Dei-me ao trabalho (qual trabalho? Pura diversão) de usar o PowerSearch do Imdb para encontrar filmes de 2004 que eu vi. Depois de muito debulhanço, sobraram 20 filmes (Nome, realizador, rating Imdb - a minha posta de pescada):

“Eternal Sunshine Of The Spotless Mind”, Michel Gondry, 8.6 - Dizem que é um dos melhores do ano, senão o melhor. Candidato aos Óscares inclusivé. Jim Carey sem ser em comédia. Não gostei. Fala da monotonia que as relações atingem inevitavelmente(?) e a história envolve o apagar voluntário e medicamente possível da memória de uma pessoa.

“Kill Bill, Vol. 2″, Quentin Tarantino, 8.2 - Espectacular conclusão de uma história bem conseguida. Demasiado violento, o que não acho mau se atendermos às razões e à forma como encaixa na história.

“Spider-Man 2″, Sam Raimi, 7.9 - Não sou fã de BD, nem do Homem-Aranha. Até gostei do primeiro filme e este parece-me ao mesmo nível. Se todos os filmes originários da BD fossem assim, talvez me tornasse fã…

“Shrek 2″, Vários, 7.7 - Foi um ano de sequelas, boas sequelas. Preferi o “Monsters Inc.” no ano do primeiro “Shrek”, o que não impede que goste deste último e desta sequela, que achei semelhante. O que prefiro realçar é a fantástica qualidade dos filmes animados que têm surgido nos últimos anos. É óptimo vê-los a concorrer de igual para igual com os filmes “normais”.

“Zivot Je Cudo (Life Is A Miracle)”, Emir Kusturica, 7.7 - Talvez o meu preferido do ano, mais um grande filme do grande realizador Jugoslavo. Ao que parece, mais fácil de aceitar pelo público “normal”. É uma história de amor com todos os ingredientes Kusturicianos. É preciso é ter cuidado com a falta de criatividade e originalidade que aqui já se notou.

“Collateral”, Michael Mann, 7.6 - Muito, muito bom. Cenários reduzidos, algo de que gosto particularmente. É um filme surpreendente, com o Tom Cruise e o Jamie Foxx em grande. É violento mas logicamente. Não é realista nem era suposto ser.

“The Passion Of The Christ”, Mel Gibson, 7.4 - Foi um ano de anti-religiosidade para mim, o que pode afectar a maneira como vi este filme. É muito violento, mas gostei muito porque está muito bem feito. Encaro-o como biográfico. Sou fã incondicional do “Braveheart” e por isso apoio incondicionalmente o Mel Gibson atrás das câmaras. Parece que tem jeito.

“Troy”, Wolfgang Petersen, 7.0 - Tinha expectativas baixas, o que provavelmente me levou a adorá-lo. Gosto do Brad Pitt tanto como actor como como exemplar da espécie humana. Um épico num ano de épicos, sobre Aquiles. Não é o Brad Pitt nas suas sete quintas, mas um óptimo esforço. Citei o filme noutro blog: “Os deuses invejam-nos por sermos mortais. Cada dia é mais bonito e maravilhoso por isso.”

“I, Robot”, Alex Proyas, 6.9 - Não é muito bom, especialmente atendento ao facto de se basear num livro do Isaac Asimov, a “Máquina-de-Escrever Humana”, o que à partida seria um grande ponto a favor. Simpatizo com o Will Smith, que não está muito mal, mas não gostei do filme. Soou-me a uma versão pior do “Minority Report”, que é baseado num livro fraquinho.

“50 First Dates”, Peter Segal, 6.8 - Começamos a entrar em território de menor importância e qualidade, o que infelizmente muitas vezes significa comédias. Gosto muito do Adam Sandler e este filme é muito engraçado, o que deve ser bom já que é uma comédia. Acho a história, e sobretudo a maneira como é mostrada, muito original.

“National Treasure”, Jon Turteltaub, 6.7 - Vi este a semana passada e foi bem melhor do que estava à espera. Sou um grande, grande fã do Nicolas Cage e não percebo certas escolhas de filmes que ele faz. Como esta. Mas podia ter sido pior. Bem pior, aliás. A história é maravilhosa, porque fala de uma História fantástica que é a da democracia Americana. Lembrou-me muito do inexprimivelmente fabuloso jogo “The Day Of The Tentacle”.

