Quando comecei a conhecer melhor o Second Life (SL), uma das primeiras questões que me coloquei foi “Quando é que os Governos irão começar a querer a sua parte?”
Isto porque o SL tem uma economia própria, que movimenta enormes quantias de dinheiro, que pode ser transformado em dinheiro real. E, há, efectivamente, muitas pessoas a fazerem muito dinheiro no SL.
Outra questão que se levanta tem a ver com o facto do SL ser construído pelos residentes, não havendo propriamente uma regulação.
Quando estive na Universidade de Aveiro, no workshop sobre Second Life, a Robin “Linden” Harper, vice-presidente da Linden Lab, levantava algumas destas questões, sem ter ainda respostas. Deveria o SL reger-se pela leis do Direito? E quais? As do país onde estão os servidores ou as leis dos países de onde são os residentes? Deveria o Linden Lab criar as regras, governar ou esse governo deveria ser feito pelos residentes? Deveria existir um núcleo eleito ou simplesmente existir uma auto-regulação? Relativamente à economia, colocavam-se outras questões como quem beneficiaria da riqueza criada no mundo virtual? Deveriam existir impostos? E estes deveriam ser cobrados pelo país do residente ou pelo país onde estão os servidores? Quando é que os Governos dos vários países vão começar a exigir impostos?

Chegou-me hoje à caixa de email, uma messagem de uma das listas de educação no SL, nas quais estou inscrita, que apontava uma nova regra no SL, que bane os casinos ou qualquer forma de jogo de apostas, devido à lei americana:

While Linden Lab does not offer an online gambling service, Linden Lab and Second Life Residents must comply with state and federal laws applicable to regulated online gambling, even when both operators and players of the games reside outside of the US. And, because there are a variety of conflicting gambling regulations around the world we have chosen to restrict gambling in Second Life as described in a revised policy which is posted in the Knowledge Base under “Policy Regarding Wagering in Second Life”.

In Wagering In Second Life: New Policy

Esta notícia começa a gerar preocupações, mesmo na comunidade educativa. Cito uma reacção de um professor da mailling-list (procurei o link para a messagem, mas ainda não está disponível no arquivo):

I’m afraid this could be the beginning of the end of “SL as a game/community” because the next step could be to ban all those “SL Banks” in world, because in some countries it is not legal to lend money and payout interest without a bank licence.
Maybe the next could be banning education, because in some countries (like in Germany) you need a special permission if you provide e-learning over distance (even if students don’t have to pay for classes).
And: in some countries like China, things like free speech is not allowed. So maybe SL will comply to these laws also, and they may ban open chat in the future.
So, will we end up being a community of dancing zombies, just animating in silence (with no music for sure, because playing music is also restricted by law if you don’t pay a fee)?

(Negrito meu)

2 Respostas a “Second Life: Governos nervosos?”
  1. Outra questão que se levanta tem a ver com o facto do SL ser construído pelos residentes, não havendo propriamente uma regulação.

    Quem me dera que assim fosse, mas infelizmente (e para mim esse é um dos defeitos do SL) não é. Chama-se “Second Life: Your World. You Imagination.”, mas na realidade o mundo continua a pertencer à Linden Labs, e eles é que mandam e regulam, os “cidadãos” do SL só podem fazer aquilo que a LL deixar, enquanto deixar.

    Quanto ao caso dos casinos no SL, também li e estava para falar sobre isso. Apesar da Linden Labs estar a falar como se estivesse apenas “a fazer o que é necessário por lei”, na realidade esta medida não era necessária: “Linden Lab and Second Life Residents must comply with state and federal laws applicable to regulated online gambling, even when both operators and players of the games reside outside of the US.” Isto significa que a LL não pode fazer nada de ilegal (duh) e que os utilizadores também não. Mas eles próprios também dizem que “Resident compliance with real world laws has always been an integral part of our Terms of Service”, pelo que, para aqueles em países em que o virtual gambling é ilegal ou deve ser regulado, eles já eram proibidos de usar esses serviços de qualquer forma, não há novidade nenhuma aqui.

    Em suma, a Linden Labs tomou uma posição e escolheu um caminho que lhes dava jeito, indo contra a vontade dos seus utilizadores, mas, ao contrário do que querem dar a entender, eles não tinham de o fazer, eles escolheram fazê-lo. Mas numa altura em que eles estão a ver possibilidades de acordos financialmente muito vantajosos para a Linden Labs com alguns países e governos, fazer isto é como que passar uma “carta branca”, e dizer aos governos “nós somos bonzinhos e vamos fazer o que vocês quiserem”.

  2.  
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