Já por duas vezes - que eu me tenha apercebido - uma pessoa que conheço e prezo muito usou o seguinte extracto como argumento para rebater a atitude que tomamos muitas vezes de desresponsabilização perante aquilo que não nos afecta directamente, ou que faz parte da “maneira como o mundo funciona”, e que, como tal, somos demasiado insignificantes/impotentes para alterar (a minha mãe ficava-se pelos mais modestos e mais clássicos “tu não és os outros” ou “se fulano X se atirar a um poço, tu também te atiras?”):
“Primeiro vieram buscar os judeus e eu não me incomodei porque não era judeu.
Depois levaram os comunistas e eu também não me importei pois não era comunista.
Levaram os liberais e também encolhi os ombros. Nunca fui liberal.
Em seguida os católicos, mas eu era protestante.
Quando me vieram buscar já não havia ninguém para me defender…”
Martin Niemoller (pastor protestante) referindo-se às práticas desumanas
ocorridas durante a Segunda Guerra Mundial.”
Parece-me que esta é a questão central na discussão da moral e dos valores. Da importÃÂância, da necessidade dos valores.
Na minha interpretação, o imperativo categórico de Kant diz que para sermos moralmente correctos devemos
fazer aos outros aquilo que gostaríamos que todos fizessem a todos, não apenas o que gostaríamos que os outros nos fizessem a nós (é uma máxima universal).
Ao mesmo tempo, Nietzsche e outros existencialistas descartam em grande medida os valores. Ainda ao mesmo tempo, a psicologia moderna defende os valores e a moral como pressupostos importantes e decisivos para a saúde mental e a estabilidade emocional. Há no entanto, sobretudo nos círculos conservadores religiosos, muita gente a afirmar que as ciências “psi” e sobretudo a psiquiatria destroem por completo a moralidade da sociedade contribuíndo para uma crise de valores.
No meio de tudo isto, que importÃÂância dar aos valores?

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Sendo assim, antes de comentar isto devidamente talvez seja melhor (re)ler umas coisitas…
Não creio que Nietsche tenha descartado os valores. A sua obra ‘Para além de bem e mal’ foi abusivamente adoptada pelo Nacional-socialismo Alemão. Creio que a ‘ideologia/moral’ por ele advogada se refere aos níveis mais elevados da moral de Kohlberg: aí, a conduta de um homem é guiada pela sua consciência e não necessariamente (apenas) pelas regras sociais. Nesta perspectiva ‘bem e mal’ são construções sociais variáveis no tempo e na geografia; daí a necessidade do ’super-homem’ Nietschiano se guiar pela sua consciência. Como devem calcular todos os pequenos e grandes ditadores deste mundo fazem a leitura rápida deste princípio…
Interessantemente, este princípio encontra-se expresso até na nossa Constituição, ao reconhecer o direito à objecção de consciência (a consciência como imperativo acima das leis da República).
Dito isto, entendo que os valores são o alicerce da personalidade. Period.
O problema, as dúvidas, as insconsistências, o desconforto, geralmente prendem-se com a sua mistura com religião e regras sociais. Para as pessoas com convicção religiosas a fonte dos valores está na divindade, para os humanistas está na lealdade para com o seu semelhante, para os burocratas e outros escravos está nas regras (desculpem, não resisti
Os humanistas passam um mau bocado quando o pior da natureza humana se revela como aconteceu na segunda guerra mundial (o Sartre ‘passou-se’, o Camus lá se aguentou porque a natureza lhe dava algum ar para respirar). Os burocratas só estão mal quando reina a anarquia (e respiram de alívio quando uma nova ditadura restabelece ‘a ordem’), quanto aos religiosos, invejo quem acredita –sinceramente– numa causa primeira de Tudo; incluindo os valores.
‘O problema não é meu’ acontece quando alguém abdica do seu humanismo e aceita sem discussão as regras dominantes. E se torna um escravo.
{ … entrei aqui por acaso, em busca de algo sobre “sputnik meu amor” - interessante este espaço [ parabéns ] © de[mente] … }
Tentativas ou mesmo, relidades:
Estranho…50 anos num papel! A vida não … deixa viver!
São tudo um conjunto de dores, sofrimentos, de patamares sem passagem.
Gostaria de ser louca…só um pouco, para não ter consciência das palavras!
Não sentia até ao fim, seria o meu momento de paz!
Como é possível nascer, e não viver??? Dores físicas são menos dolorosas…
As lágrimas “cá delas” nos olhos já cansados e doridos. Seriam lamentos do pensamento, lamentos da vida.
Sinto e sei, que dei o que poderia dar:
de
milagres
não sei
De pequenina, chorei por dentro!
Na minha adolescência chorei, ri e sofri…
Segui o caminho….
Sofri, muito sofri….cansei, e agora estou TÃO CANSADA!
Existem limites e o meu chegou ao fim!
Dei “tudo” e “mais que houvesse” a tantos…e para quê?!
Dei a outros o que eu mesma precisava
dei a pele, o coração a alma:
O TUDO.
Enfim………………
Desafios de consciencia:
Conselhos de blog se saude/psiquiatria, peço apoio
Interessante o seu depoimento.
Profundo e simultaneamente controverso. Penso que deve existir um paralelo entre o “self”, a “moral” e todos
os “grandes pensadores”. Critérios ou teses são bases do N/self…assim se cria ” um carácter”. A realidade só
poderá ser esta, caso contrário existirá o tal “desconforto”. Os envolventes do “homem”, criam medos, dúvidas
em cada um patamar. Equilíbrio, pode ser surrial no entanto “É”, a saída.Tudo o resto é discutivel, e MUITO!
Será tema para longos dias …