“Hidalgo”, Joe Johnston, 6.6 - O “Aragorn” volta num estilo completamente diferente, mas ainda a cavalo. Outro épico, mas este fraquinho. Entreteve-me porque a história tem elementos para isso. Provavelmente não se estava à espera de mais.

“The Village”, M. Night Shyamalan, 6.5 - O Americano nascido na Índia apresenta um título bastante aguardado, que é um dos maiores “flops” do ano. Tinha muitas razões para o ser, porque é difícil suceder a “The Sixth Sense”, “Unbreakable” e “Signs”, todos melhores. As altas expectativas influenciam muito a avaliação negativa. Óptimos actores e actuações no entanto. William Hurt, sobretudo, mas também Adrien Brody e Joaquin Phoenix. E um nome que provavelmente vamos ouvir muito no futuro: Bryce Dallas Howard. Pelo que fez antes, o novo “Hitchcock” está perdoado.

“The Ladykillers”, Os irmãos Coen, 6.4 - Os eternos incompreendidos, responsáveis por pérolas como “Fargo”, “The Big Lebowski” ou “O Brother, Where Art Thou?”, num filme bastante mau com Tom Hanks. Desta vez, até eu não os compreendi.

“Wimbledon”, Richard Loncraine, 6.3 - Quando os britânicos tentam fazer algo que não seja muito cómico, o resultado não costuma ser muito bom. Acho que isto é um exemplo, pois apesar de ser outra comédia romântica, género em que eles são mestres, não é muito cómico. Filme pastilha-elástica, Domingo à tarde, para ver em família, de que os fãs de ténis vão gostar mais que os outros.

“The Day After Tomorrow”, Roland Emmerich, 6.2 - Filme-tipo em que um ou mais heróis Americanos enfrentam catástrofes de proporções bíblicas. O realizador é repetente no género e nasceu na Alemanha (?). Normal. Efeitos especiais, maus actores, história ridícula. Mesmo assim, bom para o género. Não percebi o que é que o Jake Gyllenhaal lá estava a fazer.

“King Arthur”, Antoine Fuqua, 5.9 - Épico. Mau. O Antoine Fuqua está como o Johannes Pachelbel para a música clássica. Enquanto o segundo acertou uma vez e será sempre recordado pelo “Canon in D”, o primeiro acertou uma vez e será sempre recordado por “Training Day”.

“Along Came Polly”, John Hamburg, 5.8 - Lembro-me que gostei desta comédia, embora já não me lembre porquê. O Ben Stiller é um grande comediante e só ele costuma ser o suficiente para um filme valer a pena. Ele sabe fazer rir e rir vale sempre a pena. Só tenho pena que tantas comédias não sejam suficientemente inteligentes para rivalizar com os filmes “normais”.

“Alexander”, Oliver Stone, 5.5 - Cheguei há umas horas do cinema, onde estive a ver isto. É surpreendentemente fraco. A violência esperada está toda lá. O realizador esperado não. Uma história tão fantástica como a de Alexandre, o Grande, devia tornar este épico bem melhor. E os actores, todos já com grandes actuações no currículo, falham rotundamente. Quase todos. Como? São bons actores dirigidos por um bom realizador. O Anthony Hopkins mete dó. Completamente! Tanto, tanto talento desperdiçado! Onde está a Angelina Jolie que ganhou um Óscar merecidíssimo em “Girl Interrupted”, numa actuação prometedora da sua carreira que agora parece estranha? Onde está o Colin Farrell do “Phone Booth” e do “Daredevil”? E o Val Kilmer, o Jim Morrison de “The Doors” (que também não fez mais que isso, diga-se)? Não seria este um filme de actores? Bom, se era assim, para quê estes actores? A verdade é que todos os grandes filmes do Oliver Stone já têm mais de 10 anos. Parece que não é como o Vinho do Porto… O facto de aparecer em penúltimo nesta lista diz muito.

