“Tu não dizes nada.
Tu nunca dizes nada.”
Apetece-me dizer-te que digo tudo.
Apetece-me dizer-te que digo sempre tudo.
Deixa-me dizer-te que as palavras que saiem de mim são límpidas e transparentes…
[Espera um pouco, deixa-me acabar]
…as palavras que saiem de mim são límpidas e transparentes quando colocadas dentro do recipiente certo.
Cada conjunto de palavras tem a sua própria caixa. E se forem colocadas na sua própria caixa, elas fazem todo o sentido.
É este o segredo, se lhe quiseres chamar segredo.
“Tu não dizes nada.
Tu nunca dizes nada.”
Dou-te as palavras, mas não te posso dar a caixa que lhes corresponde.
A caixa que corresponde às palavras que saiem de mim, e que permite vê-las de forma clara e límpida, és tu, que me lês, que a tens de construir.

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