Um profundo céu azul.
Ao longe, a torre da igreja emerge sobre a linha verde dos salgueiros.
Aos meus pés, as águas mansas do rio.
A intensa luz do sol banha esta manhã quente de Junho.
A brisa fresca acaricia-me o rosto.
O silêncio.
Uma gota de felicidade desliza, suave, dentro do meu corpo…

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Apetece descalçar as sandálias e meter os pés na água.
Só os pés? Apetece meter o corpo todo!
- Menina, posso oferecer-lhe um lacinho?
- …
- Sou seropositivo há sete anos
- …
- Deixe-me colocar na sua gola, com todo o respeito.
- Obrigada, menina. Um dia feliz!
Um dia feliz!
É raro darem-nos “um dia feliz!”. Normalmente, levamos um “obrigada” ou “felicidades”. Levamos um nos anos: “Espero que passes um dia muito feliz”
Mas desejarem-nos assim “um dia feliz!”, assim, alguém que não nos conhece, nem conhecemos, é difícil.
Subo as escadas da igreja de São Tiago e procuro o senhor que costuma vender a CAIS. Não está. Entro no Central para um café. Às vezes, está lá dentro a beber uma cerveja. Tem um sorriso tão bonito aquele homem.
Quando subo a rua, vai logo sorrindo. Já me conhece. Já nem me aponta as revistas: diz-me bom dia e faz uma pequena vénia.
Também não está no Central!
Saio directa à Almedina (a caixa do 2046 já terá chegado?). O senhor está perto do Arco d’ Almedina. Os números da CAIS que tem já são repetidos.
Trouxe a “Cais do Oriente”. Alguém quer uma CAIS?