O Blog do Gustavo Felisberto

Gustavo Felisberto Eu uso Print This Post Print This Post
 

Mandei há algum tempo um e-mail para uma lista do meu departamento um e-mail que teve pouca recepção.
Vamos a ver se aqui tem mais sucesso. O Título era “Tu és a unica pessoa que eu conheço que usa Linux“:
Na sexta feira passada fui a um jantar de aniversário de um amigo meu.
Como em todos os jantares deste tipo existem sempre pessoas novas que
nós não conhecemos e acabam por ficar ao nosso lado. Durante a conversa
com o Manuel que é licenciado em Gestão ele ficou a saber que eu estava
a estudar LCM e que já tinha trabalhado gestão de sistema, e logo vem a
frase da praxe:
“Olha lá, eu tenho um problema assim e assado no meu windows, sabes como
resolver.”
Eu como não estava para explicar ao jovem como resolver um daqueles
problemas típicos do windows respondi:
“Sabes, eu de windows percebo pouco pois uso apenas Linux.”
Ao que ele respondeu:
“Tu és a unica pessoa que eu conheço que usa Linux!!!”

Depois veio a pergunta típica de porque é que eu usava Linux, ao que eu
respondi o típico:
“é estável, é livre, etc etc… mas não sou fanático, o computador é uma
ferramenta, por isso se existe uma solução mais facil/barata com windows
eu uso windows …etc etc”

Mas fiquei a pensar no que tinha dito….. E fiquei a pensar que muitas
vezes usava Linux e ferramentas Livres quando seria mais fácil/rápido
usar windows e um qualquer software pirata. E percebi que para mim
acabava por ser um desafio o uso de ferramentas deste tipo, e que no
final do trabalho feito muitas vezes ficava a perceber bastante mais do
que se fosse usar uma solução proprietária tipo blackbox.

Por isso digo com algum orgulho que uso Linux a cerca de 7 anos, e que
nos últimos 2 uso Linux a 100%, e que regra geral não sinto saudades
nenhumas do windows. Digo também que gostava de ver mais pessoas a usar
Gnu/Linux ou *BSD e ferramentas livres e que gostaria de ver mais emails
@*.dei.uc.pt ligados a projectos Livres.

Paula Simões Amarcord Print This Post Print This Post
 

Gosto da palavra «estafermo».
Faz-me sorrir.

Gosto do temperamento das italianas.
Faz-me sorrir.

Gosto de descobrir a profundidade das pessoas simples.
Faz-me sorrir.

Gosto das personagens que me interpelam directamente para dizerem coisas que não vou memorizar.
Faz-me sorrir.

Mas há coisas que mesmo que me sejam apresentadas de forma ridícula, não me fazem sorrir.
Fico, então, muito quieta no escuro da sala, respiração sustida, coração apertado.
E ouço dois ou três risos no espaço escuro onde também estou.
E não compreendo.

Gustavo Felisberto Violência Nocturna Print This Post Print This Post
 

Nos início da década de 90 quando comecei a conhecer a noite
coninbricence as pessoas mais velhas costumavam comentar que se estava a
viver uma década bastante calma na noite de Coimbra, em que poucas
confusões existiam, que os porteiros dos bares/discotecas eram pessoas
educadas e calmas e que raramente havia pancadaria. Nos ultimos anos eu
tinha a distinta sensação que as coisas estavam a mudar. Ontem tive a
confirmação ao ir a uma das discotecas da moda de Coimbra.
A dita discoteca que fica ali para os lados da praça da república já foi
antigamente um dos sítios mais alternativos de Coimbra onde ia o pessoal
mais “da pesada”, e nas muitas noites que lá passei nunca vi lá grandes
confusões, mas ontem estava a acabar de chegar e estando a espera de
entrar reparo em dois “betos” a quem tinha sido barrada a entrada e que
estavam a “mandar bocas” aos porteiros, qual não é o meu espanto quando
um outro porteiro sai disparado de dentro da discoteca e desata ás
chapadas e murros aos dois “betos”, a coisa ainda fica mais feia quando
o dito porteiro agarra numa pedra da calçada que estava solta e se
prepara para a arremessar contra um dos betinhos.
“Agora é que vai ser o bom e o bonito.” - Pensei eu, que já à alguns
segundos que me perguntava onde raio me tinha ido meter.
Segundos depois os betos vão-se embora, e eu e as pessoas com quem
estava acabamos por entrar. Pouco se falou sobre o incidente, como se
fosse coisa comum……. estou a ficar velho……..

