Este post é mesmo para agradecer ao sr. Frog, pela sua responsabilidade na minha descoberta deste autor.

Entro numa livraria, percorro as estantes e retiro o “O Estrangeiro”. Dirijo-me ao balcão, aponto o livro e pergunto:
- Procuro um outro título deste autor…
- “A Peste”?
Ergo o olhar e deparo-me com um par de olhos muito abertos e um sorriso enorme.
- N-não - digo, quase tibuteando
A senhora, com o mesmo sorriso, torna à carga:
- “A Queda”?
Agora, perante tal ansiedade, quase tenho pena de não procurar esses títulos. Para não dar azo a mais uma desilusão, digo rapidamente:
- “O Avesso e o Direito”
- Ah! Vamos ver então…

O atendimento na Bertrand do CoimbraShopping melhorou consideravelmente no último mês. Não há nada melhor do que saberem do que estamos a falar. Por isso irei contar-vos um outro episódio.
Os amigos bem sabem como gosto de ler (se precisar de comprar umas calças, o mais certo é chegar a casa com um livro e… sem as calças) Assim, sempre me disseram:
- Tenho de te levar à Fnac, vais delirar com os livros que lá têm.
Pois decidi, há uns tempos atrás, ir à Fnac (no Porto) ver os livros que eles lá têm.
Na altura procurava títulos deste senhor.
Assim, procurei um funcionário e perguntei:
- Tem títulos de um autor polaco, Ryszard Kapuściński?
O funcionário ao pé do computador:
- Quem?!
- Kapuściński
- ka..?
- kapa, à, pê, u, esse, cê, i, ene, esse, kapa, i.
- Hmm… não, não temos indicação…

Irritada, saí da Fnac e fui enfiar-me na Livraria Leitura.
Entro e, quase como experimentando, pergunto ao funcionário:
- Tem títulos de Ryszard Kapuściński?
O funcionário com uma expressão triste, sem olhar para o computador:
- Neste momento, penso que só temos o “Ébano”.

Ah, isto é que é uma livraria! :)
Fiquem lá com as vossas Fnacs!

Uma Resposta a “Livrarias”
  1. Anónimo diz:

    Sou antigo funcionário da Leitura (facto de que me orgulho profundamente). Aí aprendi a não olhar para o computador, entre muitas outras coisas. O dinheiro falou mais alto, mas as saudades permanecem. Talvez se houvessem mais pessoas conscientes que as FNACs não são realmente de delirar (começando nos funcionários, continuando pela escolha, e muitos etc) as coisas fossem diferentes e a Livraria Leitura pudesse continuar a ser por muitos bons anos a livraria, na minha opinião, mais completa do país. É pena que a competência perca para as luzes. Consciente que isso nunca acontecerá, resta-me agradecer a si pelo bom gosto, por estar viva e pensar. Já agora, relate esse episódio ao funcionário e agradeça-lhe por ser um livreiro (no termo correcto da palavra).
    Com os meus melhores cumprimentos

  2.  
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