SO.

    @André Sousa

    “Porque é que um aluno de informatica há-de querer continuar na ilusão de que a universidade os prepara a vontade para o mercado de trabalho?”

    É esse o teu erro: o de pensar que entras numa Universidade e os professores te enfiam o conhecimento na cabeça. Os professores servem para te indicar o caminho, o conhecimento és tu que o constróis, se tiveres vontade, claro. Se passas o curso a decorar matéria e despejar nos exames como um papagaio para teres a nota, tens razão, de facto, dessa forma não há Universidade que te valha.

    “a parte gira é que tu usas logo um dos sistemas mais fechados que existe… e não me venhas cá dizer que lá porque o kernel é baseado em BSD o tornam mais “open” que o windows…”

    Eu estou a escrever este post no Firefox, no Kubuntu (via VMware Fusion) instalado no mac ( a solução mais rápida que encontrei para usar Linux) Quando comprei o Mac não sabia muitas coisas, que já admiti aqui, erros que cometemos na vida :-P
    Podes confirmar aqui

  14. Alcides: Calma jovem, organiza as ideias antes de espingardar:

    “E aviso já que é provável que vá fazer o mesmo para tecnologias opensource (visto ser o que é leccionado (e eu concordo)).”

    “Mas enganas-te num aspecto, eu (e os outros MSPs) não queremos combater o FOSS. Simplesmente não acreditamos nele”

    Não acreditas mas estás a considerar organizar palestras sobre ele? Faz algum sentido?

    Além de que tu acreditares ou não acaba por não servir nenhum propósito. Ele existe, está de boa saude e vai continuar a crescer.

    E para terminar: Terceira contribuição em 2004. Fantástico. É so contribuição.

    Bruno Mello: LOL. Olha que eu conheço muitos OSS developers com bons carros :) É claro que precisam de realmente trabalhar e ser produtivos, e não passar a vida a fazer powerpoints cheios de belas buzz words.

  15. Alcides: teres dito que não acreditas no FOSS chega, por mim não precisas de dar mais exemplos…

    André: Um aluno de Informática que aceite algo como o MSP ou que “pretende seguir os caminhos da Microsoft” é alguém que acredita na Microsoft, apesar de ser alguém que devia supostamente ser informado (e sim, estou - para evitar ofender muita gente - a pressupor que ambos são mutuamente exclusivos).

    Este “ódio anti-microsoft” não é nada mais do que a constatação de que a Microsoft é uma empresa para a evolução tecnológica: não fosse isso e notícias destas não existiriam. Mas não vamos tornar esta discussão numa “porque é que a Microsoft é má” porque isso dava para um livro, e não apenas um comentário num blog…

    Não fui eu que aleguei nada, nem eu uso Mac OS: quem escreveu este artigo foi a Paula. A Paula comprou um Mac e arrependeu-se, mas comparar a Apple com a Microsoft é simplesmente absurdo… Além de que não se trata de “aberto” ou “fechado”, trata-se de ser a Microsoft. Não é porque o SO da Microsoft ser fechado que a Microsoft é “má”, mas sim por tudo o que de mal eles fazem…

    Finalmente, eu não defendo os meus ideais criticando o dos outros. Mas certamente que critico aqueles que vêm a Microsoft nos seus ideais, porque certamente somos peças de cores diferentes no tabuleiro onde o futuro é jogado.

  16. Gustavo, Free Software e uma coisa e opensource é outra. Eu não acredito num mundo onde só existe Free Software. Mas gosto e apoio o opensource (liberto quase todos os códigos que faço), mas comercialmente tem grandes problemas.

  17. Sim o open source é um desastre comercial, coitadinhas da Novel e da Red Hat :roll: O mundo não é feito de Mandrivias.

    Eu também não sou propriamente fã da Microsoft mas não gosto de ser anti-M$ puro e duro porque admitamos: a Microsoft chegou onde chegou porque fez algo bem tenha isso sido no ramo da gestão ou do código (acredito que tenha sido muito pouco este ultimo mas pronto… Não é open source, não posso ver o código do Windows. Apenas os maus resultados).

    E sim, ser MSP é basicamente tornar-se um dos “lacaios” do marketing da Microsoft mas eu pergunto: so what? Gosto de Open Source, considero que no mundo do software não faz sentido existir closed source da mesma forma que não faz sentido vender legos sem instruções, no entanto qualquer empresa tem o direito de fazer o que bem entende no que toca ao marketing consequentemente não censuro quem adere a este programa.

