Joe Gould
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Este texto foi, talvez, dos meus primeiros trabalhos jornalísticos, na altura ainda em ambiente académico e com apenas algumas “correcções cirúrgicas”, pelo professor. O livro é delicioso e é por isso que aqui fica:
“O livro ÃÂëO Segredo de Joe GouldÃÂû, de Joseph Mitchell, é o conjunto de dois retratos da mesma pessoa, separados no tempo por 22 anos, e escritos para uma rubrica, a que Mitchell chamava ‘perfis’, da mítica revista ÃÂëThe New YorkerÃÂû.
ÃÂëO Professor GaivotaÃÂû, retrato de ÃÂëuma alma penada de nome Joe GouldÃÂû, foi escrito em 1942 e traça o perfil do ÃÂëúltimo dos boémiosÃÂû: licenciado em Harvard e habitué das cafetarias, bares e tascas de Greenwich Village, Gould vive ÃÂëconstantemente atormentado pela mesma ‘trindade de males’: fome, ressacas e sem-abrigoÃÂû. Mas esta personagem de Nova Iorque é, também, autora do maior livro jamais escrito, ao qual chama ÃÂëUma História Oral do Nosso TempoÃÂû. Uma obra que conta nove milhões de palavras, faz 11 vezes o tamanho da Bíblia e tem por objectivo ÃÂëregistar a história informal da gente em mangas de camisaÃÂû.
O segundo retrato, escrito e publicado em 1964 sob o título ÃÂëO Segredo de Joe GouldÃÂû, traz duas revelações. A primeira concerne ao ÃÂësegredoÃÂû que o título nos faz adivinhar. É aquela que nos atrai à leitura, que desperta a curiosidade, mas à qual, paulatinamente, a segunda revelação se sobrepõe: para nos falar do segredo de Gould, Mitchell vai, subtilmente, desvelando o processo entre jornalista e fonte. A relação entre jornalistas e fontes pode ser comparada à celebração de um contrato entre duas partes, em que o não cumprimento de uma, liberta o cumprimento da outra. Joe Gould não cumpriu a sua parte (conscientemente ou não) e por isso, em algum momento, Joseph Mitchell teve de decidir entre a verdade que devia ao público e o respeito que devia à pessoa (e não já à fonte) Joe Gould.
E visto assim, este livro, é muito mais do que ÃÂëuma pequena obra-prima de observação e de estiloÃÂû, nas palavras do escritor Ian McEwan, ou de que uma ÃÂëpequena jóia de ternura e de observação bem-humoradaÃÂû, na recensão de Julian Barnes. Assim considerado, sublinhe-se, este livro é também a história de um jornalista ciente de que não lhe cabe julgar ninguém: ÃÂëA História Oral era a sua bóia de salvação, a única maneira de se manter à tona, e eu não queria vê-lo a afogar-se. Não queria ser eu a apontar-lhe o dedoÃÂû, escreve Mitchell.
Paula Simões
TÃÂÃÂTULO “O Segredo de Joe Gould”
AUTOR Joseph Mitchell
EDITORA Dom Quixote, 2001 “
U2 no top português
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Os irlandeses U2 subiram ao primeiro lugar da venda de álbuns em Portugal com “How to Dismantle an Atomic Bomb”, disco de platina, por vendas superiores a 40 mil unidades, revelou hoje a Associação Fonográfica Portuguesa à Lusa.
Na semana em que foi editado o álbum, a banda de Bono e the Edge destronou assim Phil Collins, que desce para o segundo posto com “Love Songs - a compilation old and new”.
Também não era preciso muito… O Phil ainda é vivo?
Albert Einstein
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Encontrei a frase abaixo na web, que intrepreto como “sabe melhor percorrer o caminho do que chegar ao destino”, “ganha-se mais com a procura do que com o achado”.
Acabo sempre a defender isto, de uma forma geral. É sempre melhor o processo do que o fim. No 12ÃÂú ano tive uma professora de Matemática que na primeira aula pediu para cada aluno escrever num papel o seu maior receio e dobrar. Depois juntou todos e foi lendo, tentando desmistificar os medos.
O objectivo era nobre, hoje como então, há gente com pavor da Matemática (A culpa é mais da sociedade do que dos alunos).
