[nota do Sr. Administrador]
Adoro surpresas. Por isso resolvi convidar uma pessoa a contribuir aqui no Blog, mas não avisei ninguem (nem os os outros membros da comissão executiva). Aqui fica a sua primeira contribuição ![]()
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Fiz há dias 42 anos.
Fiquei estupefacto com este número gigantesco. Quando penso em pessoas com 42 anos, penso em ’senhores’ e ’senhoras’, pessoas sérias de quem não se esperam brincadeiras, enfim, ‘adultos’.
É muito estranho, pois não consigo imaginar-me como uma pessoa ’séria’. Aliás, as pessoas sérias de um modo geral apenas são suportáveis uns breves instantes (’Bom dia, como tem passado?’), os indispensáveis para os fazer passar pelo teste do petit prince.
Mas é natural que a sociedade em geral me considere um ‘adulto’, pois estou casado, com filhos, emprego, pago os impostos…
E no entanto…
…creio manter um olhar límpido (ou apenas ingénuo) sobre o mundo que me rodeia: cada pÃÂôr-de-sol me fascina, o céu tem um azul incomparável, os bons filmes entusiasmam-me ou magoam-me, os livros conversam comigo, a música continua a ser o caminho directo para a alma, um noticiário não é vivido com indiferença, mas com a angústia da impotência. Continuo a gostar de brincar: o amor é um jogo delicioso que uma grande intimidade permite desfrutar em toda a sua plenitude.
Por tudo isso concluí ser a noção de adulto que me inculcaram que estava errada. É compreensível: a vida é bem mais complicada de viver com a sensibilidade desperta do que em estado de coma emocional.
Young hearts be free tonight.
Time is on your side.
[Rod Stewart]
(Em honra especial ao Paulo Sacramento no dia do seu aniversário.)

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Já disse aqui algures que não gosto de surpresas e parece-me haver apenas duas razões: ou ser do contra ou trauma do jornalismo e das suas routines produtivas.
Mas gostei tanto, tanto desta!
Um feliz aniversário (ainda que atrasado) e seja muito bem-vindo a esta casa, sr. frog!
Não resisto a pegar nesta ideia:
“a vida é bem mais complicada de viver com a sensibilidade desperta do que em estado de coma emocional”
para partilhar convosco um texto do António Torrado, num livrinho de contos da colecção Brevíssima Portuguesa, que já tinha partilhado com o sr. Sacra, e que deixo aqui o link para lerem. Se puderem adquirir ou requisitar numa biblioteca o livro em questão, não ficarão nada desiludidos com os outros contos…
Hibernação
Espero que as tags apareçam bem, o que é o mesmo que dizer, não apareçam
Uff, que alívio!!! Adorei este sei comentário, quantas vezes já senti o mesmo! Chego a pensar q nunca virei a ser “adulta”, mas gosto da ideia, a vida fica tão mais bonita!! Vejo que também gosta de “O Principezinho”, uma obra que me acompanha sempre e ofereço com frequência. Parabéns também pelo aniversário, mas sobretudo pelo ser humano bonito que me parece ser, o mundo precisa de muitos adultos assim, que nunca deixam morrer a criança que existe em cada um de nós, que conseguem ver o mundo com esse seu “olhar límpido e ingénuo”. Mais uma vez: PARABÉNS!!