    Existe software proprietário, isso é um facto e não podemos fugir dele. A Microsoft ofereceu-lhe um acordo que lhe permite ter acesso a esse software por forma a conhecer essas opções e consequentemente decidir se considera que deve pagar por elas ou se prefere procurar outra opção. Recebeu essa oportunidade que só é necessária por vivermos numa sociedade profundamente capitalista mas se não gostam disso juntem-se ao Bloco de Esquerda ou ao Partido Comunista e divirtam-se em vez de o criticarem.

    Gosto de Free Software mas não o considero essencial, acho que qualquer pessoa deve ser livre de vender um suporte físico com software, os manuais e ajuda ou o suporte ao mesmo. Podem até na minha opinião exigir que outras pessoas não distribuam os binários que eles compilaram desde que permitam que qualquer pessoa pegar no código e compilar a sua própria versão.

    Sim, sei que as blueprints de virtualmente tudo na electrónica (por exemplo) são fechadas mas eu posso desmontar uma televisão ao contrario de um programa de computador (pelo menos não com 100% de exactidão) portanto: mundos diferentes, regras diferentes.

    Overall perdi-me mas acho que o meu ponto é que não vale a pena censurar alguém porque tem uma ideologia diferente da vossa e façam o mesmo que ele fez: usem os mesmos meios para promover o vosso produto e derrotem-nos no jogo deles, deixem-se de infantilidades e anti-microsoft bashing só porque é “fixe”.

  18. Acho uma certa piada (no mau sentido) quando as relações com a Microsoft são entendidas como vender para sempre a alma ao diabo… Especialmente neste caso, em que o compromisso é limitado e salvaguarda as liberdades individuais.

    O tipo de comentários que aparecem neste caso em nada se diferenciam do que tem sido dito por esssa Web e de boca em boca (não estou a chamar-lhes boatos, muitos são factos provados). Acho que o Alcides tem plena consciência deles e que pesaram na sua decisão.

    Compreendo o ponto de vista de “oh não, mais um gajo a espalhar FUD pela MS”, mas uma tomada de posição racional deve ser baseada no máximo de informação possível — porque não ir mais perto da fonte? O pior é conseguir discernir o que é bom e o que é mau… Mas para isso, dado o acesso à informação, há tempo.

  19. Não conheço o Alcides mas aposto que ele está ao corrente de todas as questões negativas que rodeiam a Microsoft e que fez uma opção informada.

    Agora, se se justifica uma extrapolação dessa opção para uma acusação em hasta pública em que se colocam em causa valores pessoais e estranhamente, capacidades intelectuais.. pois.. não. É algo insultuoso até. Até acho que ele está a reagir a esta situação de uma forma perfeitamente civilizada (o que é de estranhar num advogado do diabo, mas não tarda começa a atirar cadeiras a-la balmer(joking).

    Também acho curioso uma proponente do software livre e aberto utilizar como defesa o facto de correr linux sobre duas layers de software proprietário (VMWare e OSX). Não sei se existem grandes razões para não instalares de raiz, eu já usei Ubuntu no meu G4 sem grandes problemas (quer dizer, os habituais para linux em laptops, mas enfim, um dia hão-de lá chegar).

    Parece-me que para muitos fundamentalistas a solução seria a simples erradicação da Microsoft, como se isso fosse uma solução realista (pesadelo logístico). Para outras pessoas, como me parece o Alcides, como é o Miguel de Icaza, o caminho passa por uma “infiltração”, digamos. Procura-se um meio caminho, um passo para mais integração e abertura. Sugerem-se novas posturas e soluções. Enfim, segue-se uma via de um possível entendimento.

    Acho perfeitamente legítimo que alguém venda o que programou, assim como é válido quem o ofereça. São opções. Acho que ambas podem coexistir pacificamente. Infelizmente, há sempre em ambos os lados da fronteira quem prefira explodir com o adversário.

  20. Alcides e facção menos esclarecida da coisa,

    é um erro avançar para nisso. O CV pode ser lido por engenheiros, ou por fâs de hype’s. Mas isso depende do local onde pretendes vir a trabalhar. Se pensares como um engenheiro de software, chegarás facilmente a essa conclusão.

    Essas palestrazinhas que pretendes organizar, ok, faz lá o convívio, parece coisa de escolinha.