Comigo a coisa não correu muito bem. O medo, agora como então, é fim. Foi o diabo tentar explicar isto. O fim. Qualquer fim. O fim do ano escolar. O fim do dia. O fim de uma etapa. O fim de um exercício. O fim. Assim mesmo, por si só.
Talvez o fim de qualquer coisa implique uma mudança. Talvez eu não goste de mudanças. Talvez estivesse nesse momento a despontar o “ser jornalista”, talvez nessa altura eu já soubesse o que eram “routines”, talvez eu goste da rotina.
Talvez no fim não haja mais nada para saber.
Ou talvez esteja apenas cansada de ver gente à procura de qualquer coisa, com tal ÃÂânsia, que se esquece de saborear o agora.
Mas será possível saborear o agora? O processo? Será possível ter noção de que este momento preciso é especial? Ou só teremos essa percepção daqui a uns tempos, quando rememorarmos o passado e dissermos: “Lembras-te? Aquele foi um momento especial”
Se este post não fizer muito sentido, relevem. Ando cá desconfiada que comecei outra vez a crescer…
“The search for truth is more precious than its possession.
The American Mathematical Monthly 100 (3)”
Vou para casa (2001)
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Este filme de Manoel de Oliveira já está nos favoritos.
É um filme que permite pensar à medida que se vê. Permite respirar.
Os gags são deliciosos. As metáfora inebriam.
Aqui pode ler-se
Versão Completa de Entrevista PÃÂÃ
¡BLICO/Rádio Renascença a Manoel de Oliveira
Por POR FRANSCISCO SARSFIELD CABRAL (RÃÂÃÂDIO RENASCENÃÂâ¡A) E SÉRGIO C. ANDRADE, e David Clifford (fotos)
Segunda-feira, 29 de Novembro de 2004
“Medos” - Sofia (1989-1997)
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“‘Tu ainda tens tantos medos, P.!’ - Não são medos… são dores… que se transformam… uma e outra vez até se mostrarem como medos…
Como a vida. As dores como a vida.
Crescem, desenvolvem-se, modificam-se. As dores como a vida.
E saiem de mim, para o olhar dos outros, como medos.
‘Tu ainda tens tantos medos, P.!’ - são medos para ti porque te não posso explicar que são dores, porque te não posso fazer entender os ventos que me corroiem por dentro e vão destruíndo lentamente os pedaços que restam de mim…”
Março de 1996
Obrigada
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Este post é só mesmo para agradecer ao sr. Admin aqui da casa. A luzinha ali ao lado já está acesa ![]()
Pedido de explicações
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Exmo Sr. Administrador
d’ “O Blog do Gustavo Felisberto”
Gustavo Felisberto
Ofício nÃÂú1
Assunto: Pedido de explicações
Eu, Paula Simões, inquilina do supracitado “O Blog do Gustavo Felisberto”, com a identificação de nÃÂú2, venho desta forma solicitar a V. ExÃÂê que se digne dar as explicações pedidas em 28 de Novembro de 2004, pelas 20h25m, via instant messenger e que V. ExÃÂê me aconselhou a formalizar em ofício.
Desde já agradeço a V. disponibilidade e atenção.
Coimbra, 28 de NOvembro de 2004
Com os meus respeitosos cumprimentos,
Paula Simões
A propósito, de que linguagem serão feitos os ofícios bloguísticos? Existirão sequer? Agora que houve necessidade de fazer um, aproveitou-se a escrita no papel, mas na web, como seria?
Ai a minha vida……
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perdido:
do Lat. perditu
adj., disperso;
sumido;
extraviado;
naufragado;
fig.,
apaixonado em extremo;
devasso;
louco;
corrupto;
gasto em vão;
esquecido;
condenado (por uma doença);
s. m.,
coisa que se perdeu;
pessoa corrompida, desgraçada.
