Há pouco tempo ouvi um argumento novo para a infidelidade: “Na natureza, a monogamia é rara”
É um facto.
Eu arriscar-me-ía a dizer que a maior parte dos comportamentos, que os seres humanos têm, são raros na natureza.
Cada vez gosto mais da minha geração. Era tão simples. Um gajo comprava umas Doc Martens, vestia-se de preto, cravava os olhos no chão, sorria o menos possível, fumava, enchia cadernos de poemas, fazia um piercing, “curtia” Joy Division e os pais ficavam com vergonha quando nos levavam às festas familiares.
Depois de um ano ou dois, a coisa passava, e um gajo descobria como era bom viver.
O que tem uma coisa a ver com a outra? - perguntará o avisado leitor…
São várias formas de chocar o outro.
Justificar a infidelidade com tal argumento serve este propósito. Primeiro, pela razão exposta logo no ínicio, segundo, porque, de outra forma, o “justificador” nem sequer usaria o vocábulo “infidelidade” (conotada com “engano”, “traição” - “não sejas infiel a ti próprio”) terceiro, o mais provável era o “justificador nem sentir necessidade de justificar…
Numa ou noutra altura da nossa vida gostamos de chocar o outro.
Gostamos, não.
Temos necessidade de chocar o outro.
Acontece isto quando nos damos conta de que parecemos todos iguais. E esta é uma forma de dizermos que somos únicos.
Depois a coisa passa… percebemos que somos realmente únicos e já não precisamos de o mostrar.
Mas, no meu tempo, a coisa era bem mais simples, isso era

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Era Paula?
Eu acho que o que choca mais é quando ao se chegar aos 27,28,29… ainda se anda com medo da própria individualidade e se tenta diluir isso no meio do barulho das luzes.
talvez não, Gustavo, mas a esta distância gostamos de pensar que sim… não?
medo da própria individualidade? hum…