Que escadas?
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“Desce as escadas e é na quarta porta do lado direito.”
Eu quase nunca tomo grande atenção às indicações que me dão para chegar a determinado local. Vou um bocado por instinto. Não me costumo enganar muito.
Mas desta vez era impossivel errar, o mapa era extremamente claro. As indicações até aquele momento eram perfeitas, até o arrumador estava no local indicado para nos apontar aquele estacionamento perfeito.
Mas ao chegar ao terceiro bloco de escritórios, abrindo a porta com o vidro partido (tudo indicado no mapa) as escadas não estavam lá. Bem…. estar estavam mas apenas umas escadas que subiam.
“Caramba! Tudo estava a correr tão bem…. Deve ser para cima!”
A minha mente analítica indicava-me que apenas poderia ser um pequeno erro.
Corro pelas escadas acima e …… um corredor com 3 portas de cada lado. Nenhuma quarta porta do lado direito.
“Já são erros demais.”
Volto para trá¡s e chamo o elevador.
“Tem de ser na cave.”
Espero e espero e chega o elevador. Entro e procuro o botão. Mas não estava lá botão nenhum abaixo do zero.
Pego no telemóvel e ligo para o numero que lá estava. Toca toca toca mas ninguêm atende.
Locked in a place where no one goes.
They ask no quarter
They have no quarter.
Lock the door, kill the light.
No one’s coming home tonight.
There is a girl out there tonight, locked in a place where no one goes. She does not know and she does not believe but i love that girl, and I will climb any stairs and will look in all elevators and jump over every fence. She just needs to be somewhere where I can find her and give me more or less good directions…. I normally find the away easily.
Have i told you how much i like to travel?
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“A mysterious train leaves for 2046 every once in a while”
2046 is a movie that every once i a while pops up in my blog brought by one of the other writers. I just saw this movie a couple of weeks ago and finally understood the magic around it. 2046 is not a movie, it is not an experience, it is not a travel. It is all this and something more.
If you get a chance to see this movie….. Please grab it and don’t let go. After that please come back here and say…….. whatever is one your mind.
Jazz me…
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“- What is jazz, Mr. Armstrong?
- My dear lady, as long as you have to ask that question, you will never know it.”
Isto das modas até é bom. Até agora, a moda, em Portugal, tem sido boas traduções, o casal Guerra com os russos (fui à procura de um link e encontrei o site da Assírio & Alvim, fabuloso - agarrem nos menus e coloquem-nos onde quiserem
- o utilizador a ‘construir’ o site), o Tamen com a Recherche (Depois do desespero da tradução dos Livros do Brasil do “O Estrangeiro” - há-de chegar o original, comecei a “obra que tem lá tudo” e fiquei encantada com o episódio da madalena e do chá - voltarei a ela mais adiante), agora o anúncio da tradução da obra de Musil…
Na música, começou a moda do Jazz… O DN começou a publicar o JazzBD (Ray Charles na semana passada, Ella Fitzgerald amanhã). Hoje, o Público, em parceria com a Universidade de Aveiro, oferece o primeiro cd da colecção “Let’s Jazz”, um projecto do José Duarte (5 Minutos de Jazz [download para ouvir] - Antena 1), com selo da Blue Note e da Verve.
La Vita ÃÂè bella
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Segunda-feira à noite, a caminho de mais um Pub Quiz, eis que páro nuns semáforos:

As etapas do desenvolvimento moral segundo Kholberg, Piaget e Rosen
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Etapa 1: Respeito pelo poder e pelo castigo.
A criança entre 1 e 5 anos decide o que fazer - o que está certo - de acordo com o que quer fazer e pode fazer sem se meter em trabalhos. Para ser correcto, deve obedecer às pessoas com poder e assim evitar o castigo.
Etapa 2: ÃÂ⬠procura do número 1.
A criança entre 5 e 10 anos tende a ser auto-servidora. Falta-lhe respeito pelos direitos dos outros mas pode dar algo aos outros no pressuposto de que vai receber tanto ou mais em troca. É mais uma questão de “Faço-te isto se me fizeres isto” do que lealdade, gratidão ou justiça.