    Ser bem sucedido não é análogo a enriquecer financeiramente, numa visão cultural da vida. Mas enriquecer (moralmente, claro) é óptimo. É necessário saber o que é produzir software, e qual o seu verdadeiro valor antes de se pensar em carros e essas coisas.

    E fazer engenharia, isso então, é que pode ser complicado. Muito pouca gente a faz verdadeiramente. Agora, que muita gente anda a coleccionar títulos para CV, como quem apanha carícas na rua, isso anda. E se lhes meterem uma gravata em cima, parecem uns senhores. Estão prontos para ir vender…

    Resta a esperança de um dia se aperceberem que conseguiram fazer engenharia de software… ou talvez não.

    Ferramentas da Microsoft na Univerdidade, é um erro incrível. Vá lá, que o Word ou o Excell são produtos bastante interessantes. Mas há outros de outras firmas, com outros tipos de licensiamento, com outras funcionalidades, com outros requisitos técnicos para serem executados, etc. O Unix e derivados ainda é uma excelente peça de engenharia, que deve e pode ser trabalhada. O local ideal é… a vida. Quer universitária, quer laboral.

    Sigam lá as vossas vidinhas, com MSP’s e esses carimbos na algibeira, e tentem ser felizes nesse mundo mediano e altamente mediatizado, cujo único objectivo é, há mais de 20 anos, obter lucro a qualquer custo. Mas não se esqueçam que vão sempre ser conotados com essa ligação à empresa de Redmond. E… leiam bem tudo antes de assinar seja o que fôr. E se lá estiverem, tenter fazer algo válido, como fazer pressão a alguns iluminados para se orientarem mais pelos standards (se forem tecnicamente capazes)

    Quando me chega alguém para entrevista a acenar com o MSP’s ou MSCE’s, peço que me explique muito bem, o porquê de terem tomado essas decisões. E… geralmente nem sabem bem: admitem ser fruto de inexperiência e receios em não ter lugar no mercado de trabalho (que não conhecem).

    A MS podia ser a mais bela empresa do mundo. Mas não é.

    Não é a questão se ser anti-seja-o-que-fôr. Trata-se de opções por algo que se julga ser correcto, geralmente fruto de alguma experiência acumulada.

    Não se esqueçam: o vosso nome é algo precioso. Não o usem para fins como assinar contratos para ter SW legal barato. Revela pouca personalidade. Tentar criar uma imagem positiva à força da MS, não revela muita inteligência. Leiam as notícias.

    A MS fechou e terminou a execução de excelentes projectos. Bons demais para merecerem o triste fim da mão pesada do poder financeiro.

    E não se esqueçam, que os melhores engenheiros de software, não estão ligados à MS nem a seus produtos.

    Para terminar, ao usarem a negação !not não se esqueçam de colocar o pin da MS na lapela… patent oblige…

  21. @Dextro
    A minha posição é que as empresas não podem fazer o que bem entenderem. Tens um exemplo recente, que prova isso mesmo: a condenação da Microsoft pelo Tribunal Europeu. E a história da Microsoft está repleta de acções condenáveis como essa.

    O Kill Halloway percebeu exactamente o que eu queria colocar à discussão: o que leva um aluno promissor (uma pessoa que organiza um Take Off, mesmo com alguns problemas tem competências para ser um aluno e um profissional promissor), no início no seu percurso profissional a agarrar-se a uma empresa como a Microsoft, a colar o seu nome à Microsoft.
    É isto que não entendo.
    E continuo a dizer que é uma pena.
    E continuo a dizer que a entrada da Microsoft nas Universidades e Instituições de Ensino Superior é má: é execrável ver um professor a dar um cd de um programa crackado a um aluno, é execrável um professor ensinar um aluno baseando-se em software proprietário, que o aluno não tem poder económico para comprar, depois.
    Eu não censuro nem condeno as pessoas que usam software proprietário, mas censuro e condeno que o ensino se baseie nessas ferramentas uma vez que elas, na maior parte das vezes, conduzem à pirataria. Ensinar uma pessoa baseando-se em ferramentas que ela não vai poder comprar e sem lhes dar a conhecer alternativas é execrável sim!

  22. @paulo
    Ha muitas maneiras de ser closed e partilhar algumas coisas….

