“O amor é representado em todas as culturas com os mesmos símbolos: arcos, flechas, olhos vendados, tochas a arder que inflamam os corações dos mortais. Normalmente é apresentado nu e com corpo de criança: porque é uma emoção que não se pode ocultar e porque permanece igual a si próprio. A paixão nunca aprende: é sempre idêntica, eternamente jovem, intacta, irreflectida. “Mas como é possível que volte a fazer, nas mesmas ocasiões, as mesmas loucuras?”, geme a razão, espantada, quando passamos horas à espera de um telefonema que nunca mais chega. “Será que não aprendo?” queixa-se o amante que sofre. E tem razão porque o amor mantém-se impermeável à experiência.”
Rosa Montero in “Paixões”, Introdução, p.14, Editorial Presença (não se assustem com a capa verde fluorescente)

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