Sexta-feira 13 foi um dia negro para o jornalismo. Duplamente negro. O Independente decidiu publicar gravações de conversas de um colega (ainda que não do mesmo órgão) com as suas fontes, mesmo depois do jornalista ter enviado às redacções uma carta que não autorizava a publicação das gravações alegadamente roubadas. (ainda não se percebeu muito bem como foi possível roubar “mais de 50 horas de gravações” em cassete ou como, segundo alguma comunicação social, foi possível roubar essas mais de 50 horas de gravações, fazer uma cópia, e devolver de novo)
Duplamente negro, porque nos vimos confrontados com as gargalhadas de Sara Pina, hoje assessora de Souto de Moura, Procurador Geral da República.
Sara Pina foi jornalista e é autora do livro “A Deontologia do Jornalistas Portugueses” editado pela MinervaCoimbra. Não há estudante de Comunicação Social ou Jornalismo que não lhe conheça as páginas. Para quem ama a profissão, é um livro que se devora com gosto. Depois fica-se a saber que, afinal, a jornalista que o escreveu já não é jornalista: passou para o outro lado, é assessora. E como se não bastasse isso, descobre-se agora que é uma ‘excelente’ assessora, que passa informação aos “colegas jornalistas” (quando trabalhei na profissão sempre me repugnou este tratamento que os demais assessores me davam, como me repugnou as íntimas relações entre assessores e jornalistas)
É o abraço traiçoeiro. “Ao dar-te informação, fico a saber o que tu sabes”.
Depois há a questão do off: se me dizem algo em off, como poderei saber se é verdade? Quando um jornalista dá um off (que hoje mais parece regra do que excepção) fica completamente desprotegido. A fonte, se tiver confiança no jornalista, poderá dizer-lhe qualquer coisa, poderá veicular qualquer informação que lhe interesse…

3 Respostas a “Sara Pina”
  1. yagami diz:

    sinceramente , tentei ver as noticias , ouvi também as razoes da senhora responsavel pelo independente ( tou completamente fora do mundo do jornalismo ) que eram : o povo tem o direito de ouvir estas declarações , mesmo que quebre o direito de alguns individuos.

    isto , penso eu , é um caso completo de legalidade e etica.

    penso que se fosse na america , já haviam filmes e livros a serem feitos sobre isto. e até achava bem , pois gostava de conhecer completamente este acontecimento.

  2. A razão dada pela directora do Independente seria justificável, se fosse verdadeira. Só serviu para vender jornais. A verdade é que nada nos garante que a gravação que chegou ao Independente seja verdadeira, há até quem diga que as gravações foram alteradas… na verdade, não ficámos a saber nada a mais de realmente importante, apenas satisfizémos a nossa curiosidade, relativamente ao teor, porque que existiam declarações impróprias de Adelino Salvado e Sara Pina, já se sabia.
    Depois o mais importante: aquilo que os entrevistados disseram foi em off the record, completamente, nem fonte do MP, por exemplo, a Sara Pina deixou o jornalista colocar. Isto tem duas consequências: se não foi confirmado por outra fonte, nada me garante que seja verdadeiro. Quando um jornalista deixa a fonte falar em off, a fonte pode dizer o que quiser… quem é que vai dizer que não é assim? Passar esta informação para o público, sem confirmação, pode querer dizer que estamos a mentir ao público.
    Por outro lado, quem garante que este, alegadamente, roubo, não é uma manobra de de diversão? Estamos a falar de mais de 50h de gravações em cassetes. Se estivermos a falar das pequeninas, muito usadas pelos jornalistas, estaremos a falar de mais de 25 cassetes, que não cabem propriamente num bolso… não foi dada nenhuma informação sobre como desapareceram, e até se disse que as tiraram, fizeram cópias e devolveram… ora, o jornalista sabia que naquelas cassetes tinha gravações com fontes, que não tinham sido autorizadas, como ele deixa as cassetes assim, sem cuidado? e depois, um jornalista não anda propriamente a apregoar que gravou conversas ‘quentes’ sem os entrevistados saberem… quem mais sabia disto?
    Tudo isto é tão estranho que tenho muitas dúvidas dos objectivos reais de toda esta questão. De qualquer forma, se as cassetes chegaram a todas as redacções (porque a info chegou à redacção, de bandeja, o que é muito diferente dos jornalistas irem à procura da informação), é porque alguém as queria ver publicadas. Houve um jornal que o fez. E com isso fez o jogo da pessoa que as fez chegar à redacção. Quem é esta pessoa? Que interesse tem no caso?
    Ooops, é melhor parar por aqui que já escrevi um testamento. Às vezes entusiásmo-me!
    Como, ultimamente, nem sinal do sr. Administrador, colocarei as secções pedidas. Desporto? Ai, o futebol, sr. Yagami. Com três homens na casa, até admira só agora se terem lembrado desta!;)

  3. yagami diz:

    sim, estou a perceber melhor o caso agora.

    as cassetes podem ser apenas producto de alguem que as queria publicar , em qualquer jornal , para influenciar de qualquer maneira a opiniao publica.

    uma duvida , se calhar ando a ler jornais de futebol a mais , que só dizem noticias falsas mas , nos jornais de noticias importantes , as noticias são sempre confirmadas ? são sempre seguras ?

    bem , sobre o Ooops …. força , não tenhas medo de deixar testamentos :)

  4.