Etapa 3: Ser um “bom menino” ou uma “boa menina”.
Os jovens entre os 8 e os 16 mudaram da atitude de agradar a si próprios para a atitude de agradar a pessoas importantes para eles como os pais, os professores ou os amigos. Procuram a aprovação e obedecem às expectativas de outros. Quando são acusados de fazer algo de errado, o seu comportamento é normalmente justificado com algo como “Toda a gente o faz” ou “Não tinha intenção de fazer mal a alguém”.
Etapa 4: Pensamento segundo a lei e a ordem.
A maioria das pessoas com mais de 16 anos interiorizou as regras da sociedade relativamente à maneira de se comportar. Sente-se obrigada a obedecer não apenas à família e aos amigos mas também às leis e costumes da sociedade. Vêm como importante o cumprir de um dever para manter a ordem social. Assume-se que os líderes estão certos. Os indivíduos adoptam regras sociais sem considerar os princípios éticos subjacentes envolvidos. O controlo social é assim exercido através da culpa associada ao quebrar de uma regra. A culpa, neste caso, é uma resposta emocional automática e não uma reacção racional de consciência baseada em princípios morais (como acontece na etapa 6). As pessoas nesta etapa acreditam que alguém que quebre as regras merece ser punido e “pagar a sua dívida para com a sociedade”.
Etapa 5: Justiça através da democracia.
As pessoas nesta etapa reconhecem os princípios morais que supostamente são servidos pelas leis e os costumes sociais. Assim, se uma lei deixa de servir um bom propósito, sentem que as pessoas numa democracia devem tornar-se activas e mudar a lei. Pensada desta forma, a democracia torna-se um contrato social através do qual todos tentam continuamente criar um conjunto de leis que melhor sirva o maior número de pessoas, ao mesmo tempo protegendo os direitos básicos de todos. Há respeito pela lei e um sentido de obrigação de viver segundo as regras, desde que elas tenham sido estabelecidas de uma forma justa e tenham um propósito ético. Apenas 20 a 25% dos adultos de hoje em dia chegam a atingir esta etapa em alguma altura da sua vida e a maior parte deles supostamente só o consegue após os 25 anos.
Etapa 6: Decidir sobre os princípios morais básicos pelos quais se vai viver a nossa vida e relacionar-se com todos de uma forma justa.
Estas pessoas raras consideraram muitos valores e decidiram-se por uma filosofia de vida que guia verdadeiramente a sua vida. Não seguem automaticamente as tradições ou crenças de outros ou sequer as suas próprias emoções, intuição ou noções impulsivas sobre o que é certo e o que é errado. As pessoas na sexta etapa escolhem cuidadosamente os princípios básicos a seguir, tais como preocupar-se e respeitar todos os seres vivos, sentir que todos somos iguais e merecemos oportunidades iguais, ou, de outra forma, a Regra Dourada*. São suficientemente fortes para agir segundo os seus valores mesmo que outros possam pensar que eles são estranhos ou que as suas crenças estejam contra a lei, tal como o recusar lutar numa guerra.
* Nota: a Regra Dourada, em linhas gerais, é o célebre “faz aos outros o que gostarias que te fizessem a ti.”. No entanto, esta regra é expressa de formas diferentes no Cristianismo, no Judaísmo, no Islamismo, no Confucionismo, no Budismo, no Hinduísmo, no Humanismo, no Comunismo e até pelos índios.