Preto e branco
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hipócrita - adj.e s. 2 gén. que ou a pessoa que tem o vício da hipocrisia; velhaco; fingido (Do gr. hypokrités, ÃÂëactor dissimuladoÃÂû)
hipocrisia - s. f. fingimento de boas qualidades para ocultar os defeitos; fingimento; falsidade (Do gr. hypokrisia, ÃÂëdissimulaçãoÃÂû
in “Dicionário da Língua Portuguesa”, Porto Editora, 8ÃÂê edição
Ele chamou hipócrita a uma rapariga que ela não conhecia. Ela defendeu a rapariga que não conhecia. Provavelmente ele tinha razão. Ela ganhara esta forma de estar na vida há meia dúzia de anos atrás. Em cada história há muitos lados e é preciso ver todos para não incorrermos em injustiças. Assim, ela defendia sempre pontos de vista contrários porque isto lhe permitia esgotar todas as possibilidades de interpretação das atitudes dos que a rodeavam. Na verdade, quem somos nós para aferir dos motivos, das razões, das dores do outro? De que autoridade nos revestimos para acusar o outro?
ÃÂâ¬s vezes, dizemos preto, mas na verdade queremos dizer branco. Só que não temos coragem.
a vida como ela é
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Não andamos aqui enganados porque nunca ninguém nos disse que a vida era fácil.
Mas bem que nos podiam ter avisado que aquela história das dores de crescimento doíam mesmo!
A noite é muito escura e muito fria.
Quer brilhe ou não, a lua está sempre lá no alto.
E às vezes está meia.
E está meia porque, às vezes, olha para mim.
Outras vezes, olha para a minha metade…
…
… que há-de andar por aí…
…
…sabe-se lá a fazer o quê!
Cara metade: quando nos encontrarmos, vamos ter uma conversazinha! Ai, vamos, vamos!
Uma noite descansada para todos vós.
Diz-me que nome tens…
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ÃÂâ¬s vezes, ainda que muito raramente, os emails levam-me a isto: http://significadonomes.com/
Deixo aqui o “significado” dos nomes dos inquilinos desta casa. Mas giro, giro é passar os olhos pela lista e descobrir nomes que não lembrariam a… (em português do Brasil)
“Gustavo - Significa bastão de combate ou cetro do rei e indica uma pessoa impetuosa e tão segura de si que às vezes pode parecer arrogante. tem chances de alcançar muito sucesso na carreira política ou militar. Do sueco “bastão de combate”.
Paula - Feminino de Paulo, ver esse nome. Nome de pessoas que valorizam a amizade e a fidelidade a uma idéia representativa de princípios éticos e morais. Seu lema é permanecer sempre ao lado de quem precisa de ajuda. A sua maior recompensa é o trabalho bem executado.
Paulo - Significa pequeno e indica uma pessoa com muita disposição e um otimismo contagiante. Encara cada dia como um novo degrau para obter o desenvolvimento material e social. Dono de uma ambição inata, planeja cuidadosamente os passos da sua caminhada para o sucesso. Do latim “pouco, pequeno”.
Alexandre - (Grego) - Alexandros, defensor da espécie humana.”
Beatles - When I’m 64
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When I get older, losing my hair, many years from now,
Will you still be sending me a Valentine,birthday greetings,
bottle of wine?
If I’d been out ’till quarter to three,would you lock the door?
Will you still need me, will you still feed me,
When I’m sixty-four?
Hmm——mmm—mmmh.
You’ll be older, too.Aaah, and if you say the word, I could stay
with you.
I could be handy, mending a fuse, when your lights have gone.
You can knit a sweater by the fireside, sunday mornings, go for
a ride.
Doing the garden, digging the weeds, who could ask for more?
Will you still need me, will you still feed me, when I’m sixty
four?
Every summer we can rent a cottage in the Isle of Wightif it’s
not to dear. We shall scrimp and save.
Ah, grandchildren on your knee, Vera, Chuck, and Dave.
Send me a postcard, drop me a line stating point of view.
Indicate precisely what you mean to say, yours sincerely wasting
away.
Give me your answer, fill in a form, mine forever more.
Will you still need me, will you still feed me, when I’m sixty
four?
by John Lennon/Paul McCartney
“Eu amo tudo o que foi”
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Fernando Pessoa
“Eu amo tudo o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errÃÂônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia. ”
Aqui há mais.
La Vita ÃÂè Bella - Roberto Benigni e Vincenzo Cerami
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Vi este filme 22 vezes, em VHS :), há muito tempo atrás. Depois mandei vir o guião. Deixo aqui um cheirinho:
Si sente un grido.
VOCE DI DORA - Ah!
