Leio devagar, sempre li. Tenho dificuldades de concentração e a minha atenção está sempre a flutuar. Ao ponto de ter de ler a mesma frase, parágrafo, página várias vezes.
Isto tem os seus inconvenientes mas também tem uma grande vantagem. Serve para filtrar os textos realmente bons, os que nos prendem, seja pela história, seja pela beleza da escrita.
Ontem à noite, em duas, três horas, sobretudo pela segunda razão, li o MacBeth, de William Shakespeare.
Tudo bem que são só cerca de 60 páginas e é teatro, mas no meu caso isso é um óptimo tempo. Apetece-me dizer que aquilo é provavelmente a coisa mais bonita que já li, do ponto de vista estilístico. Tão, tão fabuloso. A cada fala de um dos personagens tinha de parar para contemplar e admirar a beleza da frase. As comparações sobretudo…
Não tenho o hábito de decorar ipsis verbis passagens dos livros que leio, por muito bonitas que sejam. Até consigo perceber a utilidade disso, nem que seja para o engate (sobretudo Shakespeare), mas não é algo que costume fazer.
Quando tiver o livro comigo, sou capaz de transcrever algumas partes. Para já, lembro-me desta:
” MacBeth - Que horas são?
Lady MacBeth - Não sei, mas a noite já luta com as primeiras horas do dia. ”
Uma chamada de atenção muito importante. O Shakespeare não era Português. Escrevia num Inglês lindíssimo, mas arcaico, que não é fácil de traduzir. Este post demorou a escrever porque dei com uma tradução brasileira online, que é absolutamente horrível quando comparada com a que eu tenho. Não me lembro do nome de quem a traduziu, mas os meus parabéns.

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http://www.gutenberg.net/etext/2264
pois pois… e com esta coisa de poderes baixar a iso ainda melhor. mas a verdade é que este inglês não é acessível a todos, por isso e porque há alguns anos atrás assisti a algumas sessões de um seminário dado pela Bárbara Heliodora, tradutora e estudiosa de Shakespear, estou mesmo com curiosidade de saber quem é o tradutor. E se nos for permitido, ficamos também à espera da transcrição de algumas partes
Tudo o que o livro tem a dizer sobre isso é “R. Correia”. É um bocado complicado assim. De qualquer forma, é uma edição “Amigos do Livro” e faz parte de uma colecção que conheço mais gente que tem (acho que o Gustavo me disse que também tinha). Nela, há dois tipos de livros. Uns pretos e uns vermelhos. Todos decorados com um padrão de losangos dourados.
Tenho, mas nao sei se tenho esse. Devo ter, nunca li…. Sou um inculto….
Ainda não consegui a tradução da Barbara Heliodora, mas encontrei uma tradução de Manuel Bandeira, com nota à edição portuguesa de Ruben A., datada de 1964, da Editorial Presença. Tentei procurar essa fala e encontrei isto:
“MacBeth - Que horas da noite são?
Lady MacBeth - Aquelas quando luta o dia com a noite e não se sabe se é noite ou dia.”
Ei cara tava procurando no google sobre uma banda chamada macbeath então achei seu blog, se vc conhecer esta banda me manda um e-mail ou me adiciona no msn. Blz? Falow cara!