Paula Simões Oração do Jornalista ¹ Print This Post Print This Post
 

“Dear Lord,
So far today, I am doing all right.
I have not gossiped, lost my temper, been greedy, grumpy, nasty, selfish or self-indulgent.
I have not whined, complained, cursed, got drunk, eaten any chocolate or ice cream.
I have charged nothing on my credit card.
I will be getting out of bed in a minute, and I think that I will really need your help then.”

¹ fonte: Society of Professional Journalists, SPJ

Paula Simões Recordar Print This Post Print This Post
 

Hoje a “workaholic” vai ao cinema.

Amarcord.

Federico Fellini

Paula Simões Galinhas ou o copo meio cheio Print This Post Print This Post
 

Uma galinha de óculos (da qual não me lembro o nome) com desalento: - Temos UMA hipótese num MILHÃO de sair daqui!
Outra galinha (que penso chamar-se Ginger): - Bom, então ainda temos uma hipótese.

Excerto do filme “Chicken Run“.

Paula Simões Carlota ou as mulheres… Print This Post Print This Post
 

«Com apenas 20 anos, Carlota já era uma figura lendária. Dois meses antes, durante o levantamento de Huambo, tinha chefiado um pequeno destacamento do MPLA que estava cercado por uma força da UNITA de um milhar de soldados. Conseguiu furar o cerco e salvar o seu pessoal. As raparigas dão geralmente soldados excelentes - melhores do que os rapazes, que por vezes se comportam de forma histérica e irresponsável na frente de combate. Ela era uma mulata com um encanto misterioso e, assim nos parecia, de grande beleza. Mais tarde, quando revelei as fotografias que lhe tirara, as únicas fotografias de Carlota que ficaram, vi que não era assim tão bela. Todavia, ninguém o disse em voz alta, para não destruir o nosso mito, a nossa imagem de Carlota dessa tarde de Outubro em Benguela. (…)Quando o comandante Monti, quatro portugueses e um polaco a viram à frente do quartel-general, parecera-lhes bela. Porquê? Porque era nesse estado de espírito que estávamos, porque era do que precisávamos, porque queríamos que assim fosse. Nós criamos sempre a beleza das mulheres e nesse dia criámos a beleza de Carlota. Não sei explicá-lo de outra forma.»

Kapuscinski, Ryszard, Mais um dia de vida - Angola 1975, Campo das Letras, Porto, 1998

Gustavo Felisberto Open Source vs Free Software Print This Post Print This Post
 

Esta blogadela (visto não ser um habitue dos blogs não sei se o termo existe, se não existir acabou de ser criado porque toda a gente entendeu :) ) serve para extender e clarificar a diferença dos dois termos: Free Software vs Open Source . Apesar de nos ultimos tempos serem usados indescriminadamente a diferença existe e não é pequena.
O Open Source é uma licença que define que por um determinado programa não pode ser cobrado dinheiro (excepto quando muito o custo do seu suporte (cd-rom/diskete/etc)) e que os utilizadores podem modificar pois tem acesso ao código fonte que gerou o programa. Regra geral a licença especifica que uma determinada entidade (normalmente uma empresa que iniciou o projecto) tem o direito exclusivo de usar partes ou o todo do código em produtos comerciais seus (possivelmente produtos de código fechado).
O Free Software extende esta licença dizendo que nem mesmo quem ini­cia o projecto tem o direito de usar mais tarde o código em projectos comerciais.
Isto proteje a comunidade que se possa juntar em volta do projecto pois assim nunca código que a comunidade produzio pode ser usado comercialmente (excluindo é claro o caso em que apenas a própria empresa base desenvolveu o software).

