. . . . . . . . que . . . . . . . . . s a u d a d e s . . . . . . . . . de ti . . . . . . . . . da tua . . . . . . . l u c i d e z
. . . . . . que necessidade de ver o mundo pelos teus . . . . . o l h o s. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . que sentir . . . . . . . . . . e s t r a n h o . . . . . . . . . . este . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . que falta de . . . . . l ó g i c a . . . . . esta . . . . .
. . . . . . . . . que . . . . . . . . s o l . . . . . . . . de . . . . . . . . d i s t r a c ç ã o . . . . . . . . . . foi esta?

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Lindo, linda!
Paula, gosto dessa sensibilidade, algo etérea… que sol de distracção foi esta?… gostei.
Herberto Helder, gostas?
O surrealismo apetece.
Helder, O’Neill, Cesariny, Mário-Henrique Leiria… se bem que tenho um carinho especial pela poesia do O’Neill…
Humm… e Pessoa (o Joaquim)? Tenho uns sonetos perversos prontos para te arremessar, ou um peixe náufrago encalhado nas ondas verdes da insensatez. Se não tenho sono, e viver é fado imputado na origem? Fly… os Herdeiros do Vento saberão explicar-me porque vale, afinal, a pena!
Pois arremesse, sr. Gabriel, arremesse
Como ameaçado, aqui vai!
Lisboa tem um vestido azul feito de
mar e guerra.
E cheira a laranjas maduras.
Quandoa as gaivotas trazem no bico
os primeiros pedaços de sol para acender o dia,
Lisboa deixa correr os cabelos pelo Tejo
e o povo pelas ruas.
À mesma hora, a coragem agita no sangue
duas grandes asas inquietas.
Por todas as janelas destruídas, já o mar entrou,
derrubando acácias,
cantando hinos de espuma
E porque toda a coragem é necessária,
toda a esperança é legítima.
E agora arremesso eu este do mesmo Pessoa (talvez um pouco no sentido de um post aqui deixado há pouco tempo pelo sr. admin):
Europa Acidental
Europa acidental
Aqui nem mal nem bem
Aqui nem bem nem mal.
Aqui se alguém não é ninguém
É porque a gente nasce
De um modo ocidental:
Vivem uns bem e outros mal.
E afinal
É natural (naturalmente)
Que haja gente também
Gente que é gente de bem
E gente que é apenas gente.
Europa acidental.
O mal
É Ter na nossa frente
Um mar de sal.
Um mar de gente
Que de repente
(é assim mesmo: de repente)
fica vazio e sem ninguém
se um dia alguém
por mal ou bem
quiser ser gente.
eheheh… conheces o célebre “Poema Temperamental” do controverso Pessoa?