    @paula
    não é o meu erro… todos os meus colegas que não conhecem o mercado de trabalho seja ele qual for, continuam na ilusam de que chegam as empresas e estão altamente qualificados…

    e eu sou daqueles que odeia cadeiras de marranço…. (pessoalmente acho que deviam acabar :) ), e sei perfeitamente que na univ os professorers apenas assumem um papel orientadores, tu é que deves fazer o trabalho de casa que é estudar, investigar, praticar… como um prof meu disse no inicio de uma cadeira… “voces não podem chegar as aulas a espera que eu professor dê materia nova, devem sim chegar as aulas e ver apenas que as coisas podem ser feitas de outra forma, daquela que voces ja conhecem…”

    @Mind Booster Noori

    ok eu admito que a microsoft é uma empresa extremamente competitiva, e até mesmo monopolista… mas não é nada que outras empresas não o façam…

    “Microsoft é uma empresa má para a evolução tecnológica: ”

    só porque uma empresa não divulga os frutos de milhões de euros em investimento em I&D, torna-a má? por exemplo um caso que agora esta em voga, a F1, não estou a ver nenhuma das marcas a revelar alguma coisa….

    em relação a essas noticias, e agora ponto toda a guerra informatica de lado, essas leis são muito bonitas, especialmente para a concorrencia das empresas que fazem investigação… sob o ponto de vista de muitos CEO das empresas de muitas areas partilhar o que quer que seja com outras empresas esta fora de questão…

    quanto a esse caso especifico, e especialmente a razão do caso o media player… acho absurdo tanta coias por causa disso… que eu saiba podem instalar outro players… ok não é possivel remover, mas os programas podem coesistir… tu tenho aproximadamente uns 7 programas para ouvir musica…. anyway..

    em relação a parte do meu comentario final, foi um pequeno typo… sorry

    @Kill Halloway
    em relação as palestras, aprendes uma coisa que te da geito para o resto da vida, que é, o medo de enfrentar o publico, conheco varias pessoas que se prejudicam so porque quando estão a fazer apresentações/defesas de trabalhos começam a “patinar” e a engasgarem-se… e isto é uma coias que só la vai com experiencia, experiencia essa que este tipo de palestras te permite ter…

    cumps
    André Sousa
    MSP

  23. @paula: não leias meia frase, eu disse que em relação ao marketing podem fazer o que quiserem (nota: marketing!) dentro dos limites legais como é francamente obvio.

    E os processos da União Europeia são dignas de um estado paizinho, coisa de que eu sou contra. Até porque vou relembrar uma certa marca da maçã que não só vende os computadores com leitor multimédia (iTunes) como também atira o resto da suite iLife para a mistura… No entanto a MS é que é processada por incluir o Windows Media Player…

  24. http://port25.technet.com/
    http://channel9.msdn.com/
    e por ai fora…
    o resto é clubismo.

    Que razões levam um aluno da área de informática a aceitar ser MSP?
    qur tal abrir mais uma porta na sua vida? em vez de ser um troll…

  25. @André:
    > só porque uma empresa não divulga os frutos de
    > milhões de euros em investimento em I&D, torna-a
    > má?

    Não, mas uma empresa que usa os seus milhões para tomar medidas anti-competitivas, comprar votos em vários países para a aprovação de falsos-standards (como o OOXML), fazer lobbies para aprovar leis anti-competitivas (como as patentes de software), defender medidas restritivas com o o DRM ou o “Trusted” Computing, e tirar os direitos, liberdades e privacidade aos seus clientes com coisas bonitas como as que se podem ler no license agreement do Windows Vista, isso sim é mau. Não ponham coisas na minha boca: eu não sou contra empresas, corporações, pessoas que vender software ou o closed source. Mas a Microsoft não é isso, não é só isso. É uma empresa que recorre frequentemente do abuso de poder para controlar o futuro da informática e da sociedade, impedindo o seu bom desenvolvimento.

  26. Ao contrário do que a comunicação social realçou, o que é verdadeiramente errado e que foi penalizado pela EU como tal nas acções como estas é que “a Microsoft tem de cumprir com um conjunto de remedeios dos quais se destacam a publicação das especificações de formatos e protocolos que permitam à concorrência interoperar com o seu software”.

    Mais informação aqui.

