Ontem vi o filme da Sofia Coppola. E adicionei-o a um dos melhores filmes que já vi.
Não tinha lido críticas. O único comentário que ouvi antes do filme foi um “estava a espera de outra coisa”, a que foi acrescentado um “mas sim, até gostei”, hesitante e seco.
Percebe-se que o público não goste do filme.
Este filme fala da solidão, mas não da forma habitual. Confundimos muitas vezes o sentirmo-nos sós com o estarmos sós. Por isso, se a realizadora nos falasse da solidão como commumente a entendemos, estaria tudo bem, a resolução do conflito seria fácil: bastaria estar com pessoas para deixar de estar só.
Mas este filme fala-nos da solidão na sua forma mais assustadora: mesmo estando com muitas pessoas, mesmo tendo uma pessoa na nossa vida (a protagonista é casada e nada indica falta de amor - veja-se o carinho que tem pelo marido ou o fax, que este lhe envia) é possível sentirmo-nos sós.
Assim exposta, a solidão (um dos problemas que a sociedade moderna tem mais dificuldade em lidar) não parece ter uma solução à vista. E isto incomoda.
Uma série de técnicas cinematográficas ajuda a criar este desconforto, como sejam os planos quase fixos e longos. O espectador vê a cena, capta a mensagem, mas a imagem mantêm-se. A partir do momento em que percebemos a mensagem, mas o plano mantêm-se, sentimos que estamos a invadir uma intimidade para além do ‘necessário’.
Claro que vamos passar o resto da vida a interrogarmo-nos sobre o que ele lhe terá dito no final, ainda para mais porque gostaríamos que fosse a solução do nosso problema (nem no final a realizadora resolve cabalmente os conflitos que cria no filme, nem o da solidão, nem o do casamento longo). Mas cada vez que isto acontecer iremos lembrar também a paz no sorriso daquelas duas pessoas e perceber que embora a solidão não se resolva estando com pessoas, é passível de solução.
É um filme maduro, com um final demasiado adulto.
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3 Responses to “Lost in translation”
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Tambem convem existirem filmes desses e nao ser tudo em formato light.
Eu pessoalmente semore fui alergico ao light, desde a coca cola ao marlboro. Ou é verdadeiro ou não é. Ainda bem que falas do filme que assim vou tentar ver.
Paula, o filme da Coppola é maravilhoso mesmo! Achei-o doce, sensível, belo, nostálgico. É um banho de água fria naqueles que duvidam da capacidade de apenas uma boa história, bons atores e uma boa diretora. O filme é lindo mesmo!
Que bom encontrar alguém que também gostou, Jegue. Das pessoas que conheço e que viram, ou não gostaram ou não mostraram muito entusiasmo. Um abraço.