lynx e centericq
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Editado: problemas com os acentos, hei-de resolver este tambem
Ontem levei uma ‘rabecada’ (e de um expert, ainda por cima) por tentar utilizar um cliente de instant messaging em modo de texto. Como sou teimosa, nao descansei enquanto nao coloquei os acentos a funcionar. Como sou mesmo teimosa, tambem nao descansei enquanto nao tentei usar o lynx, que e’ um browser em modo de texto, e e’ nele que estou a escrever este post. Espero nao ter aqui o problema dos acentos
. Bom, acho que nao me posso considerar uma fanatica da consola, mas temos de admitir que e’ muito mais rapido, de ha algum tempo a esta parte venho sentindo que quanto menos usar o rato, mais tempo poupoÃÂâÃÂâ¬| claro que o design, principalmente no que diz respeito ‘a web e’ muito importante, mas para o trabalho, a maior parte das vezes relacionado com texto e com necessidade de concentracao, trabalhar em consola afigura-se-me particularmente vantajoso. Alem disso, ha’ uma serie de coisas que nao distraiem, e e’ um prazer para quem gosta de letras poder trabalhar em modo de texto ![]()
Caixa de correio
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Desço as escadas. Preparo a chave. Abro a portinha da caixa de correio. Não espero nada. Ou melhor espero que a luz da sala do outro lado invada o vazio do espaço.
Mas hoje, hoje a luz da sala iluminou uma fotografia a preto e branco deste senhor.
Fiquei a olhar para o homem e o cão do Yorkshire em 1976. Precisamente o ano em que nasci.
E esperei que do outro lado da fotografia me aparecesse a tua letra.
E apareceu.
O perigo da filosofia “…ou não”
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Há alguns anos atrás um colega assistiu a esta situação: um jornalista recebeu um telefonema de um amigo e colega indignado. O jornalista tinha dito naquele dia cobras e lagartos do colega e amigo, numa coluna do jornal. O colega e amigo, obviamente, telefonou a perguntar o que era aquilo, já que nem imaginava que o jornalista podia pensar assim. O jornalista respondeu com um sorriso “ÃÂâ X-inho, era a brincar!”
Cada vez mais as pessoas dizem o que lhes apetece e principalmente o que lhes não apetece, sem pensar. Porque no fim podem sempre dizer “oh, era a brincar”. Desta forma, estão sempre seguras. As maiores imbecilidades podem ser ditas, sem preocupação de serem entendidas, sem preocupação de pensar se vão magoar alguém, porque se o outro se sentir, podemos sempre dizer “era a brincar”. Tudo o que dissermos pode ser desconstruído com essas três palavrinhas “era a brincar”. Assim, nunca nos comprometemos.
Isto vai mais longe do que as palavras.
Também noto que cada vez mais as pessoas “não são assim”. Acções, atitudes tomadas são desconstruídas num ápice, basta dizer “eu não sou assim”.
Basta mostrarmos discordÃÂância com o comportamento que logo levamos com um “eu não sou assim” (pelos vistos toda a gente é perfeita!)
Se tudo o que as pessoas dizem pode ser a brincar e tudo o que as pessoas fazem nada tem a ver com elas, com que é que ficamos?
Cidade…..
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O cinema brasileiro está ao ataque do mundo. Cidade de Deus apareceu em 2003, bem como O Homem do ano. Ambos falam do crime das favelas, da vida, das relações entre bandidos, favelados, crianças/homens.
Cidade dos Homens é uma série com alguns dos actores de Cidade de Deus. A série é simplesmente brilhante, colocando uma tónica nova na forma de olhar a favela. As pessoas que lá vivem, o que as motiva, o que fazem para avançar, as relações estranhas que se desenvolvem. Se virem o DVD numa banca não esitem… comprem logo antes que esgote.
Geek I am
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Following the current trend here is my nerd score:
I am a Geek….. And I’m proud of it! I actually think that i cheated in one or two because i had that fealling that the score was getting way to high.
(found by ian)
Que fazer quando tudo está por fazer?
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Que devemos fazer quando parece que tudo está por fazer?
Na teoria devemos analizar o que está por fazer, medir prioridades e atacar o problema com maior prioridade. Em teoria de sistemas operativos aprendemos a escalonar processos tendo em vista que nenhum processo (problema) obrigue a que os outros nunca cheguem a receber tempo de CPU. Mas em computadores a mudança de contexto é relativamente eficiente, e no nosso cérebro? Outra questão é que o nosso cérebro é uma maquina massivamente paralela, logo trabalha em vários problemas e com várias estratégias para cada problema ao mesmo tempo. Então como ordenar aqui as coisas?
