Nada me consegue surpreender como a morte. Há algumas coisas que me surpreendem. Há algumas coisas com as quais não sei lidar inicialmente. Mas depois dou a volta.
Com a morte é diferente. Surpreende-me. Não sei lidar com ela nem inicialmente nem lhe consigo dar a volta. O meu corpo não sabe o que sentir.
No início, a surpresa dá lugar à curiosidade. Depois choque, mas pouco. Pouco, porque sobretudo é dormência. Dormência perante a irrealidade. E é tudo. Quando a dormência acaba, fica o vazio. Um vazio mais vazio que o normal. Aquele espaço nunca mais é prenchido. É um vazio no espaço e no tempo. Um vazio que não pode ser cheio.
Ainda me lembro do ar convencido e arrogante. Das expressões corporais que o acompanhavam e acentuavam. Da competitividade e da diversão, juntas como em poucos casos. Da infantilidade, mas também do respeito. Do não esquecimento daqueles com quem conviveu, assinalado no cumprimento em qualquer ocasião social. E por isso não me esqueci dele.
Ninguém se pÃÂôde despedir. Isto também não é uma despedida.


Tópicos (RSS)