Proprio sulla testa di Guido, nella piccionaia, una ragazza ÃÂè stata punta da una vespa. Perde l’equilibrio e cade giú, tra le braccia de Guido, mentre tutti i piccioni scappano fragorosamente. I due ruzzolano a terra, sulla paglia. Lei ÃÂè sopra di lui, sul volto una mascherina velata.
GUIDO (sorridendo) - Buongiorno principessa!
DORA - Oddio, volevo bruciare quel nido di vespe… ma mi hanno punto.
Intanto si gira su un fianco. Il velo le cade dal viso.
DORA - …Meno male che c’era lei! Ahi!
Si strofina la coscia subito sopra il ginocchio. Guido ÃÂè sdraiato accanto a lei.
GUIDO - L’ha punta una vespa? Lí? Con permesso!
Le toglie la mano dalla coscia e si getta con la bocca sulla puntura. Succhia e sputa.
GUIDO - Bisogna levare il veleno put… subito! ÃÂÃÂ pericolosissimo! Put… Si stenda principessa put… ci vorrà put almeno mezz’oretta… put!
Lei, sorridendo, si ritrae e si alza in piedi. Si alza anche lui.
DORA - Ecco, grazie, ÃÂè passato!
GUIDO - L’ha punta da qualche altra parte?
Lei raccoglie da terra la maschera antipungiglione.
DORA - No, grazie.
Guido ride guardando il cielo.
GUIDO - Ma che posto ÃÂè questo? Ma ÃÂè un posto bellissimo: volano i piccioni, le donne ti cadono dal cielo! Io mi stabilisco qua!
“Se quiseres ir, vai” - Sofia (1989-1997)
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“Amo-te. Assim, cruamente em português, nada como nos filmes. Mas assim como na vida. Se não estiveres bem, eu também não estou. Por isso, se queres ir, vai. Eu estarei sempre por aqui.”
Mulheres?!
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Num corredor de uma faculdade:
Uma rapariga (para as colegas) - Eu não deixava que me tirassem o namorado! Passava por cima dela e conquistava-o outra vez!
(…)
Outra rapariga (para as mesmas colegas) - Diz lá, se agora acontecesse outra situação, mas com outro rapaz e com outra rapariga, não passavas por cima dela também? Eu cá, passava por cima de qualquer uma para atingir os meus objectivos!
É quando ouvimos estas coisas que mais custa ser mulher.
Aniversário
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Ontem o Causa Nossa fez um ano. Que conte muitos, que neste caso, bem são necessários.
Hugh Grant vs Colin Firth
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Este post é só para mulheres que trancaram previamente, e durante alguns minutos, o cérebro.
Este ou este ou ainda este não chegam aos calcanhares do teu Hugh Grant.
Pronto, pronto, fica lá com o HG, que eu fico com o CF. Ooops, o moço é casado! É sempre assim, caríssimas, os bons já estão arrumados ou prontos a arrumar; os muito bons não avançam.
Eu avisei que este post era só “para mulheres que trancaram previamente e durantes alguns minutos o cérebro”.
Escrever um post destes nesta casa é o preço que se paga por umas gargalhadas (e bem necessárias) num filme de pipoca (literalmente
) - há filmes que dão cabo do relógio biológico de qualquer mulher!!!
New Dawn Fades - Ian Curtis
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Change of speed, a change of style
A change of scene, with no regrets
A chance to watch
admire the distance
Still occupied - though you forget
Different colours, different shades
Over each mistakes were made
I took the blame
Directionless, so plain to see
A loaded gun won’t set you free
So you say
We’ll share a drink and step outside
An angry voice and one who cried
We’ll give you everything and more
The strain’s too much,
can’t take much more
Oh I’ve walked on water,
run through fire
Can’t seem to feel it anymore
It was me - waiting for me
Hoping for something more
Me - see me in this time -
Hoping for something else
Edward Hopper (1882-1967)
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Hopper é um dos meus pintores preferidos. Há quem diga que ele é um pintor menor, mas eu não me canso de olhar imagens dos seus quadros. Torna-se irresístivel reflectir a questão do dentro/fora e das personagens ou da ausência delas.
Tati deve ter percebido isso. No Playtime, o filme sem história, pode ver-se:

Aqui pode encontrar-se um scrapbook.