Interessante é que o Free Software apesar de parecer um extensão do Open Source, históricamente foi ao contrário :) . Inicialmente o projecto GNU desenvolveu a licença GPL (que cobre o kernel do Linux e 90% do software disponivel para linux) e que apenas mais tarde um grupo sentiu a necessidade de desenvolver o OpenSource para chamar ao movimento as empresas tradicionais de software.

Paula Simões Open Source Print This Post Print This Post
 

Nenhum homem é uma ILHA isolada; cada homem é uma
partícula do CONTINENTE, uma parte da TERRA; se um
TORRÃO é arrastado para o MAR, a EUROPA fica
diminuída, como se fosse um PROMONTÓRIO,
como se fosse a CASA dos teus AMIGOS ou
a TUA PRÓPRIA; a MORTE de qualquer
homem diminui-me, porque sou
parte do GÉNERO HUMANO.
E por isso não perguntes
por quem os
SINOS dobram;
eles dobram
por TI
J O H N D O N N E

in Hemingway, Ernest, Por Quem os Sinos Dobram, Livros do Brasil, Lisboa

Há pouco tempo soube que um amigo (deixa-me chamar-te amigo) trabalha, há muito tempo, com o sistema operativo LINUX. Este, ao contrário do Windows, é grátis. Mas este vocábulo, grátis, neste contexto, está isento das conotações que o marketing lhe vem dando. Aqui não é preciso comprar nada para se ter o grátis.

Num mundo cada vez mais materialista e cada vez mais fechado à partilha de informação, o conceito inicial da Internet tem vindo, sucessivamente a ser adulterado.

Mas o LINUX não é apenas grátis. Pertence àquilo a que se chama open source, ou código aberto. Qualquer pessoa no mundo poderá ter acesso ao código do sistema operativo e contribuir para o seu desenvolvimento, criando uma comunidade.

Sobre esta temática, a Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Leiria promove amanhã, quarta-feira, uma conferência que vai estar, em directo, aqui.

Uma colega de trabalho resumia, há pouco tempo, a questão: “Ninguém te pode prender por teres uma coisa destas em casa!”

Paula Simões Provocação Print This Post Print This Post
 

Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia

chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a

é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece

Leiria, Mário-Henrique, Rifão Quotidiano in Novos Contos do Gin, Editorial Estampa, 1989

Paula Simões Segunda-feira Print This Post Print This Post
 

São 9h da madrugada e hoje é segunda-feira…

Cara de segunda...

Paula Simões Re: Musicalidades 1 Print This Post Print This Post
 

Olho as palavras dos Tool e imagino-as encaixadas numa sequência de sons… sinto-me surda porque a letra pede música e eu (ainda) não a consigo ouvir… estará a música de acordo com a letra ou funcionará por contraste?
Que música estaria de acordo com o poema?
Depois de cativada pela letra, como poderei não gostar da música? E se a música não for a que imagino? Se for diferente? Muito diferente? E se, definitivamente, não gostar da música, conseguirei separar-me da letra? Será isto possível? Será possível que por causa da música, as pessoas se separem das letras?

I know the pieces fit too. There is always a moment to feel it. For the lucky ones there are severals, I believe.
And, in those moments, we breed…

Gustavo Felisberto Musicalidades 1 Print This Post Print This Post
 

Como alguns conhecidos meus sabem tenho andado numa onde de ouvir Tool e Perfect Circle, por isso aqui fica uma letra que eu gosto particularmente.

Tool
Schism

I know the pieces fit cuz I watched them fall away
Mildewed and smoldering, fundamental differing,
Pure intention juxtaposed will set two lovers souls in motion
Disintegrating as it goes testing our communication
The light that fueled our fire then has burned a hole between us so
We cannot see to reach an end crippling our communication.

I know the pieces fit cuz I watched them tumble down
No fault, none to blame it doesn’t mean I don’t desire to
Point the finger, blame the other, watch the temple topple over.
To bring the pieces back together, rediscover communication.

