A pedido de uma fracção de uma família:

A Suécia é um país fabuloso. Tudo funciona de forma perfeita, demasiado para mim. Os ricos têm impostos altíssimos, o que é pouco importante para eles se atendermos aos elevados salários que auferem. Têm dinheiro para levarem uma boa vida, e o estado fica com muito dinheiro para poder equilibrar melhor a sociedade.
As condições dadas aos estudantes são soberbas. Não pagam propinas e têm direito a tudo aquilo com que possamos sonhar. Sauna e piscina incluídas. O Campus Universitário parece um bocadinho de paraíso que alguém pôs na Terra.

Não sei se foi por ter estado maioritariamente em zonas dirigidas a estudantes, mas os preços pareceram-me bastante acessíveis. Lund é, de qualquer forma, uma cidade de estudantes, um pouco como Coimbra (daqui a muitos anos :)).
Copenhaga, na Dinamarca, por outro lado, é MUITO cara. Em alguns casos, cerca de dez vezes mais cara que Portugal. E eles, por muito que ganhem, não ganham dez vezes mais que nós. Por isso, vi mais miséria na Dinamarca do que na Suécia. Mesmo tratando-se da capital de um país, pareceu-me abusivo.

E para terminar este primeiro capítulo, volto ao início. A Suécia, demasiado perfeita.
Sim. Tanto a Suécia como a Dinamarca têm das mais altas taxas de suicídio, especialmente juvenil, da União Europeia. Uma das justificações que se dá é a falta de objectivos e de algo por que lutar, o que me parece compreensível neste cenário. Mas não quero entrar por este caminho, pelo menos não agora. Ontem ao jantar, onde também esteve o Gustavo, falámos também sobre isto e ocorreu-me que provavelmente os Cubanos se consideram mais felizes que os Suecos, sendo mais pobres. No fundo, acho que a questão principal é o que se pretende da vida. E se a resposta é felicidade, não é dinheiro e boas condições de vida.

É bom ser Português. Algumas imperfeições ou coisas que funcionam menos bem fazem parte da nossa cultura e se calhar não é bom carimbá-las de más. É o que somos e mais nada. Se não fôssemos assim, éramos Suecos.

One Response to “Um pouco de Suécia”
  1. Se pudesse, agora, era sueco.
    Em alguns fins-de-semana e nas férias, voltava a ser português.
    qualquer coisa como um “pórtô-sueco” …