Ausência
Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.
Sophia de Mello Breyner Andresen, Mar Novo (1958)
This entry was posted on Monday, July 5th, 2004 at 11:55 am and is filed under Geral.You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. Responses are currently closed, but you can trackback from your own site.
O teu rosto
É o teu rosto ainda que eu procuro
Através do terror e da distÃÂância
Para a reconstrução de um mundo puro.
Sophia de Mello Breyner Andresen, Mar novo (1958)
This entry was posted on Monday, July 5th, 2004 at 11:54 am and is filed under Geral.You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. Responses are currently closed, but you can trackback from your own site.
Porque
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Poque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
Sophia de Mello Breyner Andresen, Mar Novo (1958)
This entry was posted on Monday, July 5th, 2004 at 11:53 am and is filed under Geral.You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. Responses are currently closed, but you can trackback from your own site.