A theory of fun
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In the last months i have been working on what is probably one of my largest software developments. A Game
.
The game itself is a bit like the game risk, but with a more complex set of rules to give it more ambience. The game is being developed by a group of 6 for a scholl project on a course about user interaction. The teacher of this course is a remarkable person, and the other day he droped me a book called “A theory of fun for Game Design” by Raph Koster. This is one of the best books I’ve read so far because it gives a nice background on pure theory and some nice ideas on the DO’s and DONT’s. If you’re a game developer wanna be give this book a try.
The game itself is almost ready for beta release. But there is a BIG problem. The graphics on the game are mostly “stollen” from images.google.com and some of them have copyright. So if there is a graphics artist out there that wants to produce some GPL images…… please contact me so that i can one day put this in portage
.
Storytelling - Belle & Sebastian
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Picture a scene in your mind
Looks at all the people and take note of the setting behind
Listen, watch, and wait
A plot begins to take shape
There’s a story
And then characters will come to you
Relating events as they choose to
But all their words and actions come entirely from you
If you’re a storyteller you might think you’re without responsibility
And you can lead your characters anywhere you want
You have immunity
Have you considered the way
People might react to all the things that your characters say?
And are their actions hand in hand with what you wantto portay?
Are you sick?
Are you crippled? Insane?
Expressing the desires that daren’t speak their name?
Are you the one to be blamed?
Now you’re a storyteller you might think you are without responsability
But in directions, actions and words
Cause and effect
You need consistency
How can you finish the tale?
Lives which have played a part
Are summarised from the very start
And episodes left out to make it all go our way
“It’s a might big world
Some of it I’ve seen
But mostly I’ve only heard
And stories are all fiction from their moment of birth”
You’re just a storyteller
You’re not trying to escape responsability
If we believe you then you’re succesful
But you don’t make claims of verity
hoje às 15h, partida para 2046
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Departamento de Engenharia Informática (PóloII) da Universidade de Coimbra
Anfiteatro José Guilherme Silva
Metade de caminhos e caminhos inteiros
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Se cada um de nós percorrer metade do caminho, encontrar-nos-emos a meio?
Se cada um de nós percorrer meio caminho, ambos percorreremos o caminho inteiro?
Viagem ao país das pessoas
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Viajo muito. Muitas vezes são as pessoas que me levam. Também assim aconteceu desta vez. Fui dar, quase por acaso, ao país das pessoas. É um país bonito, mas com algumas peculiariedades, uma delas diz respeito a esta história que vos vou contar.
No país das pessoas, toda a gente faz exactamente a mesma coisa quando se levanta: agarram um saco cheio de certezas que colocam às costas.
Nunca ninguém saíu ou entrou em casa sem o seu saco de certezas. Assim que uma pessoa levantava uma dúvida, uma questão, a outra, lesta, tirava uma certeza do saco e brandia-a na frente da pessoa.
Que digo eu? Bastava a pessoa hesitar. Um hesitação e a pessoa estava feita. Levava logo com uma certeza em cima.
Um dia, ou melhor, uma noite, por um destes incríveis acasos, todas as pessoas adormeceram à mesma hora, o que significava que todas as certezas do país das pessoas estavam reunidas no grande cerco de pedra, onde as certezas eram guardadas durante a noite.
E por um segundo incrível acaso, foi exactamente nessa noite que se elevou uma voz cava, sobre o cerco onde estavam guardadas todas as certezas do país das pessoas:
- Todas as certezas são rídiculas - disse a voz
As certezas exaltaram-se, riram e penso que se ouviu uma a tentar fazer piadinha:
- Don’t be ridiculous! - (O sr. leitor há-de fazer o favor de ler esta frase com o sotaque exacto do primo grego daquela série de comédia de que não me lembro o nome. Não há-de fazer o favor? Há-de pois! Já que não tive tempo de fazer os efeitos sonoros, o sr. leitor há-de dar uma ajudinha)
Mas a voz ergueu-se novamente do breu da noite e repetiu:
- Todas as certezas são rídiculas
E depois de uma pausa em que nada se ouviu, acrescentou:
- Incluíndo esta!