  27. ok… mas ai voltamos a um dos pontos do anti-microsoftismo… porquê é que so a microsoft é criticada? que eu saiba bem recentemente a Apple modificou a forma que a base de dados do itunes, impossiblitando os poucos programas que existem compativeis com os ipods… mas no entanto não vejo nenhum processo a em nome da apple….
    que eu saiba a justiça é igual para todos…

    anyway….. :s

    cumps
    André Sousa
    MSP

  28. André:

    Eu nem gosto da Apple, mas isso não vem ao caso. A Apple modificou a base de dados de ficheiros para os novos iPods, fazendo com que estes só funcionassem com o iTunes durante uns tempos, o que aliás, e infelizmente, é suposto desde sempre: compras um iPod é para o sincronizares com o iTunes. Não gostas? Não compres. Ainda assim, e se queres mesmo ir por aí, a EU está também a estudar um possível processo à Apple por posição monopolista no mercado da música digital. Felizmente, a Justiça é igual para todos.

  29. Ricardo Rodrigues says:

    Eu sou um utilizador de várias tecnologias MS, sei realizar criticas construtivas a vários aspectos negativos e positivos sobre os seus produtos, principalmente na área de developing (a que mais me interessa), mas da mesma forma que formulo a minha opinião em torno dos produtos MS faço o mesmo em relação a todos os outros produtos (e tecnologias) que uso no meu dia-a-dia no meio informático em que me insiro, tal como não posso criticar a Microsoft como uma empresa global apenas pelo que ela representa ou pela ideia formada pelos consumidores em geral, não posso nem devo fazer o mesmo em relação a outras empresas, porque o que realmente devemos analisar são tecnologias/produtos/oportunidades que cada empresa nos oferece.
    Eu uso o XP e o Vista como OS, ao mesmo tempo que uso o suse ou o fedora ou o unbunto ou o gentoo, já passei por várias distribuições de linux, já trabalhei com solaris num projecto, e ainda estou para descobrir um OS que não tenha uma falha de seguraça ou um bug tremendo que dê valentes dores de cabeça, tal como em linguagens de programação, já trabalhei com cobol, j2se e j2me, abap, php, asp e aspx, etc, e com DB’s ja estive em contacto com oracle 9i, mysql e sybase.
    “Cada macaco no seu galho”, e para cada projecto/utilização tem de se medir muito bem com grande ponderação um orçamento, necessidades, particularidades “do que se vai usar”, e mais importante “onde”.
    Portanto, “odiar” a MS só por odiar não me parece uma boa conduta, que um aluno que supostamente se deve auto-educar, deva tomar, afinal de contas, se seguirmos esse rumo, metemos dentro da mesma caixa a oracle, a sybase, a ibm, a red hat, etc etc, pois todas elas realizam o seu marketing da forma que pensam ser mais proveitosa para as suas necessidades, a MS aposta no programa student partners, como pode alguém criticar o facto de uma empresa tomar uma iniciativa destas?
    Neste País critica-se a falta de oportunidades de emprego, crtitica-se o facto de por vezes as empresas não apostarem na formação contínua e conjunta com as faculdades Portuguesas, depois quando uma grande sw house como é a MS cria este programa surgem criticas, que é apenas uma forma de marketing, de se chegar ao alunos e captar novas competências para mais tarde conquistar mercado, é claro que a MS pretende tudo isto, mas ao mesmo tempo e para dar a titulo de exemplo a minha faculdade, renovou um laboratório todo com máquinas de topo, promoveu acções de formação com certificação microsoft, colocou os seus cursos disponíveis para todos os alunos das licenciaturas de áreas tecnológicas a um preço simbólico, entre uma série de outras regalias, e se aproveitar todas essas regalias significa que eu sou um vendido, sim admito que o sou, pois agradeço a qualquer identidade que me possibilite desenvolver as minhas capacidades cognitivas e me proporcione as ferramentas adquadas para o fazer, seja a Microsoft, a oracle, ou outra qualquer.
    Eu não sou de qualquer forma um “ceguinho” completamente ofuscado pelos “doces” que me disponibilizaram, mas dou créditos à MS pela sua iniciativa, e não é esse facto que me faz dizer mal da ideologia open source, mas não considero que a MS seja o monstro que por vezes muitas pessoas pintam, e entre algumas politicas menos correctas, continua a ter muito boas atitudes perantes os consumidores dos seus produtos, e parceiros de negócios. Tal como todas as grandes empresas existem aspectos negativos e positivos, não podemos analisar as mesmas como apenas um grande bolo maléfico e inutil.

    PS- Se considera que grande parte dos alunos não tem a atitude correcta perante o ensino universitário, deve considerar também o facto que por vezes ser autodidacta não é a melhor forma de aprender, e que deve existir um meio termo, que muitos professores não sabem manter, e tornam a vida dos seus alunos muito complicada.

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