Dormia tão sossegada
Pernas tão tenras na cama
Eu fui-me chegando a ela
Quis partilhar uma chama

Dormia tão sossegada
Os dedos tão inocentes
Eu desejei-a tão forte
Os preconceitos ausentes

E a lua estava lá fora
Para além do firmamento
A fingir que não sorria
Desse espantoso momento

Dormia tão sossegada
Os lábios entreabertos
A calma em forma de sonho
Com os sentidos despertos

Ela ficou sossegada
Depois da minha visita
A desenhar os lençóis
Ficou ainda mais bonita

E a lua estava lá fora
Para além do firmamento
A fingir que não sorria
Desse espantoso momento

Nunca ninguém me tinha dito
Assim tão bem
Como alguém pode ser tão igual
Independentemente donde vimos,
Da cor da nossa pele,
Da nossa religião,
Do nosso dinheiro,
Da nossa moral

E a lua estava lá fora
Para além do firmamento
A fingir que não sorria
Desse espantoso momento
Desse espantoso momento
Desse espantoso momento.

        

Jorge Palma

Poucas letras conseguem explicar o sentimento de conforto que se pode sentir ao ver aquela que amamos e com quem partilhamos um leito ali deitada a dormir.

3 Responses to “Dormia tão sossegada”
  1. Pois é, pois é amigo Gustavo. E conheces esta?

    Ornatos Violeta - Ouvi Dizer

    Ouvi dizer que o nosso amor acabou.
    Pois eu não tive a noção do seu fim!
    Pelo que eu já tentei,
    eu não vou vê-lo em mim:
    se eu não tive a noção de ver nascer um homem.

    E ao que vejo, tudo foi para ti
    uma estúpida canção que só eu ouvi!
    E eu fiquei com tanto para dar!
    E agora não vais achar nada bem
    que pague a conta em raiva!

    E pudesse eu pagar de outra forma!
    E pudesse eu pagar de outra forma!
    E pudesse eu pagar de outra forma!

    Ouvi dizer que o mundo acaba amanhã,
    e eu tinha tantos planos p’ra depois!
    Fui eu quem virou as páginas
    na pressa de chegar até nós,
    sem tirar das palavras seu cruel sentido…
    Sobre a razão estar cega:
    resta-me apenas uma razão
    Um dia vais ser tu
    e um homem como tu
    como eu não fui
    Um dia vou-te ouvir dizer:

    E pudesse eu pagar de outra forma!
    E pudesse eu pagar de outra forma!
    E pudesse eu pagar de outra forma!
    Sei que um dia vais dizer:
    E pudesse eu pagar de outra forma!
    E pudesse eu pagar de outra forma!
    E pudesse eu pagar de outra forma!

    A cidade está deserta
    e alguém escreveu o teu nome em toda a parte:
    nas casas, nos carros, nas pontes, nas ruas.
    Em todo o lado essa palavra,
    repetida ao expoente da loucura!
    Ora amarga, ora doce…
    Para nos lembrar que o amor é uma doença,
    quando nele julgamos ver a nossa cura…

  2. A letra do Jorge Palma é muito bonita. É ainda mais bonito classificar de confortável este sentimento. Bonito, não. Exacto. Uma palavra exacta para um sentir difícil de descrever. Tudo de bom para o autor do post e para a dona das pernas tenras.

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