Ora vamos lá então discutir o DRM… a sério
Colocado por Paula Simões em Ciência/Tecnologia, tags: drmMantêm-se na blogosfera uma discussão sobre DRM. Podem ler aqui, as opiniões de alguém pró-DRM e aqui a refutação dos seus argumentos.
Parece haver a ideia de que as pessoas que se movimentam contra o DRM são também contra os direitos de autor, da mesma forma que parece haver a ideia de que as pessoas que se movimentam na área do software livre são contra a propriedade intelectual.
Não há mentira maior.
O DRM não funciona, para os fins que os seus promotores argumentam. Na verdade, o DRM só prejudica as pessoas que não querem piratear os produtos. Parece que uma música com DRM do iTunes aparece nas redes peer-to-peer em oito segundos…
Também não acredito que se consigam implementar sistemas de DRM infalíveis. Por cada novo DRM que se invente, haverá um puto qualquer que consiga “cracká-lo”… Mais, não acredito que se consiga implementar um sistema de DRM que não prejudique as pessoas que compram legalmente os produtos.
A discussão sobre a fiabilidade ou aspectos positivos do DRM é inglória e não tem sentido. É tapar o sol com a peneira. É remediar.
Há uns anos atrás, uma amigo meu fez um jogo para uma cadeira do curso que estava a tirar. E usou uma imagem que não era dele, uma imagem que encontrou na web. O que para o trabalho académico não importava, uma vez que ele ía ser avaliado pelo motor do jogo apenas.
Eu, que nem sou muito de jogar, mas uma vez que tinha sido ele a fazer o jogo disse-lhe para mo enviar que o jogava, ao que ele me retorquiu que não podia ser, que a imagem não era dele. E eu era uma amiga!
Isto faz-me pensar que há pessoas que sabem e que têm orgulho em fazer “the right thing”.
A solução para os direitos de autor e propriedade intelectual NÃO é o DRM, é a LEI, que já existe e a EDUCAÇÃO.
Porque é que com tanto plágio que grassa pelas nossas Universidades, estas não actuam? Em algumas instituições de ensino superior e oficialmente um aluno que cometa plágio tem sanções até não poder voltar a fazer a cadeira. Mas nunca se ouviu a aplicação destas sanções…
Como é que se fala de direitos autorais e de propriedade intelectual quando nas nossas universidades o professor continua a dar o cd do programa crackado ao aluno? Porque é que as nossas Universidades continuam a ensinar sobre plataformas proprietárias, que os alunos quando saírem para o mercado de trabalho não vão poder comprar, quando têm alternativas livres e open-source?
Se, mesmo com o DRM a pirataria continua a aumentar, porque é que as empresas continuam a usá-la?
Qualquer empresa que justifique o DRM como forma de combater a pirataria ou é muito naive ou é desonesta. Sim, porque o DRM prende as pessoas aos produtos dessa empresa e estas fazem dinheiro com isso.
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Para estares a dizer isto: “Sim, porque o DRM prende as pessoas aos produtos dessa empresa e estas fazem dinheiro com isso.”, é porque não leste com atenção o meu post, pois não?
Mas estamos de acordo que deve haver um debate sério de tudo o que tem vindo a ser discutido na blogosfera nos últimos dias.
Carlos, talvez não tenha lido o teu post com atenção, mas a indicação da discussão que se tem vindo a fazer na blogosfera, que penso ser muito importante, não significa que este meu post seja uma resposta ao teu.
Eu não falo como especialista, falo como utilizadora que se vê confrontada com uma série de questões, com as quais não devia. Não é só não ler as letrinhas pequeninas, não é só a chatice e os custos de transformar produtos que comprei de forma a poder utilizá-los, é não ter acesso a coisas por causa do DRM (caso do DVD My journey to Italy, por exemplo, só muito recentemente editado em Portugal)
o DRM não combate a pirataria e como consequência não protege direitos nenhuns.
É claro que preciso ter alguma calma, do que li do teu discurso, pareces ter a solução. Haverá um sistema de DRM, pronto a ser descoberto, que não me restrinja o acesso à cultura? Parece-me muito difícil, já que a própria filosofia do DRM vai no sentido da restrição, mas não deixo de esperar para ver…
Paula:
A solução que o Carlos defende no seu blog (ver comentários) é sempre na prespectiva “paga o justo pelo pecador”, a de que “a gestão de direitos digitais é um mal necessário”. Se é essa a solução que ele apresenta, então eu não fico à espera para ver: ela não me serve. Não estou disposto a pagar pelo pecado dos outros.