eu… eu quase não leio jornais… e foi agora, exactamente agora, logo após fazer um refresh ao meu cliente de rss que que me chegou isto

cesariny

LOUVOR E SIMPLIFICAÇÃO DE ÁLVARO DE CAMPOS (fragmento)

Eu, nada. Eu, eu, é claro…Paro um pouco a enrolar o meu cigarro (chove)
e vejo um gato branco à janela de um prédio bastante alto
Penso que a questão é esta: a gente, certa gente
sai para a rua,
cansa-se, morre todas as manhãs sem proveito nem
glória
e há gatos brancos à janela de prédios bastante
altos!
Contudo e já agora penso
que os gatos são os únicos burgueses
com quem ainda é possível pactuar
vêem com tal desprezo esta sociedade capitalista!
Servem-se dela, mas do alto, desdenhando-a…Não, a probabilidade do dinheiro ainda não estragou
inteiramente o gato
mas de gato para cima nem pensar nisso é bom!
Propalam não sei que náusea, revira
me o estômago só de olhar para eles!
São criaturas, é verdade, calcule-se,
gente sensível e às vezes boa
mas tão recomplicada, tão belo
cosida. tão ininteligível
que já conseguem chorar, com certa sinceridade,
lágrimas cem por cento hipócritas.

3 Responses to “de profundis amamus - 26 de Novembro de 2006”
  1. ah o cesariny…

  2. sim, o cesariny…

  3. adoro-o bastante… provavelmente adorá-lo-ei bastante durante muito tempo.

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