“Van Helsing”, Stephen Sommers, 5.3 - Acho que é um bom filme para estar aqui, em último. Gosto muito da Roménia e adivinhava-se que a história envolvia vampiros, mas este filme é muito estranho, o que nunca significou mau, mas significa neste caso. É uma mistura entre vampiros, lobisomens, o Frankenstein e mais alguns elementos de BD… Não conhecia o realizador, mas pelo currículo deve gostar muito de aventuras. Para além disto, fez toda a série da “Múmia” (O regresso, a vingança, o Rei Escorpião), “O Livro da Selva”, “The Adventures of Huckleberry Finn”… Podia era tentar pôr só um elemento de cada história nos filmes. Assim, um tipo fica confundido.

O maior post da história do blog?

4 Respostas a “Filmes de 2004”
  1. Paula Simões diz:

    Um dia, um dia eu irei conseguir dizer algo do género: “Os filmes de 2004″, ou “Os livros de 2004″ ou “As músicas de 2004″, quando finalmente me passar esta mania de ver, de ler e de ouvir coisas do passado. Por enquanto só poderei dizer:

    “Os filmes que eu me lembro de ter visto pela primeira vez em 2004″:
    Média: 10 em 10
    Playtime
    As férias do Sr. Hulot
    Jour de Fête
    Cuida do teu Gancho Esquerdo
    Mon Oncle
    Curso Nocturno
    Escola dos Carteiros
    (Jacques Tati)

    Média: 10 em 10
    In the mood for love
    Happy Together
    Chungking Express
    2046
    (Wong Kar-Wai)

    Média: 10 em 10
    Troubles with Harry
    Psycho
    Janela Indiscreta
    Marnie
    North by Northwest
    The Man Who Knew Too Much
    Vertigo
    The 39 Steps
    (Alfred Hitchcock)

    7 em 10
    The Damned
    (Luchino Visconti)

    9 em 10
    Lost in Translation
    (Sofia Coppola)

    9 em 10
    Roma
    (Federico Fellini)

    Média: 8 em 10
    Annie Hall
    Manhattan
    Everything You Always Wanted to Know About Sex * But Were Afraid to Ask
    Another Woman
    The Curse of the Jade Scorpion
    (Woody Allen)

    “Os cds que eu que eu me lembro de ter ouvido pela primeira vez em 2004″:

    8 em 10
    The Village Green Preservation Society
    (The Kinks)

    9 em 10
    O’Extravaganza

    “Os livros que eu li pela primeira vez em 2004″:

    Ok, fiquem descansados, não vou pôr aqui a lista :)

  2. Esta malta anda cheia de tempo livre nas mãos.

  3. Paulo Sacramento diz:

    Não deixa de ser humilhante que dessa tua longa lista eu só tenha visto, e não em 2004, um filme, o Lost In Translation :-)
    Também vi o Psycho, mas o do Gus Van Sant e não o do Hitchcock. Para bem do último, esperei que o do primeiro fosse bastante pior, mas já me disseram que não.
    E provavelmente já vi largos pedaços dos filmes do Woodie Allen que mencionaste.

    Um imenso obrigado por mais uma “ensaboadela” ;)

  4. Paula Simões diz:

    Não era suposto ser uma “ensaboadela”. Na verdade, tenho muito pouco tempo disponível para ir ao cinema, pelo que acabo por escolher filmes de realizadores que conheço ou que me chamam a atenção, algumas vezes filmes que já vi em DVD/VHS, muitos destes foram vistos em DVD, ainda que pela primeira vez em 2004, já que as salas de cinema parecem demasiado pequenas para os albergar.
    Ir ao cinema continua a ser para mim um ritual. Assim, guardo com especial carinho na memória filmes que vi no grande ecra: o “Aurora” do Murnau, que vi com a Manela, o “Playtime” do Tati, que vi com a Susana, o “Happy Together”, que vi com a Manela e a Susana e o “2046″, que vi com a Manela, do Kar Wai, a versão restaurada do “Moonfleet”, que vi com a Manela, do Lang, “Os respigadores e a respigadora”, que vi uma vez só e outra acompanhada, de Varda, o “Amarcord” do Fellini, que vi sozinha, ou o “Lost in Translation” que vi com a Susana ou os do Repórter X, que vi sozinha, mas onde reencontrei o sr. Admin desta casa. Como vêem também se torna difícil convencer o pessoal a aderir a esta seita do gosto de ver filmes de há 3000 anos atrás :)

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