The poetry that comes from the squaring off between,
And the circling is worth it.
Finding beauty in the dissonance.

There was a time that the pieces fit, but I watched them fall away.
Mildewed and smoldering, strangled by our coveting
I’ve done the the math enough to know the dangers of a second guessing
Doomed to crumble unless we grow, and strengthen our communication

Cold silence has a tendency to atrophy any sense of compassion

Between supposed lovers
Between supposed lovers.

And I know the pieces fit.

Paula Simões Helplessness Print This Post Print This Post
 

Danae, mãe de Perseus.

Legenda da imagem:

Título: Danae
Autor: Gustav Klimt
Data: 1907-8
Formato: 77 x 83 cm
Técnica: Óleo sobre tela
Local: Roma, Galleria Nazionale d’Arte Moderna

A Danae de Ticiano está aqui.

Danae de Gustav Klimt

Paula Simões Partilha Print This Post Print This Post
 

Hoje a minha melhor amiga faz anos. Parabéns!

Não é fácil encontrar aquilo a que podemos chamar de «blog aberto». Excepto, talvez, o IF no ar - Ideias para a continuidade da IF, não parece existir o hábito de abrir a qualquer leitor a possibilidade de colocar posts. Àqueles fica reservado o espaço e função dos comentários.
Neste sentido, podemos avançar uma tipologia bloguística (?): os blogs individuais, geridos unicamente por uma pessoa; os blogs colectivos, alimentados por várias pessoas conhecidas entre si; os blogs de livre acesso, abertos a uma comunidade específica, em que é disponibilizado o login e a password e, por fim, os blogs abertos a qualquer leitor, possibilitando a colocação de posts através de um registo disponibilizado no próprio blog.
Este último, de que O Blog do Gustavo Felisberto é exemplo, torna-se, apesar da existência de um administrador e da aceitação por parte daquele do novo blogger, o tipo de blog mais livre. Ao contrário, dos blogs de livre acesso, que giram em torno de uma temática ou que surgem como manifestações de apoio ou contestação de determinado assunto, que por si só exclui os que dele não se sentem próximos, os blogs que permitem o registo de qualquer leitor tornam-se uma das luzinhas, que teimam em piscar, e que fazem parte do conceito base da internet: a partilha. No caso, não só de informação, mas também de espaço, distribuído de forma equitativa.

Gustavo Felisberto The Color Look Print This Post Print This Post
 

Aqui a uns tempos peguei numa imagemque encontrei no deviantart e resolvi dar um pouco de cor. É ainda um dos meus wallpapers favoritos

Se fizerem “Save Image” vão poder ver a imagem em ponto grande :)

Paula Simões Estreia Print This Post Print This Post
 

Hoje fiz anos. Tive uma hora de paz. Será que valeu pelas outras?

Ontem, o suplemento «Babelia» do El País trazia, pela mão do Enrique Vila-Matas, um belíssimo texto intitulado«Ventanas de la alta madrugada» e do qual partilho aqui o primeiro parágrafo:

«Estoy pensando en juguetes rabiosos. Y también en aguasfuertes portenos, jorobaditos y noctámbulos, lunas rojas y siete locos en trajes de fantasmas. Estoy pensando en Roberto Arlt y en aquella manana en la que sus companeros de trabajo le encontraron en la redacción del periódico con los pies sin zapatos sobre la mesa, llorando, los calcetines rotos. Tenía enfrente un vaso con una rosa mustia. A las preguntas, a las angustias, contestó: - Péro no ven la flor? no se dan cuenta que se está muriendio?»

Depois Vila-Matas segue, entrecruzando janelas indiscretas com angústias…

Começa aqui a minha participação n’«O Blog do Gustavo Felisberto».
Não houve máquina na festa? Estava à espera da «cara toda pintadinha»…
;)

Gustavo Felisberto Estudo Print This Post Print This Post
 

Bem, a festa ontem foi bacana, mas a máquina ficou em casa:( E que pena, que as pinturas de dia das bruxas foram giras :)
Mas sábado já foi dia de trabalho……. e o C chama……