Começara a chover e ouvia-se o som cadenciado dos pingos na cobertura da enome piscina de água aquecida.
Tu nadaste até mim e eu, de pernas cruzadas como um chinês, movendo apenas os braços na água, olhei para ti, sorrindo e reconhecendo-te.
Admirado, perguntaste como me mantinha assim, parecendo sentada dentro de água. Respondi que era muito fácil. “Cruzas as pernas como se estivesses sentado e depois moves os braços para não ires ao fundo”
Tentaste fazer o mesmo, mas quando cruzaste as pernas desapareceste na água.
E eu chamei, gritei as cinco letras do teu nome como se nunca as houvera gritado antes, e no mesmo segundo mergulhei, coloquei os meus braços sob os teus para te puxar e senti que não podia contigo. No mesmo instante, senti-me eu própria a ser içada e no minuto seguinte via-te já a rir. Continuavas a segurar-me pela cintura e eu, olhando para ti, apenas consegui dizer “assustaste-me”.
Não que fizesse alguma diferença. O susto já tinha passado, mas esta afirmação parecia sempre imprescindível. Funcionaria como um desabafo depois de um susto que apanhamos? Uma espécie de forma de sossegarmos? Ou teria uma censura velada? Um pedido para não o voltares a fazer?
“Mas eu sei nadar muito bem!”, justificaste, acrescentando com um sorriso “Além de que tenho pé aqui!”. Era verdade. Tinha-me esquecido de como eras alto. Fiquei com aquela sensação de o meu susto ter o seu quê de ridículo. Mas tu abriste os braços e eu enlacei os meus no teu pescoço, rodeei o teu tronco com as minhas pernas e tu tiraste-me da água.
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One Response to “Mergulho”
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Mergulhos assim….. são bonitos.