E foi neste preciso momento que todas as certezas começaram a rebentar com o som exacto das bolas de sabão, mas num tom mais alto, evidentemente. (Não aqui não é preciso o caro leitor fazer o barulho, basta só imaginar)
O estimado leitor já está a adivinhar o que aconteceu na manhã seguinte…
O caos! As pessoas colocaram os seus sacos de certezas às costas, mas estes estavam completamente vazios e quando começaram a dirigirir-se para o seu trabalho e a falar com as outras pessoas perceberam que não tinham certezas e começaram a cair no chão e a contorcer-se como se estivessem cheios de dores.
E ficaram assim muito tempo, a gemer, a chorar e a contorcer-se por não terem as suas certezas, até o corpo estagnar de tão exaurido.
Até que uma pessoa começou a movimentar os braços, a tentar levantar a cabeça e disse para outra que estava prostrada perto:
- Olha, acho que me consigo levantar!
- Como consegues levantar-te? Se nem sequer tens a certeza de poder ficar de pé?
- Pois não, mas acho que vou tentar…
- Nao faças isso! E se caíres? E se não conseguires manter-te de pé? Não tendo a certeza de conseguires ficar de pé ou de saberes para onde vais é muito arriscado…
A pessoa ficou pensativa e depois disse:
- Sim, mas se não tentar nunca vou saber. Prefiro arriscar. Mesmo que não consiga não faz mal. Pelo menos poderei dizer que tentei. Na verdade, não consigo ficar com esta dúvida. Tenho de ter a certeza se consigo ou não.
E ante a outra pessoa incrédula, a pessoa lá se ergueu a custo e começou a andar. A pouco e pouco todas as outras pessoas se foram levantando e logo, logo o país das pessoas voltava à normalidade.
E foi assim que no país das pessoas, antes governado por certezas, as pessoas começaram a conseguir viver com as suas dúvidas.
A (In)Fidelidade
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Há pouco tempo ouvi um argumento novo para a infidelidade: “Na natureza, a monogamia é rara”
É um facto.
Eu arriscar-me-ía a dizer que a maior parte dos comportamentos, que os seres humanos têm, são raros na natureza.
Cada vez gosto mais da minha geração. Era tão simples. Um gajo comprava umas Doc Martens, vestia-se de preto, cravava os olhos no chão, sorria o menos possível, fumava, enchia cadernos de poemas, fazia um piercing, “curtia” Joy Division e os pais ficavam com vergonha quando nos levavam às festas familiares.
Depois de um ano ou dois, a coisa passava, e um gajo descobria como era bom viver.
O que tem uma coisa a ver com a outra? - perguntará o avisado leitor…
São várias formas de chocar o outro.
Justificar a infidelidade com tal argumento serve este propósito. Primeiro, pela razão exposta logo no ínicio, segundo, porque, de outra forma, o “justificador” nem sequer usaria o vocábulo “infidelidade” (conotada com “engano”, “traição” - “não sejas infiel a ti próprio”) terceiro, o mais provável era o “justificador nem sentir necessidade de justificar…
Numa ou noutra altura da nossa vida gostamos de chocar o outro.
Gostamos, não.
Temos necessidade de chocar o outro.
Acontece isto quando nos damos conta de que parecemos todos iguais. E esta é uma forma de dizermos que somos únicos.
Depois a coisa passa… percebemos que somos realmente únicos e já não precisamos de o mostrar.
Mas, no meu tempo, a coisa era bem mais simples, isso era ![]()
Robert Musil em Português
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O caro leitor perante este título há-de já ter sido acometido de espasmos e tremores ante a recordação da tentativa de leitura da tradução, por exemplo, do “O Jovem TÃÂörless”, dos Livros do Brasil.
Mas esta é uma boa notícia. As obras de Musil, vão ser pela primeira vez traduzidas directamente do alemão, sob a orientação de João Barrento e com a chancela da Dom Quixote. Até 2007, há-de estar a obra completa traduzida.


